Conflito de Visões em Calunga, um Romance Proletário de Jorge de Lima

Maria Isabel Bordini

Resumo


Num contexto de intensa polarização ideológica, como o Brasil dos anos 30, a publicação de Calunga (1935), de Jorge de Lima, obra com características de romance social, mas escrita por um autor que publicamente se declarava católico, e que era também associado ao pensamento conservador, dividiu opiniões e suscitou debate acerca de seu lugar ideológico, bem como do de seu autor. Este artigo apresenta algumas manifestações da crítica de primeira hora e mapeia as visões ético-políticas que são postas em embate, pelo autor, na própria constituição do romance, tendo como pressuposto para tal mapeamento a proposta de Thomas Sowell, que divide as posições ideológicas que marcam a modernidade em dois tipos de visões: restrita e irrestrita. Por fim, também se pretende contribuir para problematizar a divisão um tanto estanque que por vezes se aponta na literatura brasileira do período, qual seja: entre uma literatura social como corrente majoritária e uma literatura intimista ou psicológica, conservadora e frequentemente católica, como corrente secundária.

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Referências


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LIMA, Jorge de. Calunga. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

SOWELL, Thomas. Conflito de visões. Tradução Margarida M. G. Lamego. São Paulo: É Realizações, 2011.

SOWELL, Thomas. Os intelectuais e as visões da sociedade. In: Os intelectuais e a sociedade. Trad. Maurício Righi. São Paulo: É Realizações, 2011.


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