As irmandades de negros: resistência e repressão (The black brotherhoods: resistance and repression) DOI 10.5752/P.2175-5841.2011v9n21p202

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Ana Lúcia Eduardo Farah Valente

Resumo

 

A Igreja Católica legitimou prática e teoricamente o sistema colonial brasileiro e teve um caráter predominantemente leigo, por força da instituição do padroado. Pouco foi escrito sobre as irmandades de negros. As análises têm se restringido a observar que desempenharam um importante papel na manutenção das crenças religiosas africanas. Com a República, o processo de romanização empreendido pela Igreja teve por objetivo a desvalorização do catolicismo laico, com o desmantelamento das antigas irmandades e sua substituição por novas organizações leigas. Impõe-se caracterizar o papel desempenhado pela resistência, sem o quê seria difícil entender a existência atual da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Paulo, fundada em 1711, na região central da cidade. Sua história se confunde com a história das irmandades de negros em geral, mas oferece exemplo de como continuou a ser repositório da tradição popular, calcada em prática religiosa católica 'branca' e prática religiosa 'negra', pensada a partir do patamar da escravidão.

Palavras-chave: religião; poder; laicidade.

 

Abstract

The Catholic Church legitimized practical and theoretically the Brazilian colonial system and had a predominantly lay character by virtue of the institution of patronage. Little has been written about the brotherhoods among black people. The analysis have been restricted to noting that they have played an important role in maintaining the religious African beliefs. With the Republic, the romanization process undertaken by the Church  has aimed the devaluation of the laic Catholicism, with the dismantling of old brotherhoods and their replacement by new lay organizations. It is necessary to characterize the role played by resistance, without which it would be difficult to understand the actual existence of the Irmandade Nossa Senhora dos Homens Pretos de São Paulo, founded in 1711, in the central region of the city. Its history is mixed with the history of black people brotherhoods in general, but provides an example of how it continued to be the repository of folk tradition, grounded in the 'white' catholic religious practice and the 'black' religious practice, seen from the porch of slavery.

Keywords: religion; power; secularism.

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Como Citar
VALENTE, A. L. E. F. As irmandades de negros: resistência e repressão (The black brotherhoods: resistance and repression) DOI 10.5752/P.2175-5841.2011v9n21p202. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 8, n. 21, p. 202-219, 10 mar. 2011.
Seção
Artigos/Articles: Dossiê/Dossier
Biografia do Autor

Ana Lúcia Eduardo Farah Valente, UnB

Graduação em Ciências Sociais (1981); mestrado (1984) e doutorado (1989) em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP); e pós-doutorado em Antropologia pela Université Catholique de Louvain/Bélgica (1996). Atualmente é Professora Associada II (2008), pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e gestora do acordo com o Institut National de Recherche Agronomique - INRA, França. Com produção acadêmica multidisciplinar, integra a àrea de Ciências Sociais Aplicadas e Agronegócios e ministra as disciplinas Extensão Rural e Pesquisa Participante em nivel de graduação, na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária. No Programa de Pós Graduação em Agronegócios, é responsável pelas disciplinas Territorialidade no Agronegócio e Sociologia do Desenvolvimento. Coordena o diretório de pesquisa Diversidade, Cultura e Educação, no qual desenvolve e orienta pesquisas na linha Agricultura familiar, Educação e Relações Interétnicas. Secretária Regional DF da SBPC(2009-2011); vice-coordenadora do Núcleo de Estudos Agrários (NEAGRI) ; participante do Instituto de Estudos Agrários e Combate à Pobreza (INAGRO); sócia efetiva da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER). Atua nos seguintes temas: antropologia, educação, diversidade cultural e agricultura familiar.