A dimensão externa da variação linguística em um livro didático de português brasileiro como língua não materna

  • Claudia Andrea Rost Snichelotto Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Ana Paula Reis Universidade Federal da Fronteira Sul
Palavras-chave: Dimensão Externa., Variação Linguística., Livro Didático., Português como Língua Não Materna.

Resumo

O interesse pelo aprendizado da língua portuguesa vem crescendo entre os cidadãos estrangeiros, tanto por aqueles que migraram ou se refugiaram no Brasil como por aqueles que residem em outros países. É sabido que o português brasileiro apresenta ampla variação na fala e na escrita, mas essa diversidade linguística também necessita ser contemplada nos livros didáticos para aprendizes do português como língua não materna. Portanto, esta pesquisa, que se inscreve na interface entre a Sociolinguística e o ensino, apresenta a análise do tratamento da dimensão externa da variação linguística em um livro didático para o ensino de português como língua estrangeira, edição para o aluno. Os resultados da análise demonstraram o tratamento da dimensão externa da variação linguística no livro didático, porém, no material de apoio ao professor e em algumas atividades propostas, pode-se depreender e explorar outras particularidades extralinguísticas da variante brasileira da língua portuguesa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Claudia Andrea Rost Snichelotto, Universidade Federal da Fronteira Sul

Universidade Federal da Fronteira do Sul. Mestra e Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil; Professora Titular-Livre da Universidade Federal da Fronteira Sul, Brasil. Docente do curso de Letras Português e Espanhol – Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos.

Ana Paula Reis, Universidade Federal da Fronteira Sul

Universidade Federal da Fronteira do Sul. Licenciada em Letras Português e Espanhol.

Referências

ALENCAR, Maria S. M. de. Panorâmica dos estudos dialetais e geolinguísticos no Brasil. Revista de Letras, Ceará, v. 30, p. 26-34, jan./dez. 2010. Disponível em: <https://bityli.com/3bCem>. Acesso em: 20 out. 2020.

ALKMIM, Tânia M. Sociolinguística. Parte I. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Ana C. Introdução à linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2011. v. 1, p. 21-47.

BAGNO, Marcos. Português ou brasileiro? Um convite à pesquisa. São Paulo: Parábola, 2002.

BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007a.

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 2007b.

BAGNO, Marcos. Sete erros aos quatro ventos: a variação linguística no ensino de português. São Paulo: Parábola Editorial, 2013.

BENTIVOGLIO, Paola. A variação nos estudos sintáticos. Estudos Linguísticos, XIV. Anais de seminários do GEL. Campinas: Unicamp, 1987. p. 7-29.

BORGATTO, Ana M. Tudo é linguagem: língua portuguesa. São Paulo: Ática, 2009.

BORTONI-RICARDO, Stella M. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

BRASIL. Ministério da Educação. PNLD 2012/Língua Portuguesa. Brasília, DF: Secretaria de Educação Básica, 2011.

CAMPOS, Fernanda R. A variação linguística no livro didático de PLE e sua percepção pelo professor. Web Revista Sociodialeto, [s. l.], v. 7, n. 21, p. 20-51, mar. 2017. Disponível em: <https://bityli.com/EysdM>. Acesso em: 18 mar. 2020.

CARVALHO, Ana M. Rumo a uma definição do português uruguaio. Revista Internacional de Lingüística Iberoamericana (RILI), Madri, v. I, n. 2, p. 125-149, 2003.

CYRANKA, Lucia F. de M. Avaliação das variantes: atitudes e crenças em sala de aula. In: MARTINS, Marco Antonio; VIEIRA, Silvia Rodrigues; TAVARES, Maria Alice. (org.). Ensino de português e sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014.

COELHO, Izete L. et al. Para conhecer sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2015.

COELHO, Izete L. et al. Sociolinguística. Florianópolis: LLV/CCE/UFSC, 2010. Disponível em: <https://bityli.com/VJCLg>. Acesso em: 4 maio 2020.

CONRADO, Rosana S. Produção textual no ensino de Português Língua Estrangeira: paralelo entre o livro didático e o exame oficial de proficiência Celpe-Bras. 2013. 109 f. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

FARACO, Carlos Alberto. Norma padrão brasileira: desembaraçando alguns nós. In: BAGNO, M. (org.). Linguística da norma. São Paulo: Parábola, 2002. p. 37-61.

FARACO, C. A. Ensinar x não ensinar gramática: ainda cabe essa questão? Calidoscópio, [s. l.], v.4, n. 1, p. 15-26, jan.-jun. 2006.

FARACO, Carlos A. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo, SP: Parábola Editorial, 2008.

FARACO, Carlos A.; ZILLES, Ana M. S. Pedagogia da variação linguística. Língua, diversidade e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.

GONZÁLEZ, César A. Variação linguística em livros de português para o EM. In: FARACO, Carlos A.; ZILLES, Ana M. S. (org.). Pedagogia da variação linguística. Língua, diversidade e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.

GÖRSKI, Edair M.; ROST, Cláudia A. Introdução aos estudos gramaticais. Florianópolis: LLV/CCE/UFSC, 2008.

ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2012. p. 151-196.

INEP. Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras). 2019. Disponível em: <https://bityli.com/C0Wso>. Acesso em: 23 mar. 2020.

JENSEN, John. A problemática das variações sociolinguísticas no ensino do português como língua estrangeira (PLE). Revista de Letras, [s. l.], v. 1, n. 24, jan./dez. 2002.

LABOV, William. (1972). Padrões sociolinguísticos. Tradução Marcos Bagno, Maria M. P. Scherre, Caroline R. Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008.

LABOV, William. Where does the linguistic variable stop? A response to Beatriz Lavandera. Sociolinguistic Working Paper, Texas, v. 44, 1978.

LIMA, Maria G de; SAMPAIO, Maria L. P.; ALVES, Joseilson J. A abordagem da variação linguística no livro didático de língua portuguesa. In: FÓRUM INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA, 4., 2012. Anais do IV FIPED. Campina Grande: Realize Editora, 2012. v. 1.

LIMA, Ricardo J. Variação linguística e os livros didáticos de português. In: MARTINS, Marco A.; VIEIRA, Silvia R.; TAVARES, Maria A. (org.). Ensino de português e sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014.

LIMA, Alcides F. de; MORAES, Ronaldo N. de. Uso do artigo definido diante de nome próprio nas capitais do norte do Brasil. Revista Moara, [s. l.], n. 54, ago.-dez. 2019.

MANÉ, Djiby. As concepções de língua e dialeto e o preconceito sociolinguístico. Via Litterae, Anápolis, v. 4, n. 1. p. 39-51. jan./jun. 2012.

MARTINS, Marco A.; VIEIRA, Silvia R.; TAVARES, Maria A. Ensino de português e sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014.

MISTURINI, Felipe W. O livro didático de português para estrangeiros: reflexões e análises a partir da sociolinguística. 2015. 110 f. Dissertação (Mestrado em Letras - Estudos da linguagem) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2015.

OLIVEIRA, Elynne G. M. de. Contribuições para o ensino-aprendizagem intercultural do português língua estrangeira: a tessitura textual por formas remissivas lexicais. 2015. 87 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2015.

PONCE, Maria H. de; BURIM, Silvia A.; FLORISSI, Susana. Bem-vindo! A língua portuguesa no mundo da comunicação: português para estrangeiros. 10. ed. atual. São Paulo: Hub Editorial, 2019.

REVUZ, Christine. A língua estrangeira entre o desejo de um outro lugar e o risco do exílio. In: SIGNORINI, Inês. (org.). Língua(gem) e identidade. São Paulo: Mercado de Letras, 1998. p. 213-230.

RICARDI, Denize. A diversidade linguística brasileira no material didático para o ensino de português para estrangeiros. 2005. 130 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005.

SOARES, Magda B. Língua escrita, sociedade e cultura: relações, dimensões e perspectivas. São Paulo: Revista Brasileira de Educação, 2003.

SPINASSÉ, Karen P. Os conceitos Língua Materna, Segunda Língua e Língua Estrangeira e os falantes de línguas alóctones minoritárias no Sul do Brasil. Revista Contigentia, Porto Alegre, UFRGS, v. 1, nov. 2006. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/index.php/contingentia/article/viewFile/3837/2144>. Acesso em: out. 2020.

VERCEZE, R. M. A. N.; SILVINO, E. F. M. O livro didático e suas implicações na prática do professor nas escolas públicas de Guajará-Mirim. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 4, n. 4, p. 83-102, jan./jun. 2018. Disponível em: <https://bityli.com/NmbOY>. Acesso em: 5 mar. 2019.

VIANNA, Beto. Línguas minoritárias e minorizadas no Brasil: por uma política linguística do falante. Universidade Federal de Sergipe. 2015.

WEINREICH, Uriel; LABOV, William; HERZOG, Marvim. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. Tradução Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2006.

Publicado
29-06-2021
Como Citar
Snichelotto, C. A. R., & Reis, A. P. (2021). A dimensão externa da variação linguística em um livro didático de português brasileiro como língua não materna. Scripta, 25(53), 330-362. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2021v25n53p330-362