Scripta http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta <p>SCRIPTA (eISSN-2358-3428 (OJS)) - uma publicação quadrimestral do Programa de Pós-Graduação em Letras, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros da PUC Minas, classificada como B1 no QUALIS de sua área "Linguística e Literatura" (<a href="https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf">Plataforma Sucupira - CAPES-Brasil</a>).</p> <p>Missão: publicar dossiês contendo artigos científicos e ensaios inéditos e de reconhecida qualidade acadêmica, além de entrevistas de interesse e resenhas de obras recentemente publicadas, produzidos por pesquisadores nacionais e estrangeiros, das áreas de Literaturas de Língua Portuguesa e Linguística.</p> pt-BR <p>O envio de qualquer colaboração implica, automaticamente, a cessão integral dos direitos autorais à PUC Minas. Solicita-se aos autores assegurarem:</p> <ul> <li class="show">a inexistência de conflito de interesses (relações entre autores, empresas/instituições ou indivíduos com interesse no tema abordado pelo artigo), e</li> <li class="show">órgãos ou instituições financiadoras da pesquisa que deu origem ao artigo.</li> <li class="show">todos os trabalhos submetidos estarão automaticamente inscritos sob uma licença <a title="Creative Commons License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0" target="_blank" rel="noopener">creative commons</a> do tipo "by-nc-nd/4.0".&nbsp;</li> </ul> scripta.pucminas@gmail.com (Raquel Guimarães) cespuc@pucminas.br (Jefferson Medeiros) qui, 13 jan 2022 00:00:00 +0000 OJS 3.1.2.1 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Páginas iniciais http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27938 <p>Sem resumo</p> Ivete Lara Camargos Walty, Paulo Roberto Tonani do Patrocínio Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27938 ter, 11 jan 2022 07:21:30 +0000 (Des)fazendo percursos do modernismo: revisão de conceitos http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27939 <p>O centenário da Semana de Arte Moderna, evento consagrado pela crítica canônica como marco fundador do modernismo brasileiro, faz-se momento oportuno para a produção de um revisionismo crítico do movimento e de conceitos que o sustentaram. Nacionalismo, colonialismo, antropofagia, identidade, em diálogo com seus contrários como cosmopolitismo, antropoemia e alteridade, formam uma espécie de seara conceitual que revela o diálogo entre o discurso contemporâneo e as produções modernistas. Mais do que uma inspiração ou uma possível apropriação de modulações críticas, a presença de alguns conceitos-chave do modernismo na contemporaneidade deve ser compreendida como uma espécie de resíduo das questões propulsoras do pensamento modernista brasileiro. Além disso, é igualmente possível ratificarmos que a busca de identidade nacional figura no centro de tais reflexões, sempre marcada por relações de poder de várias naturezas.</p> Ivete Lara Camargos Walty, Paulo Roberto Tonani do Patrocínio Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27939 ter, 11 jan 2022 07:21:05 +0000 Ver-te em “AmarElo”: ocupação ressignificada de territórios. http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27334 <p>Em fevereiro de 1922, nas instalações do Theatro Municipal de São Paulo, ocorreu a primeira manifestação coletiva pública na história cultural brasileira a favor de um espírito novo e moderno, em oposição à cultura e à arte de teor conservador. Noventa e sete anos depois, o mesmo palco, representante da elite artística paulistana, sofre uma ocupação ressignificada. Em noite histórica única, estabeleceram-se diálogos incomuns entre a Arte erudita e a Arte popular; entre o espaço da elite e a população da periferia. Em análise comparativa, estabelecemos aproximações e distanciamentos entre essas duas formas de apropriação de territórios. Aquela, pelos modernistas; essa, pelo <em>rapper</em> Emicida, com o lançamento do seu álbum “AmarElo”. Nesse mesmo espaço, viu-se uma São Paulo, normalmente excludente, representada por pessoas representantes da diversidade, produzindo e consumindo uma arte nacional híbrida. Para embasarmos nossas ponderações, utilizamos os seguintes conceitos: hibridismo, com base em reflexões de Canclini (1990,1997); antropofagia, conforme o olhar de Oswald de Andrade (1924, 1928), e reciclagem, em conformidade com estudos de Klucinskas e Moser (2017).</p> Roberta Maria Ferreira Alves Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27334 ter, 11 jan 2022 07:25:08 +0000 "Alegria, alegria" e "Baby": as canções síntese do movimento tropicalista http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/26825 <p><span style="font-weight: 400;">Em relação ao que existia em música popular na década de 60, a proposta tropicalista mostrava-se completamente inovadora, sugerindo a criação de um outro estilo para as canções nacionais. </span><span style="font-weight: 400;">Este artigo, por meio de duas canções de Caetano, defenderá que “Alegria, alegria” e “Baby”&nbsp; sintetizam de maneira precisa a essência do tropicalismo. Para tal, resgatará o contexto de criação e os objetivos do movimento, analisando após isso as canções mencionadas sob uma perspectiva multimodal (ROJO, 2012), levando em conta não só a letra, mas também a forma como a sonoridade constrói sentido de cada uma dessas faixas. </span></p> Vinícius André Minhoto da Costa Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/26825 qui, 13 jan 2022 10:09:09 +0000 Do mito do senhor benevolente à mulatização: o negro no pensamento estético-político de Oswald de Andrade http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27256 <p>Este trabalho busca problematizar o complexo pensamento desenvolvido por Oswald de Andrade sobre a questão negra. Para tanto, propõe a leitura crítica de um poema do livro <em>Pau-Brasil</em> (1925), de um discurso político proferido perante a Frente Negra Brasileira e de fragmentos selecionados de ensaios jornalísticos publicados nas décadas de 1930 e 1940. As leituras indicam que, ao construir uma visão triunfalista do passado colonial e escravocrata brasileiro após a Semana de Arte Moderna de 1922, o intelectual antecipou argumentos que seriam utilizados pelos defensores da democracia racial, falácia que viria a ser contestada pelas novas gerações de intelectuais descomprometidos com as estruturas tradicionais da nação.</p> Mário Fernandes Rodrigues, Roberto Alexandre do Carmo Said Copyright (c) 2021 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27256 ter, 11 jan 2022 00:00:00 +0000 Indigestão colonial em alguns poemas da Revista de Antropofagia http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27236 <p>Parte do projeto do modernismo brasileiro foi a afirmação de uma literatura nacional autêntica no espaço mundial da modernidade estabelecido como conjunto de Estados nacionais. Entretanto, a escrita do texto moderno foi marcada por aquilo que Denise Ferreira da Silva (2007) chama de globalidade, isto é, a atribuição de transparência ao sujeito europeu e de afetabilidade aos seus outros raciais, que ocupavam outros espaços. Essa separação se expressou como uma forma peculiar de angústia de influência em diversos textos literários modernistas que buscavam estabelecer sua autenticidade frente a uma tradição literária ocidental que, por sua vez, não os reconhecia. Neste artigo, proponho uma leitura de diferentes manifestações dessa angústia de influência e separação em alguns célebres poemas modernistas publicados originalmente na <em>Revista de Antropofagia</em> por Murilo Mendes, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Oswald de Andrade.</p> Rodrigo Octávio Cardoso Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27236 ter, 11 jan 2022 07:38:23 +0000 Entre Luzes e Refrações: Mário “klaxista” de Andrade http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27234 <p>Em 1946, ao avaliar a ação dos periódicos modernistas, Antonio Candido destacou que sem as “talentosas erupções das revistas de moços”, responsáveis por “derrubar os fósseis e educar o gosto dos leitores”, seria impossível afirmar que determinado momento de nossa história apresentou “vitalidade literária”. Ao lado de José Aderaldo Castello, acrescentou posteriormente que não haveria como fazer a crônica do Modernismo sem atentar para a importância dessas publicações. Tendo como base a <em>Revista</em> <em>Klaxon</em>: Mensário de Arte Moderna (1922-1923), primeiro período modernista lançado no Brasil, logo após a realização da Semana de Arte Moderna, este artigo pretende coligir, selecionar e discutir os textos de crítica e de criação literária de Mário de Andrade a fim de analisar as constâncias e transformações na construção do projeto modernista, partindo do espaço de “sociabilidade intelectual” desta revista considerada pelos modernistas como “filho primogênito da Semana”.</p> <p><strong>PALAVRAS-CHAVE</strong>: Mário de Andrade. Revista Klaxon. Crítica. Poesia. Literatura e Sociedade.</p> Adalberto Rafael Guimarães, Telma Borges da Silva Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27234 ter, 11 jan 2022 07:36:28 +0000 A construção de um Brasil imaginado estética e ideologicamente http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/26322 <p>Mário de Andrade relembra, vinte anos após a Semana de Arte Moderna, o caráter de fundação de um espírito nacional ser atribuído ao modernismo, sem o qual a consciência da nacionalidade brasileira não teria se desenvolvido. A partir do pensamento de Benedict Anderson a respeito do conceito de nação e de consciência nacional, revisitamos alguns pontos nodais da obra andradina de modo a problematizar criticamente sua convicção da questão nacional ser tributária ao modernismo. Outro autor igualmente importante dentre os modernistas de primeira hora é Oswald de Andrade, que contribui com a tentativa de formação identitária do Brasil. O teor vanguardista do movimento de 22 é também colocado em xeque com o confronto entre o futurismo de Marinetti e a absorção do mesmo por Oswald, evidenciando os paradoxos modernistas nas suas nuances vanguardistas e nacionais. Próximo da comemoração do centenário da Semana, levantamos questões críticas importantes acerca do modernismo, sem com isso pretender desmerecer a qualidade estético-literária do movimento.</p> Bruno Lima Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/26322 ter, 11 jan 2022 07:46:26 +0000 Dois artistas de Minas Gerais na Semana de Arte Moderna: revisão e descentramento do modernismo de 22 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27210 <p>Este artigo traz à cena a participação e dois artistas de Minas Gerais na Semana de Arte Moderna: o poeta Agenor Barbosa e a pintora Zina Aita. Desconhecidos na contemporaneidade, Barbosa e Aita integram a lista dos que foram excluídos dos estudos sobre o festival de arte. Nos estudos correntes acerca da Semana de Arte Moderna, prevalece a ideia que propõe a episteme dos “deste lado da linha” como única a ser seguida, como bem fundamentou Boaventura de Sousa Santos (2007). A participação de Minas Gerais, rasurada pela história, pode ser vista como a voz do outro lado. Barbosa levou para os palcos do teatro Municipal a integração do simbolismo com a “arte nova” ; Zina Aita apresentou em suas telas as influências da vanguarda europeia e o colorismo excêntrico em diálogo com o barroco mineiro.</p> Ivana Ferrante Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27210 ter, 11 jan 2022 07:49:54 +0000 Cecília Meireles, uma lírica no auge do modernismo http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27247 <p>O presente artigo tem como objetivo refletir sobre aspectos da obra Cecília Meireles e o diálogo que ela estabeleceu com a Índia. Também, pretende-se mostrar como as relações da autora com a tradição hindu contribuíram para a formação do pensamento ceciliano expresso em sua obra. Essa relação, tanto com a tradição indiana como com a modernidade da Índia – representadas pelas figuras de Gandhi e Tagore–, pode apontar para outras bases de formação do movimento modernista brasileiro, o qual, até nossos dias, é fundamentalmente embasado nas ideias de Mário e Oswald de Andrade. Visando a ampliar a mirada para o modernismo brasileiro, abordando-o de forma múltipla, apresenta-se um ponto de inflexão para pensarmos no modernismo de forma mais alargada e diversa. Tal ponto de inflexão utilizado neste texto para desenvolver as reflexões propostas é o curso de literatura “Técnica e Crítica Literárias”, que Cecília Meireles ministrou em 1937, não publicado até o momento, por meio do qual é possível perceber como o pensamento ceciliano dialoga com as tradições antigas e estabelece relações descomplicadas com essas tradições (especialmente com a da Índia). Portanto, a obra de Cecília Meireles pode representar uma grande contribuição para repensar o modernismo no Brasil.</p> Ana Amélia Neubern Batista dos Reis Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27247 ter, 11 jan 2022 07:54:02 +0000 A “máquina do mundo” e a filosofia do absurdo: Drummond, leitor de Albert Camus http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/26423 <p>O artigo tenta provar que o poema “A Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, foi parcialmente escrito a partir da reutilização de diversas metáforas, imagens e conceitos extraídos do livro <em>O Mito de Sísifo</em>, de Albert Camus. No intuito de demonstrar esta hipótese destacamos alguns excertos do livro de Camus e os cotejamos com metáforas e imagens análogas encontradas em “A Máquina do Mundo”<em>. </em>A conclusão a que chegamos é que Drummond reelaborou metaforicamente a filosofia do sentimento do absurdo em várias passagens do poema. Tal reelaboração intertextual, poética e metafórica se dera como uma resposta negativa e antitética à visão epifânica e cristã da criação universal descrita poeticamente por Jorge de Lima no <em>Livro de Sonetos</em>.</p> Cleber Ranieri Ribas de Almeida Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/26423 ter, 11 jan 2022 07:57:08 +0000 Carlos Drummond de Andrade: da cultura impressa às mídias digitais http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27223 <p>Nas últimas décadas o mundo passou por inúmeras mudanças sociais e epistemológicas provocadas especialmente pelo desenvolvimento tecnológico que transmudou as formas de produção do conhecimento e acesso aos bens de consumo. &nbsp;Os modos de leitura de textos literários também foram influenciados, pois se a leitura até a década de 1980 ancorava-se no livro impresso, jornais e revistas, na atualidade, observa-se uma crescente preferência pela leitura através dos dispositivos digitais como computadores, tablets, smartphones. Os artefatos tecnológicos não apenas modificaram as formas de ler e escrever, como possibilitaram a descoberta da leitura às pessoas distantes das bibliotecas, livrarias ou bancas de revistas. Com a mobilidade promovida pelo ciberespaço, a produção literária nos meios digitais tem ganhado força e vitalidade, ao mesmo tempo em que textos produzidos no impresso passam a migrar para o ambiente virtual. O texto poético acompanha esse movimento, a exemplo da produção poética de Carlos Drummond de Andrade, produzida entre os anos 1920 e 1980, e que tem sido amplamente difundida e acessada através das mídias digitais disponíveis. A proposta desse trabalho é analisar o trânsito da poesia de Drummond, escrita inicialmente no suporte livro, mas que hoje tem ocupado grande espaço, adesão e circulação no ciberespaço, em redes sociais, sites e blogs dedicados ao autor, o que tem garantido não só que sua obra se torne cada vez mais viva e vibrante, como também a atualização de seu público leitor.</p> Janeide Sousa Santos, Elizabeth Gonzaga de Lima Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27223 ter, 11 jan 2022 08:01:14 +0000 A crônica de Benjamim Costallat: uma nova ideia de literatura para a ampliação do público leitor por meio de jornais cariocas, nos anos de 1920 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27197 <p>Este artigo discute a produção de Benjamin Costallat como cronista de jornais cariocas nos anos de 1920 que, em diálogo discussões realizadas na Europa sobretudo pelo Futurismo, encampava um projeto para ampliação do público leitor de literatura entre nós, abrandando os efeitos de uma modernização conservadora praticada pelos governantes da República Velha. Costallat concebia que, ao lado da urbanização do início do século XX, registrava-se uma modificação na sensibilidade dos novos grandes aglomerados urbanos. Essa ideia configura seus textos, inaugurando em suas crônicas uma linguagem marcada pela velocidade e pela imagem do novo cenário citadino, sem precedentes no universo literário brasileiro. O artigo pretende abordar como o cronista trabalha à revelia de um conceito tradicional da cultura e do literário, dando origem a uma importante ruptura estética no Brasil que implicou - para além de uma exclusiva renovação da linguagem artística - a utilização de novos suportes, como o jornal e de novas tecnologias, como o cinema. A produção de Costallat constitui uma nova manifestação literária nos anos de 1920 que não deve ser avaliada estritamente segundo os critérios estéticos adotados pela crítica modernista canônica. É necessário analisar, a partir de outras perspectivas, esses textos que fogem ao convencionalismo das categorias de arte tradicional sob pena de negação da reinvenção de uma prática vanguardista no Brasil que lança luzes sobre as incongruências de um projeto autoritário de modernização entre nós<strong>.</strong></p> Andréa Portolomeos Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27197 ter, 11 jan 2022 08:06:04 +0000 Retrato da poesia contemporânea de Ricardo Domeneck quando em deslocamento com o modernismo http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27220 <p>Propõe-se analisar o poema contemporâneo “Retrato do artista quando Meridiano de Greenwich” do escritor Ricardo Domeneck, presente no livro “Sons: Arranjos: Garganta<em>”</em> (DOMENECK, 2009). A partir de uma leitura interpretativa, pretende-se abordar o fértil diálogo que o poema estabelece com representantes do modernismo brasileiro, como Carlos Drummond de Andrade, mas também com representantes do modernismo internacional, especialmente com James Joyce. Não obstante, objetiva-se investigar os diversos efeitos de deslocamento que o texto provoca no leitor, entre os quais os sintáticos, os semânticos e os visuais. Argumenta-se que o fruidor precisa relativizar instrumentos interpretativos convencionais para atar os referentes ambíguos da escrita, permeada pelo caráter autobiográfico.</p> Luis Henrique Garcia Ferreira, Luana Signorelli Faria da Costa Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27220 ter, 11 jan 2022 08:09:17 +0000 O entre-lugar da ex-apropriação: despossessão e propriedade nas escrituras falsas de Gloria Alzáldua e Édouard Glissant http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/25808 <p>Este ensaio começa em um sinal; o hífen interposto por Jacques Derrida (2016) na grafia de <em>ex-apropriação</em>.&nbsp;Este quase-conceito opera demonstrando o paradoxo de propriedade existente no exercício da linguagem transcultural. Partindo da aporia que movimenta aquele ensaio, movimentamos nossa pesquisa à respeito de práticas de apropriação, cópia e imitação em textualidades contemporâneas. Neste texto, de caráter conceitual e exploratório, propomos um estudo da ex-apropriação como lógica dessas (re)escrituras. Na fulguração de seu hífen, buscamos entender a indecidibilidade deste lugar de fala transnacional também com a ideia <em>entre-lugar</em>, conforme elaborada por Silviano Santiago (2019). De forma a interrogar de modo localizado esta problemática, entendendo que ela só se dá na escritura, partimos a apresentar e debater duas experiências desse <em>entre</em>. Primeiro, o texto de Gloria Anzáldua em seu <em>Borderlands/La frontera</em> (1987), livro escrito em um inglês atravessado pelos dialetos da fronteira mexicana, discutindo a vivência do migrante. De modo semelhante, acionamos também as poéticas de Édouard Glissant (2005): seus estudos sobre como o regime econômico de escambos no Caribe cria uma cultura de trocas precárias, origem das línguas crioulas. Na leitura dos signos que emitem essas línguas bífidas, o ensaio vai concluir a produtividade de se enfocar o problema dos textos e trânsitos pós-nacionais pelo viés proprietário. Infere-se como as noções de ex-apropriação e entre-lugar suscitam esse aspecto, e permitem ler textos poéticos transculturais por tal chave – levando a uma compreensão da apropriação e da imitação como movimentos de um roubo que escancara a precária performance da posse.</p> Luis Felipe Abreu Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/25808 ter, 11 jan 2022 08:12:37 +0000 Modernismo/Hipermodernismo: o debate teórico italiano contemporâneo http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27040 <p>O presente artigo tem por objetivo trazer ao debate literário brasileiro a discussão em andamento na crítica literária italiana sobre o que críticos atuantes compreendem como Hipermodernismo, ou seja, uma literatura cujos escritores retomam as bases do modernismo de maneira a querer dar forma a uma experiência conturbada no século XXI. Para ilustrar o debate, apresentar-se-á a perspectiva de dois críticos italianos contemporâneos: Raffaele Donnarumma e Remo Ceserani, cujos textos conflitam em relação ao que se entende por termos como “modernidade”, “modernismo”, “pós-moderno”, “pós-modernismo” e, enfim, “hipermodernismo”. Acredita-se que essa discussão possa agregar aos estudos na área da literatura brasileira e oferecer novos pontos de vista que permitam analisar o Modernismo e a literatura contemporânea de nosso país.</p> Leonardo Ferreira Aguiar Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27040 ter, 11 jan 2022 08:14:45 +0000 Virgílio de Lemos e sua antropofagia delirante: estética e vertigem na lírica moçambicana http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/25949 <p>Resumo: Este artigo propõe uma análise sobre diversas formas de antropofagia na lírica do poeta moçambicano Virgílio de Lemos, ortônimo, e de seus heterônimos, principalmente as feições que ecoam na voz do heterônimo Duarte Galvão, arauto da Revista Msaho (1952). Em sua proposta de “antropofagia delirante”, Virgílio de Lemos transita pelos movimentos das Vanguardas Europeias – especialmente, pelo Surrealismo, Cubismo e Dadaísmo –; pelas Vanguardas Latino-Americanas, pelo Modernismo Brasileiro, incorporando tais propostas, elaborando-as, para conceber sua voz inaugural no cenário dessa colônia portuguesa. A “antropofagia delirante” de Virgílio de Lemos propõe novos vieses para a lírica moçambicana. Esta atitude estética revela transgressão em relação ao modelo literário predominante em Moçambique, fortalecendo uma atitude estética que ecoa&nbsp; subversão e resistência à repressão colonialista.</p> <p>Palavras-chave: Virgílio de Lemos, antropofagia, modernismo, poesia moçambicana, resistência.</p> Luciana Brandão Leal Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/25949 ter, 11 jan 2022 08:16:46 +0000 Os Sinos da agonia: um banquete barroquizante a ser degustado aqui e agora http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27054 <p>Neste artigo, nosso intuito é mostrar como Autran Dourado, em <em>Os sinos da agonia</em>, recorre ao barroco como estilo de escrita, estilo que apela para a experiência humana, imbricada no jogo metafórico, num verdadeiro desdobramento de imagens, em um movimento que dá forma ao caótico mundo humano. Em nossa leitura, esse movimento de apropriação encena a recursividade da mente humana, mente antropofágica por excelência, em processo de (re)criação contínua e ininterrupta.</p> <p>Palavras-chave: Barroco. Recursividade. Antropofagia. Mente literária.</p> <p>&nbsp;</p> Maria José Oliveira Araújo Guerra Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27054 ter, 11 jan 2022 08:19:14 +0000 Colonialidade e gênero no romance Eu, Tituba: bruxa negra de Salem, de Maryse Condé http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27240 <p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Este artigo busca compreender </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">experiências da colonialidade ou, mais precisamente</span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">, do que María Lugones (2008) caracteriza como colonialidade de gênero, mediante leitura do romance </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><em>Eu, Tituba: bruxa negra de Salem</em></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">, de Maryse Condé (2019). Como recorte necessário ao texto literário, partimos de um exame específico da narradora-protagonista Tituba, em passagens nas quais se observa seus deslocamentos entre fronteiras (físicas e imaginárias) de uma modernidade europeia recém-instalada nas ilhas caribenhas dos anos finais do século XVII e iniciais do século XVIII.</span></span> <span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Supomos </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">que a mulher negra, uma vez reduzida à animalidade, ao sexo forçado e à escravização, se mostra parte constitutiva de um regime de violência próprio ao sistema colonial-moderno de gênero, ao que se mostraria relevante examinar, a partir das experiências de Tituba no contexto da primeira modernidade, como se constroem, de maneira hegemônica, o gênero e suas relações. Este trabalho fundamenta-se nas premissas teóricas da noção de colonialidade do gênero, de María Lugones (2005; 2008; 2014).</span></span></p> Alcione Correa Alves, Jonata Alisson Ribeiro de Oliveira Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27240 ter, 11 jan 2022 08:22:11 +0000 Entrevista com Carlos Berriel http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27131 Fernando Breda Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/27131 ter, 11 jan 2022 08:25:01 +0000 João Adolfo Hansen, o leitor e o livro http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/25382 <p>Resenha do livro</p> <p>HANSEN, João Adolfo. <strong>O que é um livro? </strong>São Paulo: Ateliê Editorial, 2019.</p> Allan Alves Copyright (c) 2022 Editora PUC Minas http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/25382 ter, 11 jan 2022 08:27:06 +0000