As diplomatas bissau-guineenses por elas mesmas: obstáculos ao ingresso e à permanência na carreira diplomática

Bissau-Guinean female diplomats by themselves: obstacles to admission and permanence in the diplomatic career

  • Naentrem Sanca Universidade Federal da Bahia
  • Enzo Lenine Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Palavras-chave: mulheres na diplomacia, diplomacia africana, mulheres africanas

Resumo

Quais os obstáculos vivenciados pelas mulheres bissau-guineenses para o ingresso e a permanência na carreira diplomática na República de Guiné-Bissau? A presença feminina nos quadros diplomáticos de diversos países do mundo ainda se encontra aquém da paridade, havendo predominância de homens ocupando cargos de embaixadores, cônsules e secretários. Neste artigo, analisamos os obstáculos enfrentados pelas mulheres de Guiné-Bissau em dois momentos: antes e depois do ingresso na carreira. Realizamos entrevistas com diplomatas bissau-guineenses, visando a evidenciar os referidos obstáculos, salientando os desafios vivenciados não só por suas trajetórias pessoais, mas também pelas mulheres de Guiné-Bissau no que tange ao acesso a este espaço político-burocrático.

Biografia do Autor

Naentrem Sanca, Universidade Federal da Bahia

Metsranda em Relações Internacionais no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal da Bahia. Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab/Malês). E-mail: naentremsanca@gmail.com

Referências

ABDENUR, A. E. Gender and Mediation in Guina-Bissau: The Group of Women Facilitators. Police brief: Igarapé Institute. 2018. Disponível em: https://igarape.org.br/wp-content/uploads/2018/04/Policy-Brief-Gender-and-Mediation-in-Guinea-Bissau-The-Group-of-Women-Facilitators.pdf. Acesso em: 17 mar. 2020.

AGGESTAM, K.; TOWNS, A. Introduction: The Study of Gender, Diplomacy and Negotiation. In: AGGESTAM, K.; TOWNS, A. Gendering Diplomacy and International Negotiation. Cham: Palgrave Macmillan, 2018. Cap. 1, p. 65-85.

AGGESTAM, K.; TOWNS, A. The gender turn in diplomacy: a new research agenda. International Feminist Journal of Politics, v. 21, n. 1, p. 9-28, 2019.

AMADIUME, I. Re-Inventing Africa: Matriarchy, Religion and Culture. Londres: Zed Books, 1997.

BALBINO, V. R. Diplomata. Substantivo Comum de Dois Gêneros. Brasília: Funag, 2011.

BALLESTRIN, L. M. de A. Feminismos subalternos. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 25, n. 3, p. 1035-1054, 2017.

CASSIDY, J. A. Gender and Diplomacy. Londres: Routledge, 2017.

COSTA, P. M. Descrição fonológica do crioulo Guineense. 2014. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Centro de Artes e Comunicação, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2014.

DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

FIGUEIREDO, A.; GOMES, P G. Para além dos feminismos: uma experiência comparada entre Guiné-Bissau e Brasil. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 24, n. 3, p. 909-927, 2016.

FRASER, N. Mapeando a imaginação feminista: da redistribuição ao reconhecimento e à representação. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 15, n. 2, p. 291-308, 2007.

FRIAÇA, G. J. R. Mulheres Diplomatas no Itamaraty (1918-2011). Brasília: Funag, 2012.

FRITSCHE, C. Opportunities and Challenges for Women in Diplomacy. 2002. Disponível em https://lisd.princeton.edu/sites/lisd2017/files/Fritsche_Lecture.pdf. Acesso em: 7 nov. 2019.

GARCIA, C. C. Breve História do Feminismo. São Paulo: Claridade, 2011.

GOMES, P. A G. “As outras vozes”: Percursos femininos, cultura política e processos emancipatórios na Guiné-Bissau. Odeere: Revista do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade, v. 1, n. 1, p. 121-145, 2016.

HAWKESWORTH, M.; DISCH, L. Introduction. Feminist Theory: Transforming the Known World. In: HAWKESWORTH, M.; DISCH, L. The Oxford Handbook of Feminist Theory. Oxford: Oxford University Press, 2018. Introduction, p.1-15.

HILL COLLINS, P. Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo, 2019.

HOOKS, B. Olhares Negros: Raça e Representação. São Paulo: Elefante, 2019.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA DE GUINÉ-BISSAU (INEGB). Boletim Estatístico da Guiné-Bissau: Guiné-Bissau em Números 2017. 2017. Disponível em: http://www.stat-guinebissau.com/publicacao/guinebissau-em-numero2017.pdf. Acesso em: 17 mar. 2020.

MARTINS, L. V.; LANDIM, R.; SILVA, A. M. da; IMBASSA, L. Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau 2010-2012. Bissau: Liga Guineense dos Direitos Humanos, 2013.

MENDOZA, B. Coloniality of Gender and Power: From Postcoloniality to Decoloniality. In: DISCH, L.; HAWKESWORTH, M. The Oxford Handbook of Feminist Theory. Oxford: Oxford University Press, 2018. Cap. 5, p.100-121.

MONTE, I. X. O debate e os debates: abordagens feministas para as relações internacionais. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 59-80, 2013.

NEVES, J. Ideologia, Ciência e Povo em Amílcar Cabral. História, Ciências, Saúde: Manguinhos, Rio de Janeiro, vol. 24, n. 2, p. 333-347, 2017.

NIKLASSON, B.; ROBERTSON, F. The Swedish MFA: Ready to Live Up to Expectations? In: AGGESTAM, K.; TOWNS, A. Gendering Diplomacy and International Negotiation. Cham: Palgrave Macmillan, 2018. Cap. 4, p. 1-22.

OKOME, M. O. What Women, Whose Development? A Critical Analysis Of Reformist Evangelism on African Women. In: OYEWÙMI, O. African Women & Feminism. Trenton: Africa World Press, 2003. Cap. 4, p. 67-98.

OYEWÙMI, O. Introduction: Feminism, Sisterhood, and Other Foreign Relations. In: OYEWÙMI, O. African Women & Feminism. Trenton: Africa World Press, 2003. Cap. 1, p. 1-24.

PHILLIPS, A. O que há de errado com a democracia liberal? Revista Brasileira de Ciência Política, n. 6, p. 339- 363, 2011.

SILVA, A. M. da; CORREIA, C.; MARTINS, L. V.; TURÉ, B.; CABRAL, Y. Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau 2013-2015. Bissau: Liga Guineense dos Direitos Humanos, 2016.

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.

TAIWO, O. Feminism and Africa: Reflections on the Poverty of Theory. In: OYEWÙMI, O. African Women & Feminism. Trenton: Africa World Press, 2003. Cap. 3, p. 45-65.

TICKNER, J. A. Feminist Perspectives on International Relations. In: CARLSNAES, W.; RISSE, T.; SIMMONS, B. A. Handbook of International Relations. Londres: SAGE Publications Ltd, 2006. Cap. 14, p. 275-291.

YOUNG, I. M. Inclusion and Democracy. Oxford: Oxford University Press, 2000.

ZALEWSKI, Marysia. Where is Woman in International Relations? “To Return as a Woman and Be Heard”. Millennium: Journal of International Studies, Londres, v. 27, n. 4, p. 847-867,1998.

ZERILLI, L. Feminist Theory and the Canon of Political Thought. In: DRYZEK, J. S.; HONIG, B.; PHILLIPS, A. The Oxford Handbook of Political Theory. Oxford: Oxford University Press, 2006. Cap. 5, p.106-124.

Publicado
31-08-2020
Como Citar
Sanca, N., & Lenine, E. (2020). As diplomatas bissau-guineenses por elas mesmas: obstáculos ao ingresso e à permanência na carreira diplomática. Conjuntura Internacional, 17(2), 48-60. https://doi.org/10.5752/P.1809-6182.2020v17n2p48-60