50 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.17 n.1, p.39 - 51, mai. 2020
Considerações finais
À luz de tais considerações, nota-se
avanços significativos no tocante ao contato de
Moçambique com as nações parceiras. Os dados
atmosféricos obtidos a partir das imagens de sa-
télites serão de grande importância no contexto
presente e futuro. Contudo, não é suficiente co-
nhecer a trajetória dos ciclones tropicais, cate-
gorizar o poder destrutivo dos mesmos, antever
a duração do fenômeno em questão, quando se
refuta em Moçambique os planos de contingên-
cia. De fato, pesquisas e estudos concernentes
a vulnerabilidade socioambiental, reportam as
geotecnologias já que estas evidenciam fenôme-
nos até então difíceis de serem espacializados.
O entrelaçamento de Moçambique e a
importância de Beira no contexto regional com
outras nações, coloca o fenômeno em conver-
gência com a agenda africana para resolução de
problemas.
Fica claro que os estudos acurados dos
riscos ambientais ampliam quantitativa e qua-
litativamente a disponibilidade de dados e in-
formações aos segmentos públicos e privados.
Cabe mencionar que, traçar estratégias de aná-
lise à mitigação socioambiental torna-se basilar,
sobretudo ao se considerar estruturas habita-
cionais precárias, relacionados com ambientes
caracterizados pela fragilidade econômica e es-
cassez de serviços públicos de qualidade.
Mediante a configuração territorial em
Beira, a significativa concentração urbana em
espaços desvalorizados é em muitos casos, a
maior representatividade das populações mais
atingidas. Somados a esses quesitos, pode se
constatar a escassez de políticas públicas volta-
das ao enfrentamento dos riscos socioambien-
tais. Neste caso, em Moçambique, subjazem as
concepções das sociedades resilientes aos riscos
ambientais. É imperativo ofertar condições
dignas de habitabilidade, bem como reduzir a
distância entre o acesso à informação e a ado-
ção de medidas preventivas.
Diante do exposto, pode-se inferir que a
passagem do ciclone Idai na cidade de Beira tor-
nou evidente a vulnerabilidade socio ambiental
no país em função das inundações, perdas hu-
manas, desorganização do espaço urbano, inci-
dência de cólera. Tratar o fenômeno ocorrido
como variável pertinente a dinâmica da circu-
lação da atmosfera implica em negligenciar ou-
tras interpretações ao risco ambiental. Todavia,
estudos como este propõem analisar de modo
coletivo a vulnerabilidade socio ambiental, seja
ela, de modo local ou regional e, assim apontar
contribuições na inesgotável discussão sobre
riscos, fragilidades, suscetibilidade na África
tropical sob a ótica da prevenção.
Referências
AYOADE, John O. Introdução a climatologia para os trópi-
cos. 16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012
BARBOSA, Luciana Mendes; SOUZA, Matilde de. Securiti-
zação das Mudanças Climáticas: O Papel da União Europeia.
Contexto Internacional, Rio de Janeiro, v. 32, n. 1, p. 121-
153, jan./jun. 2010.
CENACARTA, CENTRO NACIONAL DE CARTOGRA-
FIA E TELEDATAÇÃO. Acesso em 12 Abr. 2019. Disponível
em: http://www.cenacarta.com/index.php.
CONTI, Jose Bueno. Clima e meio ambiente. 6ª.ed. São Pau-
lo: Atual, 1998.
CUNHA, Sandra Baptista da.; GUERRA, Antônio José Tei-
xeira. Degradação Ambiental In: CUNHA, Sandra Baptista
da.; GUERRA, Antônio José Teixeira (org.). Geomorfologia e
Meio Ambiente, Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 13ª.
ed., 2017, p. 337 - 376.
GONÇALVES, Neyde Maria Santos. Impactos pluviais e desor-
ganização do espaço urbano em Salvador. In: MONTEIRO,
Carlos Augusto Figueiredo; MENDONÇA, Francisco (org.).
Clima Urbano. São Paulo: Contexto, 2003, v. 1, p. 69 - 92.
HARVEY, David Justicia, natureza y la Geografia de la di-
ferencia. Quito: IAEN-Instituto de Altos Estudos Nacionales
del Ecuador -Traficantes de Sueño, 2018