Os imigrantes e a Rua dos Caetés: possíveis permanências do processo imigratório dos povos árabes para Belo Horizonte

Bruno Anastácio Leandro Virgino

Resumo


A história de Belo Horizonte possui marcas que foram deixadas pelos imigrantes que aqui se estabeleceram no início do século XX, entre eles sírios, libaneses e judeus. Atualmente existe na cidade nomes que tiveram origem na época em que os imigrantes “orientais” chegaram aqui. A partir daí discorremos sobre algumas nomenclaturas que pudessem indicar alguma ligação entre as gerações de descendentes de árabes e judeus na Rua dos Caetés entre o início da Praça da Estação e Avenida Afonso Pena. Neste trajeto pesquisamos os números 325, 633, 530, 461, 265, pertencentes respectivamente à Casa Salles, MAK Hotel, Edifício Cartacho, Edifício Balbeck e Motel Shallon, dando enfoque na presença da língua estrangeira e na possível utilização do fato histórico, “a vinda dos ‘turcos’ para Belo Horizonte”, no ínício do século XX, por comerciantes, no sentido de ressignificação da Rua dos Caetés, a antiga Rua dos Turcos, valorizando as mudanças e permanências da consolidação da rua como comércio de imigrantes na cidade. A pesquisa não resultou no objetivo esperado que consistia em analisar nomes de lojas provenientes da herança cultural de árabes e judeus na região. Existem permanências, mas que só podem ser percebidas por pesquisas mais “burocráticas” da região, por exemplo pelo sobrenome dos donos dos edifícios. Talvez diferentemente de italianos, alemães, portugueses, entre outros imigrantes, que enaltecem suas origens por meio do comércio, os imigrantes árabes e judeus preferiram se adequar ao comércio local sem mencionar sua origem aos clientes. Se tal prática ocorreu em outrora, hoje predomina a ruptura desse fato.


Palavras-chave


Permanência Toponímia. Rua dos Caetés. Identidade, Rua dos Turcos

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Referências


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