Revista Economia & Gestão, v. 7, n. 14 (2007)

Por que as empresas brasileiras não são globalmente competitivas?

Miguel P. Caldas, Thomaz Wood Junior

Resumo


Este ensaio trata da questão da competitividade e da
internacionalização de empresas brasileiras. As mudanças
econômicas e comerciais ocorridas em todo o mundo desde a
década de 1980 foram acompanhadas pela emergência de novas empresas transnacionais, várias delas com origem em países em desenvolvimento. O Brasil, entretanto, parece não ter ainda gerado transnacionais em número, com porte e com presença global compatíveis com a dimensão e a diversidade de sua economia. O objetivo deste trabalho é apresentar a situação atual e discutir os fatores relacionados à baixa competitividade internacional das empresas brasileiras. Tomamos com base três modelos de referência, que, considerados em conjunto, permitem tratar os diversos níveis que determinam a competitividade das empresas. Concluímos que as empresas brasileiras podem ser
internacionalmente competitivas se souberam fazer uso de
vantagens de localização e estabelecer estratégias para fazer frente a fatores institucionais desfavoráveis. Além disso, é preciso que desenvolvam modelos mais robustos de negócios e de gestão e que iniciem um ciclo de aprendizado em ambientes mais abertos e competitivos.