VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: PRINCIPAIS FORMAS E AÇÕES DO ENFERMEIRO PARA SUA REDUÇÃO E CONTROLE- UMA REVISÃO INTEGRATIVA

  • Natália Soares Melo Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
  • Andrea Cristina dos Santos Castro Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte
Palavras-chave: Violência contra a mulher. Saúde materna. Parto.

Resumo

Este estudo, realizado a partir de uma revisão integrativa, busca discorrer sobre as formas de violência obstétrica e quais as medidas podem ser adotadas pelo enfermeiro obstetra e sua equipe para a redução de sua ocorrência. Obteve como resultado que as principais formas de violência são a realização de alguns procedimentos técnicos como a manobra de Kristeller, episiotomia sem consentimento, toques vaginais e uso indiscriminado de ocitocina que muitas vezes ocorre sem o consentimento ou conhecimento da mulher. Neste contexto, o profissional de enfermagem é peça fundamental, pois permanece por mais tempo do lado da parturiente disponibilizando considerável número de técnicas de cuidado tornando-se capaz de efetivar mudanças que vão de encontro a um parto humanizado e auxiliar para que sejam garantidos os direitos das parturientes.

ABSTRACT

This study, based on an integrative review, seeks to describe the forms of obstetric violence and which measures can be adopted by the nurse obstetrician and his team to reduce their occurrence. As a result, the main forms of violence are the performance of some technical procedures such as Kristeller's maneuver, episiotomy without consent, vaginal touches and indiscriminate use of oxytocin that often occurs without the woman's consent or knowledge. In this context, the nursing professional is a fundamental piece, since it remains for a longer time on the part of the parturient making available a considerable number of care techniques becoming able to effect changes that go against a humanized and auxiliary childbirth so that the rights are guaranteed of parturients.

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Publicado
30-08-2019
Seção
ARTIGOS/ARTICLES