ALTERIDADE E SENTIDO ÉTICO DA RELIGIÃO NA FILOSOFIA DE EMMANUEL LÉVINAS

Estevam,$space}José Geraldo
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC Minas
abril, 2010
 

Resumo

A filosofia de Emmanuel Lévinas (1906-1995) filósofo de origem judaica, nascido em Kaunas na Lituânia e naturalizado francês destaca-se pela primazia da ética em relação à ontologia que desde a origem da filosofia na Grécia Antiga, reinou absoluta sobre todas as outras formas de saber. Ao propor esta inversão sua proposta além de reconhecer o outro em sua alteridade, possibilita ao eu romper com a prisão de si mesmo. Nesse sentido, Lévinas sinaliza para um outro modo de ser em que o eu assumi sua responsabilidade para com o outro de forma desinteressada, numa abertura para o infinito na sua separação e exterioridade que desvela a transcendência da ética. Na linguagem levinasiana a ética deve ser entendida a partir do serviço profético no qual a justiça e a igualdade social são estabelecidas na relação em que o eu é sempre o primeiro a responder pelo outro e por toda a humanidade. Nessa ótica a ética passa a ser entendida como religião e o rosto do outro como aquele que manifesta o vestígio de Deus que vem à ideia sem que esta consiga tematizá-lo ou conhecê-lo. O sentido ético da religião, portanto, origina-se na socialidade cuja transcendência e glória do infinito estão no outro que liberta o eu de seu egoísmo e a filosofia de seu dito ontológico.