2 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.20 n.3, p.2 - 10, abr. 2023
O Business 20 (B20) como mais um
fórum político para a classe capitalista
transnacional
Business 20 (B20) as another political forum for the transnational capitalist class
Business 20 (B20) como otro foro político para la clase capitalista transnacional
Pedro Henrique Schneider Parreiras
1
DOI: 10.5752/P.1809-6182.2023v20n1p2-10
Recebido em:19 de março de 2021
Aprovado em: 13 de setembro de 2023
Resumo
O presente estudo objetiva discutir se o Business 20 (B20), um fórum derivado do G20,
vem se consolidando na última década como mais um fórum para elite corporativa global.
Para tal é mobilizada a análise de redes sociais para construir uma rede de relações entre os
principais fóruns políticos globais.
Palavras chaves: B20, fóruns políticos globais, classe capitalista transnacional.
Abstract
is study aims to discuss whether Business 20 (B20), a forum derived from the G20,
has consolidated itself in the last decade as another forum for the global corporate elite. To
this end, the analysis of social networks is mobilized to build a network of relationships
between the main global political forums.
Keywords: B20, global policy groups, transnational capitalist class.
Resumen
Este estudio tiene como objetivo discutir si Business 20 (B20), un foro derivado del G20,
se ha consolidado en la última década como un foro más para la élite empresarial global.
Para ello, se moviliza el análisis de las redes sociales para construir una red de relaciones
entre los principales foros políticos globales.
Palabras clave: B20, foros políticos globales, clase capitalista transnacional.
1 Professor substituto do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG. Doutor em Sociologia pela UFMG, mestre em Rela-
ções Internacionais pela PUC Minas. E-mail: phs.parreiras@hotmail.com
Resenha
2 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte,
ISSN 1809-6182, v.20 n.1, p.2 - 4, abr. 2023
3 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.20 n.3, p.2 - 10, abr. 2023
Introdução
Nas últimas décadas se intensicou o deba-
te acerca da emergência de uma classe capitalista
em âmbito internacional, um processo que ganha
novos contornos com a globalização neoliberal.
Para alguns autores (Robinson; Harris, 2000; Ro-
binson, 2005; 2010; Harris, 2003) a globalização
seria uma nova fase no capitalismo, marcada pela
emergência de uma classe capitalista transnacio-
nal (CCT) e pelo processo de transnacionalização
do Estado (ETN). Nesta perspectiva o aparato
do Estado transnacional vem sendo mobilizado
pela CCT para a intensicação dos processos
globalizantes. Dentre as várias instituições e or-
ganizações que compõem o ETN, destacamos
os fóruns políticos globais, espécies de hubs para
a elite corporativa global que ajudam na formu-
lação de consenso em torno de variantes do dis-
curso neoliberal, no tocante que reúnem várias
vezes ao longo de um ano, diretores corporativos
e interesses capitalistas oriundos de várias partes
do mundo. (Carroll; Carson, 2003). Exemplos de
fóruns notórios são: Fórum Econômico Mundial,
Bilderberg e a Comissão Trilateral.
Para lidar com a crise de 2008, o G20 –
deixado de lado desde o nal da crise asiática –
reformulou-se em cúpula de líderes. Parte desta
reformulação foi a intensicação do diálogo com
o setor privado – grandes instituições nanceiras,
corporações transnacionais e pequenas e médias
empresas das principais economias emergentes.
Este movimento dá origem ao B20 (Business 20),
um fórum que vem se institucionalizando desde
2010 para garantir que os interesses do setor pri-
vado sejam pautados pelo G20. Reunindo milha-
res de diretores anualmente em diversas ativida-
des em temáticas que variam da regulamentação
do setor nanceiro ao emprego, o B20 tem con-
seguido levar suas demandas aos principais lí-
deres mundiais com sucesso. (Ramos; Parreiras,
2019). Diante da importância dos fóruns políti-
cos privados e da crescente institucionalização do
B20, a seguinte pergunta mostra-se relevante: o
B20 pode ser considerado como mais um fórum
político global da elite corporativa transnacional?
Para tentarmos responder a tal questão nos vale-
mos da análise da rede relacional obtida através
do compartilhamento de diretores/participantes
entre o B20 e outros fóruns já consolidados na
literatura nos anos de 2010 e 2017.
O trabalho está organizado da seguinte
forma: primeiro estabelecemos o referencial
teórico. Na sequência apresentamos as princi-
pais características do B20. Em seguida parti-
mos para análise da rede relacional dos fóruns,
apresentando os dados obtidos. Por m fare-
mos nossas considerações nais.
Classe capitalista
transnacional (CCT), estado
transnacional (ETN) e os fóruns
políticos globais
Com a intensicação dos processos agluti-
nados sob a alcunha de “globalização” a partir da
década de 1970, os debates em torno da emer-
gência e consolidação de uma classe capitalista em
âmbito internacional ganham novo fôlego. O foco
passa a ser um processo transnacional de forma-
ção de classe capitalista. (Robinson; Harris, 2000).
Este processo deve ser entendido como histórico,
remontando ao próprio processo de internacio-
nalização do capital, um processo que gradativa-
mente vai se expandindo para além dos circuitos
de produção do Atlântico Norte e vai englobando
segmentos das burguesias nacionais e burocracias
estatais de vários países. (Pijl, 1998; Gill, 2003).
Em termos analíticos, a CCT seria com-
posta, de acordo com Robinson e Harris
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(2000), pelos proprietários e controladores do
capital transnacional, ou seja, os donos e ge-
renciadores dos principais meios de produção
mundiais – as corporações transnacionais e as
instituições nanceiras privadas. Gill (2003)
acrescenta também ao bloco, parte dos princi-
pais políticos e funcionários públicos dos países
centrais capitalistas e de parte dos países menos
desenvolvidos. Por sua vez, Sklair (2000) sis-
tematiza quatro frações ou grupos interligados
no interior da CCT. Seriam eles os seguintes:
1) proprietários e controladores (executivos) das
corporações transnacionais e suas liadas locais
- a fração corporativa; 2) burocratas e políticos
globais - a fração estatal; 3) prossionais globais
- a fração técnica; 4) comerciantes e a mídia - a
fração consumidora. A existência de uma quin-
ta fração é apontada por Harris (2003), consti-
tuída pelo complexo industrial/militar.
A CCT estaria no centro da tentativa de
construção de um bloco histórico em âmbito
transnacional. O bloco seria composto por forças
econômicas e políticas guiadas pelos processos de
acumulação e produção voltados para o transna-
cional, constituindo assim, o “bloco globalista”.
(Robinson; Harris, 2000). É importante perceber
este bloco como um projeto de hegemonia
2
trans-
nacional; mas, um projeto que ainda está incom-
pleto e é alvo de contestações. (Robinson, 2005).
Esta CCT instrumentalizou o aparato de
Estado Transnacional (ETN), “[...] uma rede
frouxa composta de instituições políticas e eco-
nômicas inter e supranacionais, juntamente com
aparatos de estado nacionais que foram penetra-
dos e transformados por forças transnacionais,
e ainda não adquiriu (e podem nunca adquirir)
2 Tanto a noção de bloco histórico como a de hegemonia
mobilizadas remetem à tradição gramsciana em Relações
Internacionais. Para mais detalhes sobre estes conceitos ver
Morton (2007).
qualquer forma centralizada.” (Robinson, 2010,
p.10). As instituições do ETN buscam coorde-
nar o capitalismo global, assim como garantir a
expansão capitalista para além das fronteiras na-
cionais através de um sistema legal e regulatório
supranacional construído ao longo das últimas
décadas – corporicado em organizações inter-
nacionais e fóruns políticos globais – com o in-
tuito de garantir a manutenção e reprodução da
economia global (Robinson, 2010).
3
Dentro do aparato ETN destacamos os fó-
runs políticos globais. Estes fóruns são espécies de
hubs para a elite corporativa global, atuando para
forjar “[...] visões estratégicas e morais, assim como
as políticas, informando os interesses capitalistas
transnacionais.” (Carroll; Carson, 2003, p. 31).
Sendo assim, os fóruns de formulação de política
fazem parte do aparato do Estado transnacional,
no qual a economia global é decidida (Harris,
2013), ajudando na criação de consenso em torno
de variantes do discurso neoliberal. (Carroll; Car-
son, 2003). Em síntese, “[...] são agências de lide-
rança política e cultural, cujas atividades são parte
integrante da formação de uma classe capitalista
transnacional.” (Carroll; Carson, 2003, p. 53).
Empiricamente, estes fóruns são importan-
tes para a rede corporativa global, que por sua
vez é utilizada como indício da formação de uma
CCT. As diversas reuniões destes grupos contri-
buem para aproximar os diretores e executivos
das principais corporações mundiais, integran-
do-os em uma elite corporativa. Em resumo, os
fóruns políticos globais “[...] fornecem um -
cleo duro politicamente e socialmente ativo para a
rede corporativa global [...]” (Carroll, 2010:192),
atuando como pontos de integração na estrutura
de poder corporativo global. (Carroll, 2010).
3 O conceito de ETN mobilizado por Robinson (2010) é
derivado diretamente do conceito de internacionalização do
Estado de Cox (1981).
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Os principais fóruns políticos globais
apontados pela literatura – e que serão utiliza-
dos neste trabalho - são os seguintes: o grupo
Bilderberg, a Comissão Trilateral (CT), a Câ-
mara Internacional de Comércio (CIC), o UN
Gobal Compact (UNGC), o Fórum Econômico
Internacional (FEM), o Council on Foreign Re-
lations (CFR), e o World Business Council For
Sustainable Development (WBCSD).
Diante destas discussões, nosso argumen-
to é de que, inicialmente de um ponto de vista
teórico, o B20 pode ser compreendido como
mais um ponto de integração para a elite corpo-
rativa global, um fórum que ainda não foi con-
siderado como importante na rede corporativa
global, mas que pode estar contribuindo – em
conjunto com os demais fóruns - para a forma-
ção de uma classe capitalista transnacional. A
seguir trataremos das principais características
do B20 que nos levaram a tal argumento.
O B20
O B20 (Business 20) surge de um processo
de expansão de atividades do G20 oriunda de
sua reformulação inerente à crise nanceira de
2008. Esta expansão envolve o fortalecimento
do diálogo com setores da sociedade civil e do se-
tor privado. Dentre os vários grupos de diálogos
4
que surgem desta expansão de atividades, o B20
destaca-se pela sua crescente atuação junto às cú-
pulas anuais do G20. (Ramos; Parreiras 2019).
O B20 realizou o seu primeiro encontro ocial
em 2010, na Cúpula de Toronto. De lá até aqui,
o fórum organizou mais onze encontros ociais,
sendo o último no ano de 2020 organizado em
Riade, Arábia Saudita, reunião realizada via ví-
deo conferência devido a pandemia global. Em
4 Existem mais cinco grupos de diálogo com o G20: Civil 20,
ink 20, Labour 20, Youth 20 e o Women 20.
cada um dos encontros é produzido um docu-
mento contendo recomendações do setor pri-
vado aos líderes do G20. Estas recomendações
encontram respaldo no próprio G20, no tocante
em que várias recomendações acabam sendo in-
corporadas na própria declaração dos líderes do
Grupo dos 20. (Ramos; Parreiras 2019).
O B20 organiza-se em torno de forças tare-
fas que procuram dialogar com a própria agenda
de discussões estabelecidas pelo G20 para a cú-
pula anual. O número de executivos envolvidos
nas discussões do B20 vem aumentando consi-
deravelmente, passando de mais de uma centena
representando 119 empresas e organizações na
Cúpula de Seul, para centenas de executivo re-
presentando 547 empresas e organizações na Cú-
pula de Hamburgo. Geralmente as reuniões do
B20 recebem o apoio direto dos grandes sindi-
catos de empresas e câmaras de comércio do país
que está a sediar as reuniões, além do contarem
com o envolvimento direto da Câmara Interna-
cional de Comércio (CIC) e de grandes empresas
de consultoria. (Ramos; Parreiras 2019).
No geral não há uma regra clara de repre-
sentatividade no B20, como um número especí-
co de executivos por país membro do G20, por
exemplo. Mas existem alguns padrões. Primeiro
o país que está a sediar a cúpula do G20/B20 é o
que possui mais empresas/organizações - sediadas
em seu território - representadas nas discussões do
B20. Segundo, o pertencimento ocial ao G20
não garante ao país uma representatividade no
B20. Terceiro, as empresas/organizações sediadas
nos países do Atlântico Norte são as mais comuns
dentre as empresas representadas nas discussões
do B20, mas há uma crescente presença das em-
presas sediadas na Ásia, principalmente China,
Índia e Coréia do Sul.
5
(Ramos; Parreiras 2019).
5 Aqui estão descritas apenas as características gerais do B20.
Para mais detalhes ver Ramos e Parreiras (2019).
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Desta forma, ao longo de mais de uma
década, o B20 vem se consolidando como um
importante ponto de interação entre elites lo-
cais e regionais com as elites centrais do capi-
talismo. Diante destas características do B20
e diante das discussões teóricas em torno da
importância dos fóruns políticos internacio-
nais para os processos de uma CCT e de um
ETN, é possível propor a seguinte hipótese:
H1 – o B20 está consolidando-se como um
fórum político global inserido na rede cor-
porativa global, tornando-se assim, mais um
lócus para a formação e consolidação de uma
CCT, ou seja, revela-se como parte integrante
do aparato do Estado Transnacional.
O B20 na rede de fóruns
privados
Para vericarmos a hipótese levantada
acima, realizaremos uma análise da rede de
relações do B20 com os outros sete fóruns
políticos globais citados anteriormente. Esta
rede de relações é estabelecida através do
compartilhamento de participantes em co-
mum entre os fóruns. Ou seja, se dois fóruns
possuem o mesmo participante é criado um
link entre eles. Para construir esta rede levan-
tamos os dados referentes aos participantes
do B20 e dos outros sete fóruns para os anos
de 2010 e 2017. Estes dados foram obtidos
através de documentos ociais e websites o-
ciais das organizações. Os anos foram selecio-
nados com base na disponibilidade de dados,
tendo em vista a diculdade de se obter dados
públicos acerca de alguns fóruns. Inclusive,
a CIC foi inserida apenas na rede de 2017
devido à ausência de dados para este fórum
em 2010. Estes dados nos permitiram cons-
truir duas redes de relações entre os fóruns,
uma para 2010 e uma para 2017. Estas redes
foram elaboradas através de matrizes de adja-
cências geradas e analisadas através do softwa-
re Ucinet (Borgatti; Everett; Freeman, 2002),
o qual também foi utilizado para a elaboração
dos grafos (imagens) das redes e os cálculos
das métricas de centralidade. Os dados obti-
dos sobre os fóruns e seus participantes estão
sumarizados na Tabela 1.
Tabela 1 - Os Principais Fóruns Políticos
Globais e o Número Respectivo de Partici-
pantes/Diretores em 2010 e 2017.
FÓRUM
2010
2017
Bilderberg 124 130
Comissão Trilateral (CT) 223 433
Câmara Internacional de Comércio (CIC) - 6
Fórum Econômico Mundial (FEM) 66 77
UN Global Compact (UNGC) 10 15
Council on Foreign Relations (CFR) 31 54
World Business Council For Sustainable Develop-
ment (WBCSD)
15 16
B20 105 1320
Fonte: Elaborado pelo autor.
Com base nos grafos (Imagem 1 e Ima-
gem 2) podemos fazer algumas inferências
iniciais. Tanto em 2010 quanto em 2017 o
B20 está interligado direta e indiretamen-
te aos demais fóruns políticos globais. Em
2010 o B20 possuía 5 links com Bilderberg,
4 links com a CT, 2 com o FEM e 1 com o
WBCSD. Em 2017 os links foram: 6 com
a CT, 4 com o FEM, 3 com a CIC, 2 com
Bilderberg e 1 com o UNGC. De um ponto
de vista quantitativo é possível afirmar que
com o passar dos anos desde a sua fundação,
o B20 ficou cada vez mais integrado a rede
de fóruns privados, aumentando tanto o seu
número de links – 12 para 16 – quanto o
número de relações diretas com outros fó-
runs – 4 para 5.
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Imagem 1 - Rede dos Fóruns Internacionais em 2010
Fonte: Elaborado pelo autor.
Imagem 2 - Rede dos Fóruns Internacionais em 2017
Fonte: Elaborado pelo autor.
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Outro dado importante são os linkers, ou
aqueles indivíduos que estabelecem os links
entre os fóruns. Com base e na Tabela 2, po-
demos perceber que de maneira geral, tanto a
rede 2010 quanto a de 2017, são constituídas
por small linkers, ou seja, aqueles diretores/
participantes que interligam apenas 2 fóruns.
Em 2010 havia apenas um big linker (interli-
gando 4 fóruns ou mais) que interligava o B20
a outros 3 fóruns: Bilderberg, CT e WBCSD.
No mesmo ano, dos 3 mid linkers (diretores/
participantes que interligam 3 fóruns) 1 parti-
cipava do B20; e dos 24 small linkers, 8 inter-
ligavam o B20 a outros fóruns. Em 2017 dos
2 mid linkers, 1 interligava o B20 a outros dois
fóruns (CT e Bilderberg) e dos 29 small linkers
13 eram membros do B20. Diante destes dados
conseguimos perceber que parcela considerável
dos linkers das redes de fóruns políticos globais
integram o B20.
Tabela 2 - Linkers
2010 2017
Small linkers 24 29
Mid linkers 3 2
Big linkers 1 -
Total 28 31
Fonte: Elaborado pelo autor.
No presente estudo é de grande interesse
a centralidade dos fóruns na rede de relações.
Um ator é muito central em uma rede quando
ele está engajado em muitas relações. (Lazega;
Higgins, 2014). Para avaliarmos a centralidade
dos atores na rede de fóruns privados, iremos
utilizar três medidas: centralidade de grau (de-
gree), centralidade de proximidade (closeness) e
a centralidade de intermediação (beteweeness) –
apresentadas na Tabela 3. A centralidade nos é
cara, pois, estudos já demonstraram que os fó-
runs privados de formulação de política são im-
portantes para a rede corporativa global atuan-
do como intermediadores na rede de diretores
das principais corporações mundiais. (Carroll;
Carson, 2003; Carroll, 2010). Desta forma,
acreditamos que a análise da relação do B20
com os demais fóruns e de sua centralidade
na rede de relação com estes, é um importante
indicativo de que ele também pode ser consi-
derado como mais um ponto de integração na
estrutura de poder corporativo global.
A simples medida da centralidade de
grau (degree) dos nodos – que indica o núme-
ro de arcos incidentes sobre o nodo - já nos
revela importantes informações sobre a rede
dos fóruns políticos globais. Em 2010 os três
fóruns com maior centralidade de grau eram:
Bilderberg com 32% do total de arcos da rede
incidindo sobre ele; CT com 29% e o B20
com 15%. Já em 2017 os três fóruns ainda
são os mais centrais, contudo a uma mudan-
ça substancial nos valores. A CT passa a ser o
fórum mais central da rede com 39% do total
de arcos da rede incidindo sobre ela; enquanto
o B20 agora aparece como o segundo fórum
mais central com 28%; seguido de Bilderberg
com 25%. O aumento da centralidade de
grau do B20 entre 2007 e 2010 é expressiva,
tendo o score praticamente dobrado. Outro
fórum que apresentou um aumento vertigino-
so em sua centralidade de grau foi o CFR, que
praticamente triplicou seu score, tornando-se
o quarto fórum com a maior centralidade de
grau da rede.
A centralidade de proximidade (closeness)
indica a proximidade de um ator com relação
aos demais atores da rede, revelando a rapi-
dez ou facilidade com que um ator interage
com os demais; tendo em vista que esta me-
dida, em síntese, é o número mínimo de pas-
sos (clics) que o ator deve realizar para entrar
em contato com os demais. (Lazega; Higgins,
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2014). O score closeness varia de 0 a 1, sendo
que 1 indica que o ator é adjacente a todos os
outros. Em 2010 os fóruns com maiores sco-
res de proximidade eram a CT com 1 – com
ligações diretas com todos os outros fóruns da
rede; Bilderberg com 0,85 e o B20, FEM e o
WBCSD, os três com 0,75. Em 2017 os dois
fóruns com maior centralidade de proximida-
de são o B20 e Bilderberg, ambos com 0,78,
seguidos pela CT com um score de 0,63. En-
tre 2010 e 2017 o B20 passou a ser, ao lado de
Bilderberg, o fórum com maior centralidade
de proximidade, enquanto a CT reduziu a sua
centralidade, não estando mais ligada direta-
mente a todos os fóruns.
Última dentre as medidas de centralidade
mobilizadas para o estudo, a centralidade de in-
termediação (beteweeness) advém do controle que
um ator da rede exerce sobre dois outros atores. A
ideia é que, quanto “[...] mais um ator se encon-
trar “no meio”, como ponto de passagem obriga-
tório por caminhos que outras pessoas devem to-
mar para se encontrar, mais central ele será [...]”.
(Lazega; Higgins, 2014, p. 44). Em 2010 apenas
a CT – 43,3 – e Bildeberg – 10,0 – intermedia-
vam relações na rede. Já em 2017 o B20 também
passa a intermediar relações na rede em conjunto
com os outros dois fóruns. Além, o B20 passa a
ser o fórum mais central na rede de um ponto de
vista da intermediação, possuindo o maior score.
Tabela 3 - Índices de Centralidade
Degree 2010 Degree 2017 Closeness 2010 Closeness 2017 Betweeness 2010 Betweeness 2017
B20 0.154 0.286 75.000 77.778 0 54.762
BIL 0.321 0.250 85.714 77.778 10.00 42.857
CIC - 0.054 - 46.667 - 0
CFR 0.064 0.179 60.000 50.000 0 0
CT 0.295 0.393 100.00 63.636 43.33 7.143
FEM 0.077 0.089 75.000 58.333 0 0
UNGC 0.013 0.018 54.545 46.667 0 0
WBCSD 0.077 0.018 75.000 46.667 0 0
Fonte: Elaborado pelo autor.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante das discussões e análises apresen-
tadas podemos concluir que a nossa hipótese
“H1: o B20 está consolidando-se como um fó-
rum privado de formulação de política inserido
na rede corporativa global, tornando-se assim,
mais um lócus para a formação e consolidação
de uma CCT” foi em parte corroborada. Além
de estar inserido na rede de fóruns internacio-
nais, ligado direta e indiretamente através de
membros em comum aos principais fóruns
consolidados pela literatura, o B20 revelou-se
como um elemento importante na própria rede
de fóruns internacionais. Desde o ano de fun-
dação o B20 revela-se central na rede. O úni-
co big linker da rede de 2010, interligando 4
fóruns, também era um membro do B20. Em
todas as medidas de centralidade para os dois
anos analisados, o B20 encontra-se entre os três
fóruns mais centrais. Em 2017, o fórum reve-
la-se o principal – ao lado de Bilderberg - em
termos de proximidade, estando interligado a
quase todos os fóruns. Já em termos de inter-
mediação, em 2017, o B20 revela-se como o
fórum mais central da rede.
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Se os fóruns políticos globais - como a CT
e o FEM - podem ser apontados como parte
integrante no processo formação de uma CCT,
nos quais seus integrantes atuam em prol da
estabilidade e reprodução do sistema capitalista
e suas relações sociais; o B20, também pode ser
apontado como um potencial novo lócus para a
formação e consolidação de uma CCT. O com-
partilhamento de vários integrantes com os de-
mais fóruns e a sua centralidade na própria rede
dos fóruns internacionais, credenciam o B20
como mais um importante ponto de integração
na estrutura de poder corporativo global. Con-
tudo, comparado aos demais fóruns, o B20
ainda carece de institucionalização e status.
Todavia, a sua presidência rotativa – acompa-
nhando o G20 - o aproxima das comunidades
de negócios locais e regionais, o que lhe confere
a possibilidade de aproximar as elites dos cen-
tros tradicionais das elites emergentes.
De qualquer forma, os pontos levantados
no presente trabalho ainda carecem de maiores
estudos, principalmente acerca do próprio pa-
pel do B20 na rede corporativa global. Ainda
assim, é possível apontarmos que há indícios de
que o B20 vem adquirindo importância similar
aos demais fóruns privados de formulação de
políticas.
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