Encantarias afroindígenas na Amazônia Marajoara: Narrativas, Praticas de Cura e (In)tolerâncias Religiosas (Afroindigena Encantarias in the Marajoara Amazonia: Narratives, Cure Practices and Religious (in)tolerance) - DOI:10.5752/P.2175-5841.2010v8n17p88

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Agenor Sarraf Pacheco

Resumo

A Amazônia Marajoara, no Pará, constituiu-se desde os tempos coloniais em importante zona de contatos sócio-culturais entre índios, colonizadores e africanos. Para além dos empréstimos, intercâmbios e sociabilidades ali estabelecidas, especialmente entre índios e negros, originando modos de vida afroindígenas, a região tornou-se palco de contínuos conflitos e (in)tolerâncias estabelecidos pelos poderes políticos e, especialmente, religiosos,  contra práticas, rituais, modos de acreditar e viver de grupos oriundos de matrizes orais. Sob a orientação teórica dos Estudos Culturais Britânicos, Latino-Americanos e do Pensamento Pós-Colonial, o artigo acompanha, por meio de narrativas históricas, movimentos de controle e transgressão, negação e (re)afirmação constituídos entre índios, negros, afroindígenas, elites políticas e religiosas em torno das encantarias amazônicas, destacando especialmente percepções e posturas dos padres Agostinianos Recoletos a partir de 1928, quando fundaram e assumiram a direção do projeto de evangelização do grande arquipélago em tempos de expansão e disseminação de formas e modos de romanização.         

Palavras-chave: Encantarias Afroindígenas; Práticas de Cura; (In)tolerâncias Religiosas; Amazônia Marajoara.

 

Abstract

The Marajoara Amazônia in Pará, consisted, since the colonial times, in contact zones of social-culture exchange between Indians, settlers and Africans. Way beyond the lends, interchanges and sociability there settled, specially between Indians and black people, giving birth to a way of living called afroindigenas, the region became a place of continuous conflicts and (in)tolerance established by the politic powers and, specially, religious, against  rituals, beliefs, and way of living of those groups which came from the oral heritage. Under the theoretical orientation of the British Cultural Studies, Latin Americans and the Pos-colonial though, this article brings, from the historical narratives, movements of control,  transgressions, negation and (re)affirmation putted between indians, negros, afroindigenas, political and religious elites, around the amazonic "encatarias", highlighting the perceptions and postures of the Augustinian recoletos priests, since 1928, the year of the foundation of the evangelization of the great archipelago in the times of expansion and dissemination of ways and forms of romanization.

Key words: Afroindigena, encantaria, Cure practices, Religious (in)tolerance, Marajoara Amazonia.

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Como Citar
PACHECO, A. S. Encantarias afroindígenas na Amazônia Marajoara: Narrativas, Praticas de Cura e (In)tolerâncias Religiosas (Afroindigena Encantarias in the Marajoara Amazonia: Narratives, Cure Practices and Religious (in)tolerance) - DOI:10.5752/P.2175-5841.2010v8n17p88. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 8, n. 17, p. 88-108, 30 jun. 2010.
Seção
Artigos/Articles: Dossiê/Dossier
Biografia do Autor

Agenor Sarraf Pacheco, UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

Licenciado Pleno e Bacharel em História (UFPA, 1999), Especialista em Métodos e Técnicas de Elaboração de Projetos Sociais (PUC-MG, 2002), Mestre e Doutor em História Social (PUC-SP, 2004, 2009). Atua especialmente nos temas: Memórias, Identidades, Saberes, Religiosidades letradas e de matrizes orais afroindígenas em circuitos da Amazônia Marajoara, bem como Imaginário, Representações, Cotidiano e Histórias Locais no contexto amazônico. As interfaces teórico-metodológicas das atuais pesquisas são estabelecidas com categorias de análise dos Estudos Culturais, Pensamento Pós-Colonial e História Cultural. Foi Secretário Municipal de Educação em Melgaço (2000-2002). Criou e Coordenou a Divisão de Projetos Educacionais (2003-2006), onde desenvolveu projetos de Educação Continuada de Professores, focalizando histórias de vida, práticas de leitura, produção textual e metodologias de ensino, bem como pesquisas sobre as histórias e saberes locais com a participação de professores ribeirinhos e urbanos. Nos últimos anos, tem participado e discutido políticas educacionais sobre História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Afroindígena. Professor Adjunto da Universidade Federal do Pará (UFPA), vinculado ao Instituto de Ciências da Arte (ICA) e a Faculdade de Artes e Museologia (FAM). Professor do Programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura da Universidade da Amazônia (UNAMA)