A percepção auditiva e visual das fricativas do Português Brasileiro diante da manipulação do sinal acústico

  • Audinéia Ferreira-Silva Universidade estadual do Sudoeste da Bahia-UESB
  • Vera Pacheco Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB
  • Luís Carlos Cagliari Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"-UNESP https://orcid.org/0000-0002-6676-0884
Palavras-chave: Percepção, Fricativas do Português Brasileiro, Estímulos auditivos e visuais.

Resumo

Neste artigo, nosso objetivo é avaliar o papel das informações auditiva e visual na percepção das fricativas do Português Brasileiro, quando apresentadas com ambiguidade/manipulação do sinal acústico.  Para tanto, montamos um corpus de palavras dissílabas, com estrutura silábica C1V1.C2V2, onde C1 é uma das fricativas, C2 é a oclusiva surda e V1 eV2 são uma das vogais/a/, /i/ ou /u/. Após a gravação do corpus, o sinal acústico das fricativas foi manipulado em termos de duração do ruído e frequência do espectro. Nossos resultados evidenciam que os índices de identificação das fricativas foram, de maneira geral, maiores quando elas apresentavam a informação audiovisual. Nossos achados atestam que, quando as fricativas têm seu sinal manipulado, em termos de duração e frequência, seu desempenho perceptual aumenta nos casos em que a informação visual é apresentada com a auditiva, ou seja, diante da manipulação do sinal, as fricativas apresentam médias de recuperação mais altas com a informação audiovisual do que com a informação, apenas, auditiva. Esses resultados corroboram os tradicionais estudos de Sumby e Pollack (1954) e McGurk e MacDonald (1976), que afirmam que, na percepção, os ouvintes integram visão e audição. Assim, e considerando os pressupostos do FLMP de Massaro (1987), nossos resultados evidenciam que, na percepção da fala, cada fonte de informação é mais influenciável, na medida em que a outra fonte é mais ambígua.

Biografia do Autor

Audinéia Ferreira-Silva, Universidade estadual do Sudoeste da Bahia-UESB
Doutora em Linguística e Língua Portuguesa.
Vera Pacheco, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB
Possui graduação em Lingüistica pela Universidade Estadual de Campinas (2001), graduação em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (2002), Bacharelado Em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (2002), mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (2003), doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (2006) e pósdoutorado pela Universidade Paulista "Júlio de Mesquista Filho"/Araraquara. Atualmente é professor titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística, atuando principalmente nos seguintes temas: análise acústica, percepção da fala e prosódia.
Luís Carlos Cagliari, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"-UNESP
Doutor em Linguística.

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Publicado
30-06-2017
Seção
Dossiê: Sistemas Perceptivos e Linguagens