Contradições e ambiguidades do espaço religioso - megaigreja, urbanização e massa

Amorim,$space}Sérgio Gonçalves de (amorimsjc@hotmail.com)
Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião, Pontifícia universidade Católica de São Paulo PUC-SP
outubro, 2011
 
Doutor em Ciências da Religião pela PUC-SP
 

Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo demonstrar as contradições e ambiguidades relativas à formação do espaço religioso que se dá no contexto das cidades. Tal esforço científico se justifica em função da compreensão dos papéis que as práticas religiosas possuem relativamente ao estabelecimento da cidadania, não apenas no nível da religião, mas tendo como referência toda a cidade. Ao abordar a religião sob a ótica do espaço, esta pesquisa considerou o processo histórico de constituição das cidades e das religiões, localizando no interior do espaço da cidade seus espaços religiosos. Buscou-se demonstrar que as religiões têm contribuído para uma afirmação histórica e estrutural da cidade como espaço de controle e domínio sobre uma massa, fundamentando assim o exercício de um poder político, econômico e também religioso. Como parte de uma demonstração empírica, considerou-se o processo histórico de urbanização do município de São José dos Campos, e nesta cidade uma de suas igrejas, a Primeira Igreja Batista em São José dos Campos (PIBSJC). Avaliou-se, ao longo de sua história no município, como esta organização religiosa tornou-se uma megaigreja. Apontou-se para as contradições e ambiguidades presentes nesse processo, que tem conduzido à massificação e alienação dos fiéis dessa igreja e dos citadinos dessa cidade. Esses tipos de organizações religiosas têm se estruturado, no Brasil e no mundo, a partir da adoção de modelos de gestão profissional e de estratégias de propaganda e marketing religioso, além de uma planificação específica em termos arquitetônicos e urbanísticos visando a certa centralidade no tecido urbano. Tais fenômenos acabariam por se constituir em um tipo de religião e de religiosidade que corresponderiam, no plano da fé, aos intensos processos de urbanização que têm caracterizado as cidades contemporâneas. O espaço religioso é um ‘pedaço’ da cidade e é caracterizado pelos mesmos processos que têm transformado o espaço citadino em mercadoria, fragmentando-o e alimentando a processos de segregação socioespaciais e de crise dos espaços públicos, que a experiência religiosa reafirmaria, sendo, na atualidade, impotente na proposição de alternativas ao controle e domínio que se dá através da cidade.