Quem pode narrar a favela? Intelectuais e sujeitos silenciados: autoridade e autorização

  • Paulo Roberto Tonani do Patrocínio Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Intelectuais, representação, marginais

Resumo

O presente artigo tem como objetivo principal discutir o papel e o lugar do intelectual no cenário cultural contemporâneo a partir de uma revisão bibliográfica que visita alguns dos principais teóricos que se propuseram a refletir sobre a questão, como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Gayatri Chakravorty Spivak. Parte-se do pressuposto que se outrora o intelectual atuava enquanto porta-voz de sujeitos silenciados, falando em nome destes sujeitos e, dessa maneira, silenciado-os; nos parece que na contemporaneidade não há mais espaço para este tipo de atuação. Além desta revisão bibliográfica o artigo também analisa o romance Sorria, você está na Rocinha, de Julio Ludemir, obra que tematiza a relação entre intelectual e sujeitos silenciados na cena literária contemporânea em duas perspectivas: no processo de produção da obra e na representação ficcional.

 

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Biografia do Autor

Paulo Roberto Tonani do Patrocínio, Universidade Federal do Rio de Janeiro
É Professor Adjunto do Departamento de Letras-Libras e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura, ambos da Faculdade de Letras da UFRJ. É Doutor em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), com a Tese "Escritos à margem, a presença de escritores de periferia na cena literária contemporânea". Desenvolveu a pesquisa de Pós-Doutorado ?A representação de territórios marginais na literatura brasileira?, com o financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), no Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade do Departamento de Letras da PUC-Rio, onde atuou como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Atualmente desenvolve pesquisa de Pós-Doutorado no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) sobre "Estudos Culturais e discursos da diferença". Tem experiência na área de Letras, atuando nos campos Literatura Brasileira, Estudos Culturais e Cultura Surda, com vários artigos acadêmicos publicados no Brasil e no exterior. É autor dos livros "Escritos à margem, a presença de autores de periferia na literatura brasileira" (FAPERJ/7Letras, 2013) e "Cidade de lobos: a representação de territórios marginais na obra de Rubens Figueiredo" (FAPERJ/Ed. UFMG, 2016) e co-organizador dos livros "Modos da margem, figurações da marginalidade na literatura brasileira" (Aeroplano, 2015). e "Estudos Cultuais: legado e apropriações" (Pontes Editora, 2017).

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Publicado
15-06-2018
Como Citar
Tonani do Patrocínio, P. R. (2018). Quem pode narrar a favela? Intelectuais e sujeitos silenciados: autoridade e autorização. Scripta, 22(44), 31-44. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2018v22n44p31
Seção
Literaturas