65 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.17 n.2, p.64 - 66, ago. 2020
facilidade de operacionalizar. O uso dessa téc-
nica, ao contrário do que muitos possam pen-
sar, não é algo decidido de forma irracional ou
desesperada pelos terroristas, é, na verdade,
uma escolha inteiramente racional e calculada.
Essa é uma característica que todos os
grupos terroristas, motivados por diversas ra-
zões, têm em comum: seus atos nunca são alea-
tórios ou sem sentido. Além disso, todos eles
desejam buscar, com suas ações, o máximo de
publicidade e intimidação possível para assim
conseguir atingir seus objetivos. Desta forma,
Hoffman aponta nos capítulos seis e sete como
os terroristas fizeram e fazem uso da mídia e
opiniões públicas, moldando assim, a opinião
global sobre esta questão.
“Claramente, o terrorismo e a mídia ainda
permanecem unidos em uma relação inerente-
mente simbiótica, cada um se alimentando e
explorando o outro para seus próprios propó-
sitos” (HOFFMAN, 2017, p. 233, tradução
nossa). Muitos criticam a mídia por cobrirem
de forma, às vezes, tão intensa tais eventos e
temem que tal exposição possa atrair mais pes-
soas simpatizantes a essas causas, estimulan-
do-as e, consequentemente, fazendo com que
determinadas organizações terroristas cresçam.
Hoffman mostra, porém, que nos anos 1980 o
impacto que tais notícias causaram no público
em geral e na opinião pública é o de repulsa a
tais atos, mas, por outro lado, eles demonstra-
vam um profundo fascínio por esses eventos.
O século XXI conta com uma maior so-
fisticação dos meios de comunicação dos gru-
pos terroristas e isso vem, principalmente, do
grande avanço tecnológico visto nos últimos
anos. Hoffman aponta, em seu oitavo capítulo,
para o fato de como grupos terroristas como
ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) e Hezbol-
lah têm usado esse avanço em seus meios de
comunicação para criar propagandas que disse-
minam seus ideias e razões de lutas para, assim,
atrair possivelmente novos membros e simpati-
zantes das causas.
Outro assunto relevante ao se pensar ter-
rorismo é a questão sobre seus mind-sets. Como
já mencionado anteriormente, os atos terroris-
tas são geralmente premeditados e planejados
de forma cuidadosa, sendo assim, as táticas es-
colhidas pelos grupos, os alvos, armas, dinâmi-
ca organizacional internas e as personalidades
de seus membros-chaves são sempre moldadas
pela ideologia do grupo. Independente da téc-
nica utilizada ou das suas motivações, todos os
grupos terroristas possuem uma característica
em comum – eles vivem no futuro, ou seja,
naquele momento distante no qual triunfarão
sobre seus inimigos e alcançarão a realização
dos seus objetivos políticos. Para isso, é funda-
mental que tais grupos tentem se manter um
passo à frente das autoridades e das tecnologias
de contraterrorismo.
Por fim, em seus dois últimos capítulos,
Hoffman levanta algumas preocupações em
relação ao terrorismo moderno. Uma delas é
o uso que Estados fazem do terrorismo como
uma arma e instrumento de política externa.
Ele expressa que a partir dos anos 1980, alguns
governos adotaram o terrorismo como um ins-
trumento deliberado de política externa.
Outra preocupação apontada pelo autor é
a atração, cada vez maior, que os grupos terro-
ristas têm mostrado pelas QBRN (armas quí-
micas, biológicas, radiológicas e nucleares). Há
grupos que tentam desenvolver capacidades que
abrangem todas as quatro categorias de armas e
há, ainda, aqueles que são atraídos por algumas
dessas armas em específico devido sua potencial
letalidade. Ele aponta que os terroristas mos-
travam uma tendência em ser mais hesitantes