TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE: OS DESDOBRAMENTOS DO DIAGNÓSTICO NA VIDA ESCOLAR DA CRIANÇA

  • Danielle Prado Coutinho Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais em Arcos
  • Mayra Fernanda Silva de Souza Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais em Arcos
Palavras-chave: TDA/H, Contexto escolar, Desdobramentos

Resumo

O presente estudo visou conhecer os possíveis desdobramentos na vida escolar da criança, advindos do diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Assim, este trabalho, originário de revisão bibliográfica, descortinou a temática do TDA/H no contexto escolar, destacando a crescente disseminação do diagnóstico na atualidade e as decorrências que dele incidem. A Ritalina, medicamento mais utilizado no Brasil para o tratamento do TDA/H, apresentou um aumento de consumo substancial nos últimos anos, colocando o país em segundo lugar no ranking mundial de maior consumidor do medicamento. Já a escola, instituição que historicamente desempenha um papel disciplinador, aparece aqui como coadjuvante da crescente patologização e medicalização da infância, pois é nesse contexto que o diagnóstico é amplamente propagado. Não apenas a escola, mas outros mecanismos de poder também contribuem para a disseminação do diagnóstico, como o discurso médico e psicológico, que, muitas vezes, rotula e classifica o indivíduo quando este não corresponde às expectativas de ser “bom” aluno, quieto e obediente. Quando este indivíduo é, então, diagnosticado com TDA/H, ainda que incorretamente, diversos desdobramentos lhe recaem, tanto no aspecto orgânico, devido à utilização do medicamento, como no âmbito relacional e afetivo. Após o diagnóstico, o indivíduo também pode ser considerado essencialmente “TDA/H”, tendo sua subjetividade apagada através de rotulações e discriminações, tendo comprometimentos de ordem afetiva, social, emocional e relacional. Para tanto, faz-se importante um posicionamento crítico diante dessa realidade por todos os envolvidos nessa dinâmica.

Biografia do Autor

Danielle Prado Coutinho, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais em Arcos
Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2015). Pós-Graduanda em Gestão de Pessoas, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Mayra Fernanda Silva de Souza, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais em Arcos
Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Mestra em Educação pela Universidade Federal em São João Del Rey. Endereço para correspondência: Rua Olo Torres, 435 - Sion - Bambuí/MG.

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Publicado
12-09-2018