TONTURA NO IDOSO: UM OLHAR PARA MÚLTIPLAS CAUSAS (RELATO DE CASO)

  • Denise Utsch Gonçalves

Resumo

Um idoso com instabilidade postural foi seguido dos 85 aos 92 anos de idade. Diversas causas para alteração do equilíbrio corporal nessa faixa etária são discutidas neste relato de caso. Aos 85 anos, ele se queixava de vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) recorrente, associada à tontura ao se levantar com episódios de pré-síncope. Além disso, referia desequilíbrio contínuo de 6 meses de duração. As morbidades foram estenose aórtica, osteoporose e polifarmácia, incluindo pantoprazol, sinvastatina, metformina, solifenacina, oxibutinina e amiodarona, medicamentos que podem causar tontura como efeito colateral. As intervenções foram troca valvar aórtica, manobras de reabilitação vestibular, tratamento da osteoporose, abordagem nutricional e fisioterápica, além de desprescrição dos medicamentos pantoprazol, sinvastatina, oxibutinina e metiformina. Nos idosos, a causa mais frequente de vertigem é a VPPB, que pode estar associada à osteoporose, se é recorrente. No presente caso, as manobras de reabilitação vestibular só foram eficazes no controle da VPPB após o tratamento da osteoporose. A tontura com pré-síncope, devido à estenose aórtica, foi resolvida com intervenção cirúrgica, mas o desequilíbrio continuou. Dentre as causas não vestibulares de tontura em idosos, a polifarmácia é a mais frequente e, no presente caso, o desequilíbrio crônico só foi resolvido após a desprescrição. Doenças metabólicas como neuropatia diabética, doenças neurodegenerativas, como doença de Parkinson, doenças neurológicas e transtornos psiquiátricos como depressão e ansiedade são causas frequentes de tontura em idosos, mas não estavam presentes neste paciente. O diagnóstico dos fatores causais relacionados à vertigem/tontura/desequilíbrio foi realizado através de exame otoneurológico com avaliação de nistagmo, manobra de Dix-Hallpike, avaliação da pressão arterial na posição deitada e ortostática, além de análise cuidadosa da agenda de medicamentos. Os exames laboratoriais desempenharam papel pouco importante no diagnóstico. Concluindo, o tratamento dos distúrbios do equilíbrio neste idoso incluiu revisão da agenda de medicamentos, manobras de reabilitação vestibular, controle da hipotensão ortostática, tratamento da osteoporose e mudanças para um estilo de vida saudável. No presente caso, o equilíbrio corporal aos 92 anos era muito melhor do que aos 85 anos, devido a um manejo cardiológico, otoneurológico e geriátrico adequados.

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Publicado
30-11-2022
Seção
DOSSIÊ: ENVELHECER: COMPREENSÃO, BENEFÍCIOS, CUIDADOS E DESAFIOS