ENTRE VIGILÂNCIA E ALTERIDADE
a constituição da presencialidade nos ambientes educacionais digitais
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2318-7344.2026v14n23p22-41Palavras-chave:
Panóptico digital, Microsoft Teams, Relação pedagógica, Presença SocialResumo
Este artigo analisa a constituição da presencialidade nos ambientes educacionais digitais, problematizando concepções tradicionais que a associam à copresença física, à vigilância e ao controle docente. Partindo de aportes teóricos da ética da alteridade e da teoria da distância transacional, o estudo compreende a presencialidade como um fenômeno relacional, ético e pedagógico, sustentado pela qualidade das interações, do diálogo e da mediação docente no contexto da educação digital contemporânea. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, e os dados foram produzidos por meio de um grupo focal realizado em dezembro de 2025, com oito docentes de uma instituição de ensino superior localizada em Belo Horizonte/MG. As falas foram transcritas e, posteriormente, organizadas com o apoio do software Atlas.Ti, permitindo a codificação dos dados em categorias analíticas relacionadas ao uso de ferramentas digitais, à interação, à vigilância e à percepção de presença no ensino remoto. Os resultados evidenciam que a presencialidade digital não é garantida nem pela simples conexão técnica nem pelo monitoramento contínuo dos estudantes. Ao contrário, práticas baseadas na vigilância tendem a ampliar a distância pedagógica e a fragilizar a relação educativa. Por sua vez, estratégias fundamentadas no diálogo, no feedback contínuo, na autonomia discente e no uso intencional de recursos interacionais, como chat e salas simultâneas, favorecem a presença social e reduzem a distância transacional.
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