Depois do Holocausto: efeitos colaterais do Hospital Colônia em Barbacena

  • Fuad Kyrillos Neto UEMG
  • Christian Ingo Lenz Dunker IPUSP
Palavras-chave: institucionalização, psiquiatria, psicanálise

Resumo

Este trabalho objetiva abordar os resquícios das práticas manicomiais executadas num grande hospital psiquiátrico e sua repetição nos serviços de saúde mental de Barbacena. Nessa instituição hospitalar, pessoas internadas involuntariamente, sem diagnóstico de doença mental foram violentadas e mortas com a conivência do Estado. Procedeu-se a um breve percurso histórico e crítico sobre a criação desse hospital e entrevistas com profissionais que nele trabalham e que participam da implantação das políticas públicas de atenção a saúde mental no município. A psicanálise será utilizada nesta investigação, como forma de abordar a violência política e social em seus efeitos traumáticos e continuados até a atualidade. O conceito de compulsão à repetição auxiliará na compreensão da manifestação de práticas e discursos ligados à cultura manicomial. Tais práticas se automatizam nesses profissionais que sofrem os efeitos das passagens inconscientes da história relegadas ao esquecimento por jogos de conveniência não explicitados.

Biografia do Autor

Fuad Kyrillos Neto, UEMG
Doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), integrante do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da Universidade de São Paulo (LATESFIP/USP). Docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Christian Ingo Lenz Dunker, IPUSP
Psicanalista, professor livre docente do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP).
Publicado
01-12-2017
Seção
Artigos / Articles / Artículos