Estimulação cognitiva e orientações para alimentação de idosas institucionalizadas: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão na Fonoaudiologia

Leilane Júlia Chaves de Lima, Jéssica Maria Campos Salles, Ana Luísa Gonçalves de Melo, Patrícia Vieira Salles

Resumo


O objetivo deste trabalho foi traçar o perfil cognitivo de um grupo de idosas institucionalizadas,  identificar o padrão de deglutição e posteriormente apresentar à Instituição uma proposta de atuação. Métodos: Estudo descritivo, longitudinal e quanti-qualitativo realizado com 17 idosas institucionalizadas no município de Belo Horizonte, Minas Gerais. A coleta de dados foi realizada por meio da consulta aos prontuários de cada uma delas, utilizando-se anamnese com questões que identificaram os aspectos sociodemográficos e condições de saúde. Foram utilizados o Mini Exame do Estado Mental para a avaliação cognitiva e a Avaliação de Disfagia da PUC Minas para avaliar o padrão de deglutição. Após a coleta dos dados, os mesmos foram tabulados e analisados quantitativa e qualitativamente. Houve grande prevalência de declínio cognitivo. Todas com designação religiosa pela igreja católica (freiras), nível de escolaridade superior a oito anos e idade entre 76 e 95 anos. A análise estatística realizada apontou que a idade, a dificuldade em iniciar o sono e a hipertensão associada à diabetes relacionam-se ao declínio cognitivo. A maioria das idosas apresentou deglutição normal, seguido de disfagia orofaríngea leve e deglutição funcional. A conclusão é que a prevalência de declínio cognitivo observada foi elevada. Foi observado que a idade, as alterações de sono e a associação da hipertensão à diabetes influenciam negativamente na cognição das idosas e que com o avanço da idade, maiores são os riscos e a presença de sinais e sintomas sugestivos de disfagia.


Palavras-chave


Idoso. Cognição. Saúde do idoso institucionalizado. Deglutição. Transtorno da deglutição. Instituição de Longa Permanência para Idosos.

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