64 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.17 n.2, p.64 - 66, ago. 2020
Resenha: livro Inside Terrorism de Bruce
Hoffman
Marina Cavalcante Martins Pereira
1
DOI: 10.5752/P.1809-6182.2020v17n2p64
Recebido em: 04 de maio de 2020
Aceito em: 18 de maio de 2020
1 Mestranda em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba (PPGCPRI/UFPB).
Contato: marinacavalcante@outlook.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3764-6828.
Inside Terrorism, tem como um de seus
objetivos ser acessível, como algo que possa
ser entendido tanto por acadêmicos como por
leigos. Com dez capítulos e uma conclusão ao
final de cada um o livro conta com uma série
de detalhes e exemplos que ajudam o leitor a
formar uma ampla visão e consolidar seu en-
tendimento do assunto.
No primeiro capítulo, Hoffman busca de-
finir e entender o que é o terrorismo. Ele o de-
fine como sendo um fenômeno essencialmente
político que faz uso da violência para alcançar
objetivos políticos, calculado e planejado, ou
seja, um ato sistemático e que visa à busca, à
aquisição e ao uso de poder para alcançar mu-
danças políticas.
A frequente mudança do termo terroris-
mo, ao longo dos anos, causou, segundo Hof-
fman, certa dificuldade quando se pensa em
sua definição. No segundo capítulo ele trata do
fim do império e as origens do terrorismo con-
temporâneo, abordando pontos como: a guerra
na Palestina, as lutas anticoloniais da década de
1950, em especial casos como Chipre e Argélia
e como insurreições etno-nacionalistas, subse-
quentes à Segunda Guerra Mundial, tiveram
uma influência duradoura nas campanhas ter-
roristas posteriores.
No terceiro capítulo o autor passa a ana-
lisar como se constitui a internacionalização
do terrorismo. Ele aponta para dois fatores
fundamentais. Primeiro, a forte influência que
Organização de Libertação da Palestina (OLP)
exerceu neste aspecto, e, segundo, o evento ter-
rorista protagonizado pela mesma organização
que marcou a história do terrorismo interna-
cional e serviu como inspiração para outras
organizações terroristas, o ataque aos atletas
israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique
em 1972.
Segundo Hoffman, quando pensamos
sobre terrorismo, não apenas motivos políti-
cos baseiam as causas dos terroristas, mas sim,
também, o imperativo religioso, que se tornou
a característica definidora mais importante de
tais grupos. Esta temática é trabalhada no ca-
pítulo quatro e a discussão leva ao capítulo se-
guinte que fala sobre terrorismo suicida onde
esse gênero de ataque terrorista tem se tornado
cada vez mais frequente e escolhido devido a
suas vantagens táticas, sua alta eficiência em
atingir os objetivos, seus baixos custos e maior
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facilidade de operacionalizar. O uso dessa téc-
nica, ao contrário do que muitos possam pen-
sar, não é algo decidido de forma irracional ou
desesperada pelos terroristas, é, na verdade,
uma escolha inteiramente racional e calculada.
Essa é uma característica que todos os
grupos terroristas, motivados por diversas ra-
zões, têm em comum: seus atos nunca são alea-
tórios ou sem sentido. Além disso, todos eles
desejam buscar, com suas ações, o máximo de
publicidade e intimidação possível para assim
conseguir atingir seus objetivos. Desta forma,
Hoffman aponta nos capítulos seis e sete como
os terroristas fizeram e fazem uso da mídia e
opiniões públicas, moldando assim, a opinião
global sobre esta questão.
“Claramente, o terrorismo e a mídia ainda
permanecem unidos em uma relação inerente-
mente simbiótica, cada um se alimentando e
explorando o outro para seus próprios propó-
sitos” (HOFFMAN, 2017, p. 233, tradução
nossa). Muitos criticam a mídia por cobrirem
de forma, às vezes, tão intensa tais eventos e
temem que tal exposição possa atrair mais pes-
soas simpatizantes a essas causas, estimulan-
do-as e, consequentemente, fazendo com que
determinadas organizações terroristas cresçam.
Hoffman mostra, porém, que nos anos 1980 o
impacto que tais notícias causaram no público
em geral e na opinião pública é o de repulsa a
tais atos, mas, por outro lado, eles demonstra-
vam um profundo fascínio por esses eventos.
O século XXI conta com uma maior so-
fisticação dos meios de comunicação dos gru-
pos terroristas e isso vem, principalmente, do
grande avanço tecnológico visto nos últimos
anos. Hoffman aponta, em seu oitavo capítulo,
para o fato de como grupos terroristas como
ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) e Hezbol-
lah têm usado esse avanço em seus meios de
comunicação para criar propagandas que disse-
minam seus ideias e razões de lutas para, assim,
atrair possivelmente novos membros e simpati-
zantes das causas.
Outro assunto relevante ao se pensar ter-
rorismo é a questão sobre seus mind-sets. Como
já mencionado anteriormente, os atos terroris-
tas são geralmente premeditados e planejados
de forma cuidadosa, sendo assim, as táticas es-
colhidas pelos grupos, os alvos, armas, dinâmi-
ca organizacional internas e as personalidades
de seus membros-chaves são sempre moldadas
pela ideologia do grupo. Independente da téc-
nica utilizada ou das suas motivações, todos os
grupos terroristas possuem uma característica
em comum – eles vivem no futuro, ou seja,
naquele momento distante no qual triunfarão
sobre seus inimigos e alcançarão a realização
dos seus objetivos políticos. Para isso, é funda-
mental que tais grupos tentem se manter um
passo à frente das autoridades e das tecnologias
de contraterrorismo.
Por fim, em seus dois últimos capítulos,
Hoffman levanta algumas preocupações em
relação ao terrorismo moderno. Uma delas é
o uso que Estados fazem do terrorismo como
uma arma e instrumento de política externa.
Ele expressa que a partir dos anos 1980, alguns
governos adotaram o terrorismo como um ins-
trumento deliberado de política externa.
Outra preocupação apontada pelo autor é
a atração, cada vez maior, que os grupos terro-
ristas têm mostrado pelas QBRN (armas quí-
micas, biológicas, radiológicas e nucleares). Há
grupos que tentam desenvolver capacidades que
abrangem todas as quatro categorias de armas e
há, ainda, aqueles que são atraídos por algumas
dessas armas em específico devido sua potencial
letalidade. Ele aponta que os terroristas mos-
travam uma tendência em ser mais hesitantes
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quanto a tirar proveito de novas situações, em-
bora vários grupos terroristas tenham suposta-
mente cogitado a ideia de usar armas letais in-
discriminadamente, ninguém ultrapassou este
limiar crítico. Porém, nos últimos anos, tem-se
observado uma maior facilidade de acesso às
informações e a materiais necessários para fa-
bricar e empregar armas QBRN e isso pode-
ria favorecer uma nova era de terrorismo ainda
mais sangrenta e destrutiva.
O objetivo principal de Hoffman ao escre-
ver esta obra era o de preencher um vazio den-
tro da literatura sobre terrorismo. Neste livro,
ele busca abordar todos os aspectos dentro desta
temática. Ele vai desde o início, definindo ter-
rorismo, até como este se apresenta no mundo
atualmente. O autor aponta, então, para o fato
de que o combate ao terrorismo é como tirar
uma série de fotos dentro de um lapso de tempo,
onde a imagem que se tira hoje não é a mesma de
ontem e não será a mesma amanhã. O terrorismo
está em constante mudança e evolução e cabe aos
Estados tentar estar sempre um passo à frente.
REFERÊNCIA
HOFFMAN, Bruce. Inside Terrorism. New York: Colum-
bia University Press. ird Edition. 2017. ISBN 978-0-231-
54489-4.