Fé e Cura – experiência etnográfica junto ao projeto de extensão Lições da Terra na comunidade quilombola de Barro Preto

Karolina Santos Hugo, Lua Rodrigues Batista, Júlia Cotta Lima de Oliveira, Denise Pirani

Resumo


O uso de plantas medicinais vem sendo resgatado não só pela medicina ocidental moderna, mas também por comunidades tradicionais, que encontram no processo de preparação, desde a prática de colheita ao preparo dos chás e garrafadas, uma forma de reafirmação de identidades e de práticas rituais e místicas. Percebemos com isso, que o uso das plantas se insere num universo ainda maior de significados, que estão além do saber-fazer tradicional, passado pela experiência e oralidade, significados espirituais, que envolvem complexas estruturas do inconsciente coletivo, traduzindo-se em rezas, simpatias e benzeções e, para além, revelam-se como práticas ligadas aos territórios tradicionais em sua totalidade. A compreensão destes modos de expressividade coletiva, que envolvem oralidade e corporalidade, nos faz repensar as práticas metodológicas e as técnicas de pesquisas tradicionalmente aplicadas na etnografia. Trazemos para este estudo uma reflexão sobre a experiência de campo junto ao Projeto de Extensão Lições da Terra, do curso de Ciências Sociais da PUC Minas, na Comunidade Quilombola de Barro Preto, em Santa Maria de Itabira, Minas Gerais, onde foi possível experimentar recursos da antropologia visual, numa construção exploratória do campo com som e imagem, de forma dialógica e compartilhada entre as pessoas pesquisadoras e as pessoas moradoras da Comunidade.


Palavras-chave


Audiovisual; Antropologia visual; Quilombo; Etnobiologia; Cosmologia; Comunidades tradicionais.

Texto completo:

PDF

Referências


BATESON, G.; MEAD, M. (1938). First days in the life of a New Guinea baby. 35 mm, pb, 14 min., 1938.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

CARELLI, Vicente. Martírio. color, 160 min, 2016.

COMOLLI, A. Éléments de méthode em anthropologie filmique. Travaux en Anthropologie filmique. Nanterre: Publidix Université Paris X – FRC, 2003, pp. 5-43.

FLAHERTY, R. Nanook of the North, 35 mm, pb, 55 min., 1922.

FRANCE, C. de (org.) Do filme etnográfico à antropologia fílmica. Campinas: Editora da Unicamp, 2000, pp. 43-53.

Conecte-se! Revista Interdisciplinar de Extensão. V. 2. Nº 4. 2018

FRANCE, de Claudine. Cinema e Antropologia. Tradução de Marcius Freire. Editora UNICAMP, Campinas, 1998.

FREIRE, Március. Fronteiras imprecisas: o documentário antropológico entre a exploração do exótico e a representação do outro. Revista FAMECOS. Porto Alegre, 2005.

FREIRE, Március. Jean Rouch e a invenção do Outro no documentário. Universidade Estadual de Campinas. 13º Encontro Internacional de Pesquisadores do Documentário; Cinemateca

Brasileira, São Paulo, Agosto de 2006.

GARDNER, Robert. Dead Birds. color, 83 min., 1964.

GEERTZ, Clifford. Do ponto de vista dos nativos: a natureza do entendimento antropológico. In: GEERTZ, Clifford. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa. Tradução de Vera

Mello Joscelyne. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 85-107.

GOMES, Núbia Pereira de Magalhães; PEREIRA, Edmilson de Almeida. Assim se benze em Minas Gerais. Universidade de Michigan. Mazza Edições, 2002.

GUSMÃO, Neusa M. Mendes de. Terra de pretos; terra de mulheres: terra, mulher e raça num bairro rural negro. Brasília: Ministério da Cultura - Fundação Cultural Palmares. 1995.

LEVI-STRAUSS, C. A eficácia simbólica. Rio de Janeiro. Tempo Brasileiro, 1975.

LIMA, GERSON DINIZ - Os Agricultores Camponeses Das Comunidades Quilombolas De Macuco E Pinheiros / Minas Novas – MG – UM ESTUDO DE CASO. Instituto de Geociências

(UFMG) – Belo Horizonte, 2006.

MARTINS, Humberto. Sobre o lugar e os usos das imagens na antropologia: notas críticas em tempos de audiovisualização do mundo. Revista Etnográfica. vol. 17 (2), 2013.

MONTE-MÓR, Patrícia. O Brasil no circuito do cinema etnográfico. Revista Sexta-feira. São Paulo, nº 2, 1999.

OLIVEIRA, Roberto Cardoso. O trabalho do antropólogo, São Paulo, Ed. Unesp. 1998.

QUINTANA, Alberto M. A ciência da benzedura – mau olhado, simpatias e uma pitada de psicanálise. EDUSC. São Paulo, 1999.

RAMOS; Natália; SERAFIM, José Francisco. Cinema e mise en scène: histórico, método e perspectivas da pesquisa intercultal. REPERTÓRIO: Teatro & Dança. Ano 12 - Número 13 - 2009.2.

RIBEIRO, José da Silva. Antropologia visual, práticas antigas e novas perspectivas de investigação. Rev. Antropol. São Paulo, v. 48, n. 2, p. 613-648, dez. 2005 .

ROSENFELD, J. M. Filmar uma reconversão do olhar.

ROUCH, J. Moi, un noir. 16 mm, color., 80 min., 1957.

SAMAIN, E. Ver e dizer na tradição etnográfica: Bronislaw Malinowski e a fotografia, In: ECKERT, C. & GODOLPHIN, N. (Org.). Horizontes antropológicos. Antropologia Visual, n. 2,

Porto Alegre, PPGAS/UFRGS, pp. 19-48. 1995.

SILVA, Giselda Shirley da. Um cotidiano partilhado – Entre práticas e representações de benzedeiros e raizeiros. UNB. Dissertação de mestrado, 2007.

VERGER, Pierre Fatumbi. EWE - Uso das plantas na sociedade IORUBÁ. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

VERTOV, D. O homem com a câmera. 35 mm, pb, 95 min., 1929.

https://www.youtube.com/watch?v=sGanECSgRNE


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 Conecte-se! Revista Interdisciplinar de Extensão