Sinestesia e metáforas

  • Hugo Mari Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).
Palavras-chave: Metáfora, Sinestesia, Percepção sensorial, Direcionalidade, Integração sensorial.

Resumo

O objetivo do texto é discutir e avaliar, de modo específico, os processos de metáforas sinestésicas, avaliando as condições sensório-motoras que integram a sua construção. Inicialmente, relato, retomando autores da área, alguns posicionamentos sobre a questão da sinestesia como um fenômeno neurofisiológico e sua importância como uma atividade perceptiva multimodal. Na sequência, enfatizo as discussões que foram desenvolvidas por diversos autores (Ullmann; Williams; Werning, Fleischhauer e Beseoglu; Yu) sobre o alcance das metáforas sinestésicas. Além do mais, procuro contemplar o essencial de cada uma das abordagens, com ênfase especial sobre limites combinatórios sensoriais e a direcionalidade preferencial para certas combinações. Como esses estudos foram realizados a partir de corpora específicos ou de avaliação experimental, esses autores apontam restrições às combinações que, intuitivamente, parecem naturais numa dimensão interpretativa. Por último, aponto a necessidade de se restringirem os limites e as condições sob as quais o aparelho sensório-motor opera na integração de percepções advindas de sensores diferentes.

 

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Publicado
18-07-2014
Como Citar
Mari, H. (2014). Sinestesia e metáforas. Scripta, 18(34), 257-282. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2014v18n34p257
Seção
Dossiê: metáfora e cognição