Crença teísta: reflexividade e aderência

Daniel De Luca-Noronha, José Carlos Sant'Anna

Resumo


O objetivo do artigo é apresentar uma concepção de crença teísta que permita a articulação de dois aspectos:  reflexividade e aderência. O primeiro aspecto consiste na ideia de que a crença teísta aparece como resultado de uma reflexão acerca de um determinado tipo de experiência. O segundo aspecto consiste no caráter evocativo e transformador a crença teísta. De acordo com algumas abordagens, entretanto, se a crença teísta tivesse um caráter reflexivo, ela não teria o tipo de aderência que lhe é própria. Esse argumento pressiona a concepção da crença teísta como crença básica, a saber, como uma atitude proposicional que constitui a experiência. No entanto, há ao menos uma circunstância relevante de formação de crença teísta, a experiência de vastidão, em que a experiência deve ser concebida como independente de crenças. Para essa circunstância, a crença teísta deve ser concebida como reflexiva. Nesse caso, cabe mostrar de que modo ela pode ser aderente. Tendo em vista o marco teórico integrativo da cognição ancorada, mostraremos que o caráter reflexivo da crença teísta não anula o seu caráter aderente.  

Palavras-chave


Crença teísta, Experiência perceptiva, Cognição ancorada

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DOI: https://doi.org/10.5752/P.1983-2478.2018v13n24p503-525

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