A MANIFESTAÇÃO DA UMBANDA NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE: da tradição à contemporaneidade.

Maia,$space}Anderson Marinho
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC Minas
março, 2011
 

Resumo

A presente dissertação teve como recorte metodológico demonstrar a manifestação da Umbanda na região metropolitana de Belo Horizonte (sobretudo regional Noroeste de Belo Horizonte e regional Ressaca e Sede de Contagem) e sua manifestação no espaço público (festas de Iemanjá e do Preto Velho) e privado (terreiros/tendas/centros) refletindo o sincretismo da Umbanda, bem como, sua rica capacidade plástica em adaptar-se e ao mesmo tempo manter-se como identidade mágico-religiosa. Através da pesquisa de campo e do uso da História Oral, pesquisou-se quatro templos: um terreiro de Umbanda com características ideológicas do Candomblé; uma Tenda de Umbanda que acredita ter características ideológicas „bem umbandistas‟; um centro de Umbanda com características ideológicas do kardecismo e, por último, uma Tenda com características ideológicas do esoterismo. A partir dessa pesquisa é possível ressaltar que a Umbanda possui a capacidade de assimilar, decodificar e incorporar símbolos de outras religiões e de outros segmentos espiritualistas e, também, de alguma forma ela é capaz de manter-se com identificações próprias. Os dados pesquisados fomentam a reflexão dessa característica – desde sua origem até a atualidade/contemporaneidade. Por conseguinte, pode-se afirmar que a Umbanda, dentro desse hibridismo, possui e mantém sua capacidade tradicional: a assimilação e a re-adaptação constante de outras crenças. Essa dissertação, portanto, analisa a cultura, os costumes e a identidade da Umbanda em suas semelhanças/diferenças e permanências/rupturas dentro de uma análise histórica e interdisciplinar. Deste modo, como estruturação teórica para o desenvolvimento deste trabalho buscou-se o olhar histórico sob a perspectiva sociológica e antropológica. Ao se entrelaçar o passado e o presente do culto de Umbanda, usaram-se como marco teórico as visões gerais dos clássicos do culto afro-brasileiro (Arthur Ramos e Roger Bastide), bem como as análises de estudiosos mais recentes sobre a Umbanda. No geral, esse trabalho, contextualizou as características micro e macro da Umbanda, contextualização esta capaz de refletir, sob a perspectiva da crença, a própria cultura e identidade brasileiras.