
4 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.20 n.3, p.2 - 10, abr. 2023
(2000), pelos proprietários e controladores do
capital transnacional, ou seja, os donos e ge-
renciadores dos principais meios de produção
mundiais – as corporações transnacionais e as
instituições nanceiras privadas. Gill (2003)
acrescenta também ao bloco, parte dos princi-
pais políticos e funcionários públicos dos países
centrais capitalistas e de parte dos países menos
desenvolvidos. Por sua vez, Sklair (2000) sis-
tematiza quatro frações ou grupos interligados
no interior da CCT. Seriam eles os seguintes:
1) proprietários e controladores (executivos) das
corporações transnacionais e suas liadas locais
- a fração corporativa; 2) burocratas e políticos
globais - a fração estatal; 3) prossionais globais
- a fração técnica; 4) comerciantes e a mídia - a
fração consumidora. A existência de uma quin-
ta fração é apontada por Harris (2003), consti-
tuída pelo complexo industrial/militar.
A CCT estaria no centro da tentativa de
construção de um bloco histórico em âmbito
transnacional. O bloco seria composto por forças
econômicas e políticas guiadas pelos processos de
acumulação e produção voltados para o transna-
cional, constituindo assim, o “bloco globalista”.
(Robinson; Harris, 2000). É importante perceber
este bloco como um projeto de hegemonia
2
trans-
nacional; mas, um projeto que ainda está incom-
pleto e é alvo de contestações. (Robinson, 2005).
Esta CCT instrumentalizou o aparato de
Estado Transnacional (ETN), “[...] uma rede
frouxa composta de instituições políticas e eco-
nômicas inter e supranacionais, juntamente com
aparatos de estado nacionais que foram penetra-
dos e transformados por forças transnacionais,
e ainda não adquiriu (e podem nunca adquirir)
2 Tanto a noção de bloco histórico como a de hegemonia
mobilizadas remetem à tradição gramsciana em Relações
Internacionais. Para mais detalhes sobre estes conceitos ver
Morton (2007).
qualquer forma centralizada.” (Robinson, 2010,
p.10). As instituições do ETN buscam coorde-
nar o capitalismo global, assim como garantir a
expansão capitalista para além das fronteiras na-
cionais através de um sistema legal e regulatório
supranacional construído ao longo das últimas
décadas – corporicado em organizações inter-
nacionais e fóruns políticos globais – com o in-
tuito de garantir a manutenção e reprodução da
economia global (Robinson, 2010).
3
Dentro do aparato ETN destacamos os fó-
runs políticos globais. Estes fóruns são espécies de
hubs para a elite corporativa global, atuando para
forjar “[...] visões estratégicas e morais, assim como
as políticas, informando os interesses capitalistas
transnacionais.” (Carroll; Carson, 2003, p. 31).
Sendo assim, os fóruns de formulação de política
fazem parte do aparato do Estado transnacional,
no qual a economia global é decidida (Harris,
2013), ajudando na criação de consenso em torno
de variantes do discurso neoliberal. (Carroll; Car-
son, 2003). Em síntese, “[...] são agências de lide-
rança política e cultural, cujas atividades são parte
integrante da formação de uma classe capitalista
transnacional.” (Carroll; Carson, 2003, p. 53).
Empiricamente, estes fóruns são importan-
tes para a rede corporativa global, que por sua
vez é utilizada como indício da formação de uma
CCT. As diversas reuniões destes grupos contri-
buem para aproximar os diretores e executivos
das principais corporações mundiais, integran-
do-os em uma elite corporativa. Em resumo, os
fóruns políticos globais “[...] fornecem um nú-
cleo duro politicamente e socialmente ativo para a
rede corporativa global [...]” (Carroll, 2010:192),
atuando como pontos de integração na estrutura
de poder corporativo global. (Carroll, 2010).
3 O conceito de ETN mobilizado por Robinson (2010) é
derivado diretamente do conceito de internacionalização do
Estado de Cox (1981).