A tradição épica na hora da “lusofonia horizontal”. Uma viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares face a outras vozes poéticas da língua portuguesa

  • Ewa A. Łukaszyk CY Advanced Studies
Palavras-chave: Lusofonia, Poesia épica, Literatura menor, Intertextualidade

Resumo

O artigo apresenta a evolução do conceito de lusofonia, desde a sua formação política nos finais do século passado até uma nova realidade observada por José Eduardo Agualusa. A primeira formulação implicou, segundo Alfredo Margarido, um retorno ao período dos Descobrimentos, que efetivamente se deu, ao nível simbólico, com a retomada irónica do modelo camoniano por Gonçalo M. Tavares. A suposta “horizontalidade” da nova lusofonia é discutida através do confronto de Uma viagem à Índia com outras ressonâncias épicas, presentes na poesia de Tony Tcheka, Conceição Lima, Filinto Elísio e Afonso Cruz. No rastro da teoria de literatura menor de Gilles Deleuze e Félix Guattari, fala-se da “desertificação” da tradição épica que perde a conotação gloriosa; em consequência deste processo, o horizonte fechado da literatura hegemónica abre-se para novas ligações.

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Publicado
18-12-2020
Como Citar
Łukaszyk, E. A. (2020). A tradição épica na hora da “lusofonia horizontal”. Uma viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares face a outras vozes poéticas da língua portuguesa. Scripta, 24(52), 119-138. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2020v24n52p119-138