A Liberdade da Informação na Rede, o Modelo de Processo Coletivo Participativo em Ambiente Protegido e a Luta contra a Escravidão Digital

Vicente de Paula Maciel Junior

Resumo


O presente artigo aborda o tema da nova forma de dominação e escravização: a digital. Para isso parte da análise do conceito de escravo digital e dos elementos que o caracterizam e pretende apontar quais são os opressores, os senhores da Rede. Como próximo passo pretende-se analisar as alterações geopolíticas promovidas pela tecnologia, que fizeram surgir uma nova moeda: a informação. São revelados os mecanismos de dominação na Rede, que faz com que países inteiros e  pessoas virem meros expectadores e usuários das mudanças tecnológicas, incapazes de regular o fluxo de informações e novos fatos, que não encontram padrão no passado e que dependem do conhecimento avançado na linguagem de algoritmos. Nesse contexto surgem os Cypherpunks na década de 90 e a linguagem criptografada utilizada pelo Wikileaks, cujo objetivo é libertar a Rede da vigilância total que ameaça a democracia no mundo. Para isso, pretende o Wikileaks a “liberdade para os fracos e a vigilância total dos poderosos” (os senhores da Rede). Em meio a ciberguerra os fundadores do Wikileaks apontam as armas para a libertação dos escravos digitais, que teriam basicamente duas perspectivas: a tecnologia da criptografia e o engajamento político  para pressionar. Em uma análise crítica sugerimos que a mobilização dos interessados deveria ser feita em um ambiente protegido de processo coletivo, com a criação de um espaço discursivo virtual que pudesse conduzir a uma deliberação participada. Por fim relatamos a experiência de nossa proposta de pesquisa, desenvolvida na PUC/Minas, de criação de um aplicativo em parceria de pesquisa com professores da área de computação e que viabilize processos coletivos com participação das redes sociais. Foi descrita a experiência de uma audiência pública simulada onde foi testado o protótipo de aplicativo, com discussões transmitidas pela TV PUC por canal de Youtube  e votação “on line” que ocorreu após a fase de discussões.

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