A Existência de Uma Única Narrativa como Barreira à Conquista da Isonomia de Gênero

Najara Cristiane dos Santos

Resumo


O objetivo do presente artigo é mostrar como a existência de uma única narrativa pode ser capaz de legitimar a discriminação das mulheres e a falta de reconhecimento formal e material de seus direitos fundamentais no ordenamento jurídico brasileiro, ignorando completamente a isonomia de gênero, a partir da memória consolidada por uma história construída e narrada, fundamentalmente, sobre as bases do patriarcalismo e do machismo. Neste ínterim, aponta-se a influência da mídia como fortalecedora e estimuladora da subalternização feminina, revelando-se verdadeiro instrumento de manipulação da memória, enquanto elemento essencialmente cultural. Por fim, pode-se concluir que a adequada construção da memória individual e coletiva, no âmbito da história narrada, representa, simultaneamente, um instrumento de opressão e um instrumento de libertação e reconhecimento da igualdade de gênero e dos direitos fundamentais da mulher. Basta que seja feita uma reapropriação histórica condizente com o Estado de Direito e o regime democrático. 


Palavras-chave


Direitos fundamentais. Isonomia de gênero. Única narrativa. Memória. Influência da mídia.

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