O Discurso Sobre Justiça em Lévinas: Atenas ou Jerusalém ? O Outro Humanismo como Prática da Justiça

  • Mário Gomes Ferreira Universidade do Estado de Minas Gerais(UEMG)

Resumo

A justiça não pode estabelecer a menos que o eu seja evadido numa relação não recíproca com o outro, assim, o discurso sobre justiça no primeiro Lévinas aponta para ‘o outro humanismo’ como prática da justiça. Este texto tem por objetivo apontar o discurso sobre a justiça na sequência temporal de escritos do primeiro Lévinas que compreende os anos de 1929 a 1951, assim, apresentar a noção de justiça para além dos padrões impostos pela tradição ocidental/cristã. Noção esta que adere aos filósofos e os profetas, a Atenas e Jerusalém, a tradição grega e hebraica, tendo como intenção um novo começo da filosofia, dizer em “grego” o que os gregos nunca disseram. Esta pesquisa partiu da leitura atenta de El Discurso sobre Dios em la obra de E. Lévinas de Ulpiano Vázquez Moro que dá uma visão geral dos textos de Lévinas e os classificam em períodos compreendendo os anos de 1929 a 1979. Posteriormente o exercício de leitura dos textos que compreendem o primeiro período da obra levinasina que propôs o exame do discurso sobre a justiça, considerando a complexidade da obra e do modo como este discurso aparece sem perder as particularidades e recursos linguísticos do autor. Entende-se que, a resistência ética que é em si a presença do infinito a justiça bem ordenada começa pelo Outro.

Biografia do Autor

Mário Gomes Ferreira, Universidade do Estado de Minas Gerais(UEMG)
Mestre em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte – FAJE. Professor do Departamento de FSHFE da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais. FaE UEMG.

Referências

CALIN, Rodolphe; SEBBAH, François-David. Le vocabulaire de Lévinas. Paris: Aubin Imprimeur. 2005.

CHECCHI, Tania. Apresentação de tradução. in: LÉVINAS, Emmanuel. La teoría fenomenólogica de la intuición. Tradujo del original Théorie de l’intuition dans la phénoménologie de husserl (1930): Tania Checchi. Ediciones Sígueme. Salamanca. 2004.

LÉVINAS, Emmanuel. Quelques réflexions sur la philosophie de l’hitlérisme. Esprit 2 (1934). N. 26, Nov. 199-208. 1934.

LÉVINAS, Emmanuel. De l’évasion. (1935). Fata Morgana, Paris, 1982.

LÉVINAS, Emmanuel. De l’existence à l’existant. Paris: Vrin, 4ª ed., Paris, 1986; Da existência ao existente. Trad.: Paul Albert Simon & Ligia Maria de Castro Simon. Campinas: Papirus, 1999a.

LÉVINAS, Emmanuel. En découvrant l’existence avec Husserl et Heidegger. Paris: Vrin, 1949 (1994 Réimpression conforme à la première édition suivie d’essais nouveaux). Descobrindo a existência com Husserl e Heidegger. Trad.: Fernanda Oliveira. Lisboa: Instituto Piaget, 1999b.

LÉVINAS, Emmanuel. La teoría fenomenólogica de la intuición. Tradujo Tania Checchi. Ediciones Sígueme. Salamanca. 2004.

LÉVINAS, Emmanuel. Le Temps et l’Autre. Fata Morgana, Montpellier. 1979. O Tempo e o Outro. Trad. Pro manuscrito de Ulpiano Vásquez e Edgar Piva. CES, Belo Horizonte, 1991.

MORO, Ulpiano Vázquez. El Discurso sobre Dios en la obra de E. Lévinas. Madrid: Universidad Pontificia Comillas, 1982.

Publicado
29-08-2019
Seção
Dossiê Ética, Direito e Meio Ambiente: Interseções e Conexões