ÉTICA CRISTÃ E DIÁLOGO: a criteriologia inter-religiosa de Hans Küng no projeto da ética mundial e suas incidências na vida cristã

Freitas,$space}Áureo Nogueira de
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC Minas
agosto, 2010
 

Resumo

Esta dissertação apresenta a proposta do “projeto de ética mundial” de Hans Küng,
a partir das religiões, em vista do diálogo e da paz mundial; Sua reflexão teológica
traz uma significativa contribuição para a teologia das religiões. Percebe-se seu
empenho na perspectiva ecumênica e no diálogo inter-religioso. É uma reflexão para
o “tempo de hoje”, que contempla os desafios de hoje, no esforço de “dar as razões”
da esperança da humanidade. Para o problema da verdade na religião o autor
propõe a construção de uma “estratégia ecumênica” que seja ao mesmo tempo
“crítica, autocrítica e fiel às origens”. E para torná-la uma resposta concreta no
enfrentamento da problemática da verdade entre as religiões ele acresce à
“estratégia ecumênica” uma “criteriologia” básica que chama de “inter-religiosa”. A
pesquisa aborda a contribuição específica do cristianismo nesse empreendimento.
Trata também dos desafios no horizonte dessa perspectiva, bem como suas
incidências na vida cristã (espiritualidade, catequese e missão) a partir da
“criteriologia inter-religiosa” proposta pelo autor. Para tanto, adotou-se a metodologia
bibliográfica para coleta de dados em materiais publicados em livros, artigos
científicos e redes eletrônicas. Nos resultados alcançados, foi possível constatar
que, não obstante os desafios próprios do Cristianismo em relação ao diálogo com
as outras religiões, condição para que o “projeto de ética mundial” aconteça, a
“criteriologia inter-religiosa” de Hans Küng possibilita, não só a superação dos
desafios, bem como sua significativa contribuição para o projeto: a pessoa de Jesus
Cristo e a sua mensagem. Através da pesquisa se pode constatar, também, a
concretude do “projeto” na vida do cristão, na sua comunidade e atuação no mundo
com uma rica perspectiva da espiritualidade, da catequese e missão em chave de
compromisso com o projeto que requer: diálogo, tolerância, respeito ao diferente e
identidade própria. É uma reflexão crítica e autocrítica e, ao mesmo tempo,
conformada às exigências do “paradigma ecumênico”: a convivência pacífica e a
promoção do humano, como condições para a sobrevivência humana e planetária.