A internacionalização do movimento zapatista: a presença da solidariedade de classe transnacional em Chiapas

Davi Matias Marra Demuner

Resumo


Este artigo tem o objetivo de analisar a experiência zapatista em sua coordenação de forças sociais que transcendem a dimensão local/nacional, alcançando a solidariedade transnacional acerca de sua resistência frente ao Estado mexicano e na construção de um projeto político alternativo em Chiapas. Por meio do framework de classes e a Análise de Discurso Crítica, recorremos a momentos relevantes do curso histórico do movimento para entender a partir de quais elementos discursivos ocorre a prática social zapatista revolucionária em convergência com o auxílio material e ideológico da sociedade civil internacional. Entendemos que apesar da influência externa gerada pela sua práxis em Chiapas, o zapatismo  não se desterritorializa em meio as dimensões geopolíticas da guerra de posição na globalização – entendida pelos zapatistas como uma “quarta guerra mundial” – e atua em associação com ONG/ONGIs sem deixar a crítica acerca do processo de transformismo que essas organizações podem acarretar sobre os movimentos sociais.

Palavras-chave


Zapatismo; Solidariedade de classe; Globalização; Ação coletiva transnacional

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DOI: https://doi.org/10.5752/P.2317-773X.2017v5n3p73-89

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