CORPOS NO PLURAL: RUMO A UM MANIFESTO ANARCOFEMINISTA

  • Maíra Marcondes Moreira PUC Minas
  • Clara Ratton
Palavras-chave: anarquismo, feminismo, imaginal, interseccionalidade, Marxismo, materialismo, Spinoza.

Resumo

Nos últimos anos, tornou-se lugar comum declarar que a dominação ocorre
por meio de eixos múltiplos, em que gênero, classe, raça e sexualidade se
interseccionam um com o outro. Ainda que haja muitos trabalhos empíricos
interessantes produzidos a partir da premissa da interseccionalidade,
raramente estes se encontram vinculados à tradição anarquista que os
precede. Neste artigo, gostaria de articular esse ponto, mostrando a utilidade,
mas também os limites da noção de interseccionalidade, para entender
os mecanismos de dominação e, depois, discutir a necessidade de um
programa de pesquisa anarcofeminista. Em segundo lugar, tentarei fornecer
a estrutura filosófica para tal empreendimento, argumentando que é na
ontologia spinozista do transindividual que podemos encontrar os recursos
conceituais para pensar sobre a natureza plural dos corpos das mulheres e,
portanto, sobre sua opressão. Isso permitirá que eu tente articular a questão
de “o que significa ser uma mulher” em termos pluralistas e, assim, também
defender uma forma especificamente feminista de anarquismo. Concluindo,
retomarei a tradição anarcofeminista para demonstrar por que ela é hoje
a melhor aliada possível do feminismo na busca de uma teoria crítica da
sociedade.

Biografia do Autor

Clara Ratton

Professora associada de Filosofia na The New School for Social Research, Nova Iorque, Estados Unidos.

Publicado
16-02-2021
Seção
Seção Aberta / Open Section / Sección Abierta