A dialética da fé como escolha pessoal: uma leitura da obra “Temor e Tremor” de Sören Kierkegaard.

Pinho,$space}Marieta Moura de
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC Minas
abril, 2010
 

Resumo

O homem kierkegaardiano é um indivíduo angustiado pelas questões relativas ao sentido da existência e à escolha pessoal na busca de autotranscendência. A existência concreta de cada indivíduo é marcada por estágios ou movimentos existenciais: estético, ético e religioso. Somente no estágio religioso o indivíduo obterá resposta para a busca de uma inteireza capaz de responder à angústia da existência. Considerando a posição de Kierkegaard em relação ao sistema religioso de sua época, constatamos que ele procura uma verdade pessoal, um ajustamento crítico e existencial do homem ao seu mundo, o que não se pode conseguir por meio de teorias que terminam em construções sistemáticas, mas, sim, através da vivência individual reflexivamente orientada. O “salto da fé” e a escolha existencial para a transcendência representam o esforço para compreender o que Kierkegaard nos diz a respeito do paradoxo em que a fé é vivida por força do absurdo. A importância fundamental do pensamento kierkegaardiano é enfatizada no que se refere à constituição e construção da subjetividade humana, ressaltando a existência individual e concreta, assim como a liberdade da escolha frente às situações vividas pelo individuo e o quanto isso suscita o sentimento de angústia no cotidiano. Para Kierkegaard, existir é engajar-se satisfatoriamente nas categorias da existência e vencer os obstáculos da vida, entre eles a angústia.