Organização: Ana Paula C. Bovo (UEMG) e Jane Quintiliano G. Silva (PUC Minas)

 

O Caderno CESPUC de Pesquisa se dedicará, neste número, à publicação de estudos os quais, em suas articulações teóricas e analíticas, voltam-se para o trabalho com questões pertinentes à dialogicidade e à heterogeneidade da linguagem. Essa temática nos remete, certamente, às bases epistemológicas do círculo de Bakhtin, mas está contemplada no projeto teórico da análise do discurso e em outras correntes teóricas das Ciências Humanas, aquelas que evidenciam perspectivas críticas acerca de estruturas ditas inabaláveis, crenças em uma objetividade pura, dicotomias, verdade uma e una na ciência etc. Perspectivas, enfim, que problematizam concepções fechadas ao múltiplo. De modo geral, podemos afirmar que em torno dessa temática gravitam discussões que contemplam um conjunto de questões sobre o discurso de outro, vozes, relações dialógicas, polifonia, bivocalidade, dialogização, hibridismo, intertextualidade, interdiscurso, repetições, paráfrase discursiva, memória discursiva, alteridade, heteroglossia, entre outras. A respeito dessa trama conceitual, conforme a abordagem teórica que a acampa, é sabido, podem-se mobilizar percursos teóricos específicos conferindo a tais noções tonalidades distintas. Ainda assim, não nos parece demais dizer que se tem aí noções dinamizadoras, como lentes que revelam lados, arestas e relevos que nos fazem, portanto, desconfiar da completude e transparência da língua, da homogeneidade do discurso, do sujeito como dono ou origem do seu dizer. Em suma, abrem-se gestos de leitura para perscrutar movimentos da prática linguageira que reconhecem o heterogêneo, o dissonante, o fragmentário, o descontínuo, o marginal, o provisório. Outro ponto importante a considerar, sob a ótica da temática em pauta, envolve a pluralidade de textualidades, de discursividades e suas formas híbridas, na contemporaneidade, engendradas na dinâmica da cultura digital, no domínio da Web. Tal diversidade vem redesenhando as relações do homem com a linguagem, marcadas pela emergência, pluralidade e heterogeneidade de novas narrativas, de novos gêneros de discursos ou outros em transformação, de outras vozes e identidades, que rompem com o desejo da chamada língua perfeita, da consolidação da verdade uma ou una, da completude do sentido, da ilusão de uma subjetividade pronta e acabada. Em resumo, na proposta deste Caderno, objetivamos reunir trabalhos cujas discussões enfatizem a dimensão dialógica e heterogênea da linguagem. O silenciamento de tais dimensões, tal como vigorou por muito na história das ideias da linguagem, que acaba por mascarar a porosidade dos discursos, a movência e a historicidade dos sentidos, tem sido continuamente desconstruído nas últimas décadas, numa espécie de contramovimento cujos inúmeros desbobramentos se espalham e se imbricam ao mesmo tempo. O espaço deste número é dedicado a estudos e trabalhos que se ligam a tais desdobramentos, assumindo-os e reconfigurando-os, portanto.

Os interessados em integrar este projeto de publicação devem submeter suas contribuições na plataforma online do Caderno CESPUC de Pesquisa (n.  37, ano 2020), até o dia 10 de outubro de 2020. Saliente-se também que a escrita do texto pode ser em língua inglesa ou na língua de origem do autor.

Mais informações pelo link: http://periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoscespuc/about

ou pelo e-mail: cespuc@pucminas.