Origens do realismo na teoria estética marxista do entreguerras

Palavras-chave: Realismo, Marxismo, Bakhtin, Lukács, Benjamin

Resumo

O objetivo deste artigo é apontar como percursos intelectuais distintos, na primeira metade do século XX, levaram importantes nomes da teoria estética a um método marxista comum, incorporado às discussões literárias no período entreguerras. Nesse sentido, busca-se demonstrar como o período formativo mais idealista do círculo de Bakhtin e dos formalistas russos, bem como o de György Lukács e de Walter Benjamin, não impediram que suas obras culminassem numa noção mais dialética e historicizada sobre o conceito estético de realismo. Assim, buscaremos enfatizar que a ideia de uma condensação não mecânica da realidade na forma artística é a baliza central de todos esses autores, e é o que, em última instância, mais unifica que aparta suas distintas teorias.

 

 

Biografia do Autor

Marcos Rogério Cordeiro, UFMG
Possui graduação em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1992), mestrado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996) e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001). Atualmente é professor adjunto III da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Letras e História, com ênfase em Literatura e Cultura brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: Crítica Literária, Literatura Brasileira, História do Brasil, Cultura Brasileira, Euclides da Cunha, Machado de Assis.
Alysson Quirino Siffert, UFMG
Mestrando do curso de Pós-graduação em Estudos Literários na Universidade Federal de Minas Gerais

Referências

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Publicado
22-12-2016
Como Citar
Cordeiro, M. R., & Siffert, A. Q. (2016). Origens do realismo na teoria estética marxista do entreguerras. Scripta, 20(39), 22-43. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2016v20n39p22
Seção
Dossiê: realismos e mediações