Do leitor fantasma da obra ao leitor ficcional da obra Macunaíma, de Mário Andrade

  • Sonia Inez G. Fernandez Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
Palavras-chave: literaturas de língua portuguesa, linguística, filologia

Resumo

O leitor como instância literária vem sendo alvo de estudo há décadas, mas no que diz respeito à literatura brasileira pouco interesse tem despertado. Uma pesquisa aqui, outra ali, as exceções apenas confirmam a regra. O objetivo deste trabalho é, portanto, tratar da ficcionalização do leitor em Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade, posto que há uma ampla base de sustentação desta tese, começando pelo fato de Mário de Andrade ter efetuado uma mudança/troca/modificação nada desprezível ao definir o gênero literário de seu livro, chamando-o rapsódia e não romance. A ficção foi inequivocamente afetada na medida em que o rapsodo passou a ser o elemento estruturante da narrativa e não mais o narrador (do romance). À opção pela rapsódia, que privilegia a presença do leitor de um modo muito particular, somaram-se outros modos de ficcionalização, derivados das manifestações folclóricas (o brinquedo do Boi) e das várias práticas experimentadas pelo povo brasileiro em vários âmbitos da criação. Assim, as diversas experiências ficcionais e formas de saber ficcional, com ênfase na comunicação com o leitor (são inúmeros os recursos fáticos), utilizados para a estruturação da narrativa criaram um modo de ficção originalíssimo, no qual reside o sempre renovado interesse pela obra.

Palavras-chave: Ficcional. Ficcionalizado. Modernismo brasileiro.

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Publicado
14-12-2015
Como Citar
Fernandez, S. I. G. (2015). Do leitor fantasma da obra ao leitor ficcional da obra Macunaíma, de Mário Andrade. Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, 2(25), 195-212. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoscespuc/article/view/11114
Seção
Dossiê: narrar e narrar-se