À SOMBRA DA IGREJA: As edificações religiosas e o espaço urbano nas Minas Setecentistas

Rocha,$space}Ronaldo Henrique Giovannini
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC Minas
novembro, 2010
 

Resumo

A presente dissertação mergulhou no universo setecentista das Minas Gerais no
ambiente religioso colonial discutindo como a Igreja interferiu no processo de
construção urbana naquele período. Através de registros em documentos, pesquisas
acadêmicas e da vasta bibliografia sobre a vida da colônia, comprovou-se o estreito
relacionamento entre a Igreja e o Estado. Verificando a dimensão do político na
esfera religiosa ficou constatada a influência católica no processo de formação,
crescimento e consolidação das primeiras aglomerações urbanas do sertão mineiro
colonial. O cotidiano das primeiras vilas foi exemplificado na primitiva Ribeirão do
Carmo do início do século XVIII. Desde a primeira cruz chantada às margens do
córrego que lhe deu nome, à primeira ermida de pau-a-pique construída à sombra
do crescimento do arraial, constata-se que não se edificaria nenhuma obra urbana
sem a interferência da instituição católica. A formação da vida urbana, desde sua
juventude até seu amadurecimento, somente se consolidaria a partir da presença da
representação religiosa. Festas, comemorações, negócios, eleições, o cotidiano
urbano em geral vive à sombra da vida espiritual. Cruzeiros, capelas e igrejas
complementam o cenário urbano consolidando o papel da autoridade eclesiástica na
estrutura de poder do Brasil colonial.