LINGUAGEM ÉTICO-RELIGIOSA E DISCURSO ONTO-TEOLÓGICO EM EMMANUEL LÉVINAS

Tomé,$space}Márcia Eliane Fernandes
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC Minas
março, 2010
 

Resumo

Esta dissertação intenciona mostrar como a linguagem ético-religiosa ou relação
social no pensamento de Emmanuel Lévinas é capaz de se opor ao discurso ontoteológico
sobre Deus. Tentaremos, primeiramente, evidenciar os pressupostos
através dos quais Lévinas concebe a ética como filosofia primeira – afecção do outro
– que se subtrai da alienação ontológica graças ao existir no aquém do ser.
Posteriormente analisaremos em que sentido a fenomenologia levinasiana pode ser
considerada metafenomenologia. Nela nem o infinito será de novo assimilado pela
consciência transcendental, nem o finito reduzido ao anonimato do ser. Em Lévinas,
a consciência de, a intencionalidade é hospitalidade e acolhimento do Rosto. Por
fim, a investigação deverá mostrar que o Dizer do rosto, como linguagem que não
cede à cumplicidade do conceito, que é justiça, que é palavra profética que
responde ao apelo do outro e que é testemunho, é a única capaz de interpelar o eu,
esvaziá-lo da violência que ele pode cometer ao outro. Com o esvaziamento da
subjetividade devido a afecção, obsessão, refém,substituição e expiação pelo outro,
a ética se torna uma sabedoria da paz. É nessa narrativa que Deus passa e passa
como o sentido que possibilita a relação ou linguagem ético-religiosa.