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Conjuntura Internacional Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.20 n.1, p.39 - 50, abr. 2023
Adis Abeba como modelo de
reflexão sobre a Cooperação Sul-Sul e
desenvolvimento de uma Cidade Global
na África Oriental
Addis Abeba como modelo de reflexión sobre la cooperación Sur-Sur y el desarrollo de
una Ciudad Global en África Oriental
Addis Ababa as a model for reflection on South-South Cooperation and the development
of a Global City in East Africa
Recebido em: 7 de março de 2022
Aprovado em: 21 de setembro de 2023
DOI: 10.5752/P.1809-6182.2023v20n1p39-50
João Pedro Silveira Martins
1
Resumo
Este artigo visa aprofundar a compreensão acerca de como as políticas de cooperação sino-
etíopes, inseridas no contexto das relações Sul-Sul, estão moldando novas dinâmicas de
poder descentralizado no Sul Global e contribuindo para a formação de uma cidade global
em solo africano. O presente artigo inicia por explorar a abordagem da política externa
chinesa em relação à Etiópia e, em seguida, lança um olhar detalhado sobre um estudo de
caso que aborda a emergência de Adis Abeba como um notável polo tecnológico, político
e econômico, solidificando-se como uma forte candidata a se tornar a próxima Cidade
Global Sub-Saariana.
Palavras-Chave
:
Cidade
Global
Etiópia
China
-
Adis
Abeba
Cooperação
Sul-Sul
Abstract
This article seeks to comprehend how Sino-Ethiopian cooperation policies, within the
context of South-South relations, are generating new dynamics of decentralized power in
the Global South and contributing to the emergence of a global city in Africa. The paper
begins by delving into China’s foreign policy approach towards Ethiopia and subsequently
conducts a concise case study on the construction of a technological, political, and economic
vanguard in the city of Addis Ababa, positioning it as a strong contender to become the
next Sub-Saharan Global City.
Keywords:
Global
City
Ethiopia
-
China
-
Addis
Ababa
-
South-South
Cooperation
1 Doutor em Sociologia pela Universitat Autònoma de Barcelona. Pesquisador no Centre d’Estudis i Recerca en Migracions e
fundador da consultora Bela Vista Education for Development. Contato: jipemartins@gmail.com.
Artigo
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Resumen
Este artículo trata de comprender cómo las políticas de cooperación sino-etíopes, en
el contexto de las relaciones Sur-Sur, están generando nuevas dinámicas de poder
descentralizado en el Sur Global y contribuyendo al surgimiento de una ciudad global en
África. El artículo comienza profundizando en el enfoque de la política exterior china
hacia Etiopía y posteriormente realiza un conciso estudio de caso sobre la construcción
de una vanguardia tecnológica, política y económica en la ciudad de Addis Abeba,
posicionándola como una firme aspirante a convertirse en la próxima Ciudad Global
subsahariana.
Palabras
clave:
Ciudad
Global
-
Etiopía
-
China
-
Addis
Abeba
-
Cooperación
Sur-Sur.
Introdução: China em África
A China consolidou sua posição como
um dos principais importadores de commodi-
ties da África durante sua fase de amplo cresci-
mento econômico nas duas primeiras décadas
do culo 21. Essa afirmativa chama a atenção
para o fato de que o desenvolvimento dos paí-
ses africanos nos anos recentes está diretamente
e intimamente ligado ao progresso chinês, por
meio da venda de produtos agcolas e petróleo
para o país asiático. Entretanto, as relações si-
no-africanas ultrapassaram a simples troca de
commodities e passaram a estabelecer um ou-
tro núcleo de operações na cooperação para o
desenvolvimento, o que tem suscitado debates
sobre a natureza do modelo de cooperação ado-
tado no Sul Global. (Vadell et al, 2014).
Um ponto de interesse digno de obser-
vação neste “modelo de cooperação reside na
transão do discurso baseado na doação e aju-
da ao desenvolvimento, adotado pelos doado-
res, para uma abordagem de “ajuda ao desen-
volvimento apresentada pelo próprio governo
chinês. A China estabelece parcerias com di-
ferentes regiões do Sul Global (Sharma, 2016;
Li, 2013; Harris, R L., Y Arias, A. A, 2016),
especialmente no contexto deste estudo, com a
África, em consonância com sua própria ideo-
logia de política externa, que se apoia em in-
teresses ecomicos mútuos com essas nões.
Estas noções de assistência sofreram várias
transformações nos últimos anos. Os investi-
mentos diretos estrangeiros em pses africanos
eram inicialmente modestos até os primeiros
anos do século XXI, mas agora eles represen-
tam um dos pilares centrais da cooperão eco-
nômica chinesa com essas nações (Hackenesch,
2011; Zhang, 2016).
No entanto, essa mudança não é algo
novo e tem suas raízes no início do século. O
Fórum de Cooperão Chinafrica (FOCAC)
de 2000, realizado em Pequim, marcou um
momento crucial na agenda de política externa
chinesa, com relevância significativa para as na-
ções africanas. Nessa ocaso, a China não ape-
nas se comprometeu a oferecer ajuda simples,
mas também a criar um amplo conjunto de
oportunidades que abrange acordos comerciais
ambiciosos, empréstimos com taxas atrativas
para projetos de infraestrutura, investimento
direto, assistência técnica e até mesmo capaci-
tação de trabalhadores (Hackenesch, 2011).
Durante a reunião do FOCAC em 2009,
realizada na cidade de Sharm el Sheik, Egito,
foram apresentados novos projetos com o obje-
tivo de ampliar a abrangência política da coo-
perão e incorporar queses climáticas, cien-
ficas e tecnogicas à agenda. O investimento
chinês se diferencia significativamente dos
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doadores tradicionais europeus, pois a China
fundamenta sua abordagem de cooperação na
noção de ser uma alternativa às potências tra-
dicionais do Norte Global em outras palavras
oferece uma saída da dependência dos antigos
impérios coloniais (Hackenesch, 2011).
A China está buscando se posicionar como
a “potência em crescimento líder”, que pode se
relacionar de maneira compreensiva com esses
países devido ao seu contexto histórico de co-
lonizão (Vadell, 2021). Isso a transforma em
uma alternativa justa e viável para a cooperação
fora do tradicional eixo Norte-Sul, o que ficou
ainda mais evidente com a nocia da expansão
do BRICS no ano de 2023 e tamm das obras
da chamada Nova Rota da Seda (Pautasso, Un-
garetti, 2017; Rodrigues, 2020).
De todas formas, dentro dos princípios
de sua política externa, o governo chinês rea-
firmava seu compromisso com as normas wes-
tphalianas de soberania e não interfencia nos
assuntos internos na conferência Sino-Africana
de Cooperação Internacional ocorrida na pri-
meira década do século 21, momento de maior
acercamento entre China e Etiópia. (King,
2007). O objetivo da cooperão sino-africana
o é impor reformas econômicas ou políticas
aos países africanos, mas sim negociar projetos
abrangentes no campo da infraestrutura e dos
recursos de prodão por meio de acordos entre
empresas estatais chinesas e governos nacionais.
Portanto, essas relações podem ser considera-
das como uma forma de cooperação win-win
(Zhao, 2004).
China na Etpia
A Etiópia é o único país do continente
Africano que não sofreu por um processo de co-
lonizão, exceto pela breve ocupação italiana
durante a Segunda Guerra Mundial, finalizada
quando o imperador Haile Selassie regressa ao
país. Atualmente, sua economia está ancorada
na agricultura, sendo a exportação de café uma
importante fonte de receita. No entanto, a pro-
dução agrícola é frequentemente prejudicada
por secas recorrentes. Diante desse cenário, o
governo etíope tem direcionado recursos para
áreas cruciais como segurança alimentar, edu-
cação, saúde, acesso à água potável e combate
ao HIV. Além disso, o país tem implementado
projetos ambiciosos de desenvolvimento urba-
no, por meio de grandes empreendimentos de
infraestrutura. Esses projetos requerem consi-
deráveis recursos financeiros externos, incluin-
do empstimos, e conhecimentocnico espe-
cializado. (Thakur, 2009).
O FOCAC em 2000 marcou um momen-
to de grande importância para a obtenção des-
ses recursos, uma vez que iniciou um diálogo
efetivo entre a África e a China, o qual resultou
na formulação de planos de ação destinados a
alcaar medidas internas de desenvolvimento.
no seu lançamento em 2000, a Etiópia se
destacava como o único país a ser beneficia-
do por todas as pautas de cooperação chinesa.
Entre essas medidas, merece destaque a imple-
mentação de tarifas zero para produtos etíopes,
o cancelamento de dívidas e o início de grandes
projetos de infraestrutura, visando fortalecer as
propostas do governo etíope da época. (Tha-
kur, 2009).
Os acordos voltados para a infraestrutura
abriram caminho para o ingresso de diversas
empresas chinesas em setores como transporte,
tecnologia, energia e constrão civil, tais como
a China Import Export Corporation para con-
juntos de equipamentos, a Highway Bridge En-
gineering China Corporation, a China Water
Conservancy & Hydropower Engineering Cor-
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poration, a China Aviation Technology Co., a
China Wanbao Engineering Co., a China Cons-
truction Corporation, a Zhongyuan Petroleum
Prospecting, a Jiangxi International Co. e a Da-
lian Jinzhou Textile Group (Thakur, 2009).
Cumpre ressaltar que o governo etíope re-
conhece a necessidade de preservar sua sobera-
nia e interdependência, ao mesmo tempo em
que enaltece o papel da China ao compartilhar
suas experiências de desenvolvimento e ofe-
recer suporte técnico. A administração etíope
está plenamente consciente da natureza eco-
nomicamente orientada da assistência chinesa
ao país, e expressa claramente seu interesse em
manter as relões sino-etíopes próximas, com
o intuito de garantir uma continuidade cons-
tante e relevante nos fluxos de auxílio destina-
dos aos projetos planejados nos próximos anos
(Thakur, 2009).
Em contrapartida a esses benefícios eco-
nômicos, o governo etíope demonstrou seu
apoio incondicional à China em diversos fó-
runs internacionais, especialmente durante
seu período como membro da Comissão de
Direitos Humanos da ONU até 2007. Nessa
fuão, o governo etíope defendeu consistente-
mente as posições da China em relação ao Ti-
bete e Taiwan, recusando-se a condenar o país
por supostas violações de acordos referentes aos
Direitos Humanos (Thakur, 2009).
Venkataraman e Gofie (2015) sustentam
que a afinidade ideológica entre os governos
dos dois países e o próprio ritmo de desenvol-
vimento chis foram os principais catalisado-
res por trás de seus projetos cooperativos, que
estão se mostrando cada vez mais promissores.
No âmbito político, as ideologias de coexistên-
cia pacífica refletidas nos cinco princípios de
política externa da China desempenham um
papel de extrema importância na consolidação
dessas relões. Esses prinpios afastam a co-
notação imperialista e intervencionista associa-
da ao Ocidente em relação à África, propondo,
em vez disso, uma cooperação que se preten-
de horizontal, fundamentada em uma base de
confiança tua entre os dois pses (Venkata-
raman; Gofie, 2015). Esses princípios são:
Panchsheel, ou os Cinco Prinpios da coexis-
tência pacífica, foram pela primeira vez for-
malmente enunciados no Acordo sobre Co-
rcio e Relações entre a região do Tibet na
China e da Índia, assinado em 29 de Abril de
1954, que afirmou, em seu preâmbulo, que
os dois governos decidiram entrar no acordo
presente baseados nos princípios:
I respeito tuo pela integridade territorial
e soberania;
II o-agressão mútua;
III Não interferência tua;
IV Igualdade e benefício mútuos e
V Co-existência pacífica. (India, 2014, p.2)
A principal diretriz da política externa
chinesa em relação à África é o respeito pelos
países africanos”, e a o intervenção em suas
estruturas políticas parece ser rigorosamente
observada. O benefício econômico mútuo é
uma nica central nos projetos de cooperação
e encontra-se explícito na política externa chi-
nesa, que é fundamentada na ideologia de cres-
cimento a qualquer custo, tanto em seu pró-
prio território quanto no continente africano
(Venkataraman; Gofie, 2015).
As relões sino-etíopes enfrentam diver-
sos desafios em seus próximos passos, embora
a cada momento surjam oportunidades pro-
missoras para ambos os países. De acordo com
Geda e Meskel (2010), os principais desafios in-
cluem a) empresas etíopes especializadas em ex-
portação de manufaturas competindo com ou-
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tros mercados e b) produtos manufaturados por
produtores locais sendo excluídos do mercado.
Nos últimos anos, surgiram críticas relevan-
tes que lançaram vidas sobre a natureza das
relações sino-etíopes. Alguns jornais retrataram a
Etiópia como um novo fronte na busca chinesa
por mão-de-obra barata para produtos manufa-
turados mais simples (Ethiopia Becomes... 2015),
enquanto outros criticaram o uso de trabalhado-
res chineses em projetos de infraestrutura e tecno-
logia no país. Empresas de engenharia civil, res-
ponsáveis por grandes projetos de infraestrutura
e energia, o contrataram trabalhadores locais,
o que poderia ter sido benéfico para a economia
etíope, e os alocaram em posições de produção de
níveis mais baixos (Geda; Meskel, 2010).
Portanto, é de suma importância analisar
os principais projetos de cooperação chinesa
com a Etiópia para compreender os impactos
na economia local, especialmente no que diz
respeito ao emprego e ao desenvolvimento do
comércio etíope. Os autores também apontam
quatro áreas de influência chinesa no país: “I)
fluxos de comércio; II) fluxo de Investimento
Externo Direto, transferência de tecnologia e
integração na cadeia global de valor; III) fluxos
de ajuda; e IV) questões de governança (Geda;
Meskel, 2010, p.4). Outros pontos importantes
são mencionados como fatores intervenientes
nas relações sino-etíopes, incluindo impactos
ambientais, fluxos financeiros e a participão
em instituições de governança internacional -
ou regional (Geda; Meskel, 2010).
novo polo de tecnologia, centro de transporte
e abriga a sede da Uno Africana, resultante
da cooperação sino-etíope. No entanto, para
conduzir essa discussão, é necessário com-
preender por que a cidade se tornou um dos
destinos mais importantes para os investimen-
tos capitalistas noculo XXI (Degefa, Cheru,
2021; Cheru, Shaw, 2018; Schiere et al, 2011).
Investimentos Certeiros:
reflexões sobre a produção do
espaço nas cidades
O geógrafo inglês David Harvey (1989)
analisa em sua obra
2
sobre o Direito à Cidade
como a globalização molda o espaço urbano.
Inspirado por Marx & Engels (2003), Harvey
descreve as mudanças na produção do espaço
nas cidades, observando o surgimento de inves-
timentos imobiliários, torres de negócios e es-
paços gentrificados para a elite (Harvey, 1989).
O capital transnacional “pousa” em territórios
de alta rentabilidade durante crises de superacu-
mulação, gerando um processo de “compound
growth. O capital fictício envolve a propriedade
no sistema financeiro, transformando-a em uma
forma de religião”, monopolizando o espaço.
A constante renovão do espaço, resultante da
busca pelo lucro, gera uma destruição inovadora
e reconfiguração constante (Harvey, 2013).
No capitalismo contemporâneo, as crises
são resolvidas através do espaço. A apropria-
ção de territórios é vital. Quando
escassez
Este artigo visa analisar os investimentos
em infraestrutura na cidade de Adis Abeba
como um reflexo das positivas relações sino-e-
tíopes nas áreas de engenharia, constrão civil
e energia, contribuindo para a construção sim-
lica de uma vanguarda eope dentro do blo-
co africano. A cidade está emergindo como um
2 O trabalho de Harvey é uma releitura importante sobre as
funções da terra e da renda na acumulação capitalista para
compreender como os investimentos financeiros o crista-
lizados na cidade e alteram, talvez por séculos, toda a paisa-
gem urbana e espaço de vivência dos cidaos para objetivos
mercantilistas (Harvey, 2013). A discussão central em seu
trabalho é como o local deixa de ser o espaço de reprodução
básica da vida para ser uma forma de produção de capital,
alterando drasticamente a vida dos cidadãos pelo uso do es-
paço na acumulação de capital (Harvey, 1989).
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de mão-de-obra, a produção se expande para
outros locais, ultrapassando fronteiras. A inser-
ção em novos lugares busca elasticidade e mão-
-de-obra, modificando espaços e sociabilidades
para se tornarem palcos de marketing e hibri-
dismo cultural, facilitando a venda da cultura
capitalista contemporânea (Harvey, 2013).
A Cidade Global é um paradigma molda-
do pelo processo de fixação do capital em um
terririo específico. Short (2005) ilustra como
a Globalização influencia o desenvolvimento
urbano, levando cidades a construir aeroportos
internacionais, centros de negócios e mercados
de luxo, além de sediar eventos internacionais,
trazendo portanto o debate da produção do es-
paço nas cidades para as Relações Internacio-
nais
3
(Short, 2005).
Apesar da globalização ser virtual em sua
essência e das mudaas sismicas parecerem
distantes da realidade das pessoas nas cidades,
a coordenação e operação do sistema que man-
tém esse sistema global ativo são realizadas em
territórios físicos. Em outras palavras, mesmo
que a produção global e a descentralização da
comunicação e mobilidade o recusem a cen-
tralidade do poder, elas se manifestam nas cida-
des globais, que se reestruturam como agentes
desse sistema econômico (Sassen, 2010).
Embora Londres, Nova Iorque, Tóquio ou
Singapura sejam algumas das primeiras urbes
que vêm à mente quando pensamos no sistema
financeiro contemporâneo, novas cidades es-
tão emergindo no cenário internacional como
atores estratégicos capazes de impactar suas re-
3 Outros autores focam nas relões neoimperiais no sistema
internacional, seguindo a abordagem de Wallerstein (1976)
sobre centro e periferia. Apesar da descentralização do po-
der nas Cidades Globais (Gottdiener; Hohle; King, 2019).,
as funções globais ainda se concentram principalmente nas
cidades do Norte Global, onde ocorrem a maioria das opera-
ções financeiras, sedes de empresas e centros de pesquisa de
tecnologia e inovação (Gottdiener, Hutchison, 2011).
giões e redes globais. Um exemplo notável é a
cidade de Adis Abeba, na Etiópia, que chegou
a ser apelidada de “Dubai africana” por revis-
tas de economia durante as principais obras de
investgimento em infraestrutura e tecnologia
em meados dos anos 2010 (Addis Ababa The
Dubai..., 2015).
Figura 1: Mapa do Chifre da África com
localização de Adis Abeba
Fonte: Mapa da Etiópia dentro do Chifre da África, indicando
a cidade de Adis Abeba. Google Maps, 2021.
Adis Abeba: desenvolvimento
de uma Cidade Global na
África Oriental
No ano de 2014, a consultora financeira
ATKearney, que analisa as principais cidades
globais e elabora um ranking das próximas ci-
dades globais do futuro, classificou Adis Abeba
como a terceira cidade mais proeminente para
avanço em seu posicionamento global. O rela-
tório, que abordava as cidades com potencial
de ascensão internacional, observou que, em-
bora a inovação em números absolutos não fos-
se elevada, a performance individual da cidade
entre os anos de 2008 e 2013 foi notável, im-
pulsionada pelas elevadas taxas de crescimento
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do país nesse período. O relatório tamm des-
tacou os progressos na promão da igualdade,
da saúde e da transparência nos negócios (At
Kearney, 2014).
O que caracteriza uma cidade global é o
fato de seu centro de poder financeiro fazer
parte do território local, além de ser uma pe-
ça-chave do mercado eletrônico e virtual em
escala global. Empresas transnacionais estabe-
lecem redes de filiais com atividades paralelas
ou conjuntas, porém situadas fisicamente em
várias localidades. A inauguração da sede de
um Organismo Internacional em uma cidade,
a escolha de uma cidade específica para abrigar
a sede e o principal centro de atividades de uma
empresa, bem como a decisão de uma universi-
dade ou centro de tecnologia de criar seu prin-
cipal laboratório de tecnologia da informação
em determinada cidade, são fatores que defi-
nem essa condição de cidade global (Sassen,
2010; Kloosterboer, 2019).
Adis Abeba parece se adequar perfeita-
mente a esses critérios as se estabelecer como
um dos principais centros de poder no contex-
to africano, ao abrigar a sede da União Africa-
na, construída com recursos e envolvimento de
empresas chinesas a um custo de 200 milhões
de lares no icio de 2012. Esse edicio mo-
numental é agora um marco na skyline da cida-
de e foi considerado um “presente” chinês para
a comunidade africana. Atualmente, a cidade
é palco das principais reuniões políticas envol-
vendo a integração regional na África e emerge
como um dos centros mais relevantes de po-
lítica internacional no mundo (African Union
Opens..., 2012; Kloosterboer, 2019).
No que se refere aos sistemas de trans-
porte, Adis Abeba hoje opera como um hub
de conexões para diversos voos internacionais
com destinos à África e ao Oriente Médio. O
Aeroporto Internacional de Bole desempenha
um papel fundamental nesse contexto e está
passando por expansões significativas para a
construção de novos terminais. O projeto,
financiado por investimentos chineses, visa
aumentar a capacidade do aeroporto, propor-
cionando uma infraestrutura mais abrangente
para acomodar o fluxo crescente de passageiros
(Ethiopia Sets... 2015).
A cidade também sedia um extenso com-
plexo industrial e ostenta a distinção de ter
inaugurado a primeira linha de met na África
Subsaariana em setembro de 2015. Esse marco
assume um significado simbólico considerável,
refletindo a aspiração da rego em se estabele-
cer como um polo tecnológico no continente.
A rede de metrô, que cobre uma extensão de
17 quilômetros, interliga as zonas industriais
ao centro urbano (Sub-Saharan...2015). Essa
iniciativa foi financiada pelo Banco Exim e
construída pelo China Railway Group, uma
empresa estatal chinesa de transporte ferroviá-
rio (Want A New... 2015).
As linhas do met percorrem túneis, atra-
vessam a região industrial ao sul da cidade e
conectam-se com os distritos de Merkato e o
centro histórico. Outra linha, com trajeto a
oeste, passa pela sede da União Africana, cruza
o governo distrital e alcança áreas residenciais
modernas. A capacidade prevista do metrô é
transportar 60 mil passageiros por hora, con-
tando com duas linhas divididas em 39 esta-
ções na área metropolitana, construídas com o
apoio da China Electric Power Equipment Te-
chnology, outra empresa estatal chinesa. O go-
verno etíope ressalta a importância crítica dessa
infraestrutura para sustentar um crescimento
econômico continuado, que mantém uma taxa
de mais de 10% ao ano (ALADE; EDELEN-
BOS; GIANOLI, 2019).
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Paralelamente a esse projeto, foi planeja-
da a construção de uma ferrovia que coonecta
Adis Abeba ao Djibuti. Além disso, estão em
andamento a construção de uma usina hidrelé-
trica, a crião de túneis diversos e a realização
de obras para nivelamento de terrenos, visan-
do facilitar futuras estruturas de transporte. A
administração das ferrovias no país ficará sob
a responsabilidade do Shenzhen Metro Group
e da China Railway Engineering Corporation,
ambas empresas estatais chinesas, pelo perío-
do de cinco anos (Alade; Edelenbos; Gianoli,
2019); Modernizing... 2015).
Todas essas operões foram viabilizadas
por meio de empréstimos do Banco da Chi-
na, que ofereceu um período de carência de
três anos e uma taxa de juros de 2,6% baseada
na Libor de seis meses. A empresa beneficiá-
ria e responsável pela construção foi a China
Railway Engineering Corporation, e o projeto
deveria ser concluído em um prazo inferior a
dois anos. O empréstimo está atrelado à dívida
pública da Etiópia, que atualmente equivale a
cerca de 60% de seu PIB, e se pago por meio
dos lucros gerados pelos projetos ferroviários
(Modernizing... 2015).
Estes são exemplos concretos que ilus-
tram como atividades com localização e
endereço físicos facilmente identificáveis
podem exercer um impacto direto sobre as
comunicações, o mercado global, o desenvol-
vimento de novas tecnologias e, consequen-
temente, contribuir para a configuração de
estruturas que descentralizam o poder glo-
bal. Isso, por sua vez, facilita a consolidação
da economia neoliberal e promove a interde-
pendência entre as nações. Nesse contexto,
Adis Abeba emerge como o epicentro de tais
dinâmicas, assumindo o apenas o papel de
um local de expressão da globalização, mas
também de um ator proeminente no panora-
ma internacional.
À medida que as operações financeiras,
burocráticas e políticas internacionais se or-
ganizam em um espaço abstrato e virtual, e à
medida que seus processos se tornam cada
vez mais informatizados, cresce a estratégia de
descentralizaçãosica e a complexidade da ad-
ministração tanto por parte das fontes centrais
de poder quanto pelos centros regionais, terri-
toriais e estratégicos, bem como pelos servos
especializados fundamentais para o funciona-
mento do sistema. Tais serviços de infraestru-
tura de comunicação e mobilidade, tecnologia
da informação, pesquisa e manutenção, são
concentrados em cidades espeficas do globo,
a fim de assegurar o funcionamento contínuo
do sistema financeiro e político contemporâ-
neo (Sassen, 1991).
Adis Abeba não destoa desse paradigma e,
graças aos investimentos chineses, está trans-
cendendo suas profundas disparidades sociais
e carências de recursos, metamorfoseando-se
em um centro de excelência em termos de
tecnologia de ponta, infraestrutura urbana e
instituições políticas no contexto do Chifre da
África. A trajetória pioneira da cidade ressal-
ta como as novas relações Sul-Sul e os inves-
timentos diretos estrangeiros chineses estão,
aparentemente, contribuindo positivamente
para o cenário das cidades globais. Esse proces-
so também engendra a inclusão de uma nova
representante do Sul global na lista de desta-
que de 2014, conforme indicado pelo relatório
da At Kearney (2014). Isso reflete a mudança
gradual nas estruturas das relações antes domi-
nadas por dinâmicas Norte-Sul, ou Centro-Pe-
riferia, ao lado do processo de descentralizão
de poder e ancoragem de capital flutuante em
investimentos urbanos.
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Reflexões Finais
O crescimento da aquisição de commodi-
ties africanas por parte da China e a implemen-
tação de projetos de cooperação internacional
e desenvolvimento, nos quais empresas estatais
chinesas estão envolvidas em empreendimentos
ambiciosos no continente africano, têm susci-
tado indagações consideráveis sobre a nature-
za das relações sino-africanas no século XXI.
Ainda que alguns estudiosos sustentem que
essas dinâmicas representam uma forma con-
temponea de imperialismo, a política externa
chinesa aparentemente não almeja redesenhar
as estruturas políticas e econômicas do conti-
nente africano da mesma maneira que as anti-
gas potências coloniais o fizeram por meio de
suas poticas intervencionistas, mesmo as as
descolonizações. A China colhe benecios dos
investimentos e dos substanciais empréstimos
que concede aos governos locais, enquanto, por
sua vez, esses governos desfrutam de um peo-
do altamente promissor de desenvolvimento e
aprimoramento da infraestrutura, estimulados
pelo próprio crescimento chinês. Nesse senti-
do, é possível perceber que, enquanto a Chi-
na se beneficia das commodities e dos projetos
implementados na África, este último também
obtém sua parcela nos expressivos índices de
expansão econômica chinesa.
Contudo, é crucial monitorar cuidado-
samente o destino dos lucros oriundos desses
investimentos, bem como o modo pelo qual as
populações dos países beneficiados estão efe-
tivamente tirando proveito dessas relações. A
isso soma-se a consideração dos impactos da
pandemia de COVID-19, que empurrou uma
considerável parte da força de trabalho para a
informalidade, especialmente em nações de
baixa renda, afetando sobremaneira o processo
de desenvolvimento (OIT, 2021).
Na Etpia, os índices de emigrão eso
em constante ascensão, o que levou o governo
a implementar medidas para conter os abusos
enfrentados pela população emigrante no ex-
terior, particularmente focadas na salvaguarda
das mulheres que trabalham no setor dostico
no exterior. Nos últimos anos, o governo etíope
estabeleceu acordos internacionais substanciais
de migração laboral bilateral em colaboração
com a Organização Internacional do Trabalho,
bem como realizou investimentos significativos
na capacitação de sua equipe diplomática e de
inspeção do trabalho. Isso visa gerir essa situa-
ção de maneira eficaz e manter a trajetória de
crescimento do país. (Centro Internacional de
Formação da OIT, 2018; OIT, 2019).
Trabalho informal e novos edifícios no
bairro de Piassa (2024)
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Figura 2: Treinamento para diplomatas, inspetores do trabalho e membros do Ministério do
Trabalho da Etiópia no Centro Internacional de Formação da OIT (2018).
Fonte: arquivo do autor (2018)
A fragilidade das instituições financeiras
e democráticas em países africanos apresenta
um considerável obstáculo para o desenvolvi-
mento econômico. Os recentes conflitos entre
o governo etíope e a Frente de Libertação do
Povo Tigray (TPLF), que exercia controle so-
bre a região de Tigray, têm resultado em uma
significativa crise humanitária. Essa crise inclui
uma onda de emigração para países vizinhos e
para áreas urbanas, comprometendo também
os investimentos estrangeiros no país (Cardoso,
2020; Human Rights Watch, 2022).
Adicionalmente, há a perspectiva de um
fluxo de refugiados e migrantes extremamente
vulneráveis vindos das regiões rurais em dire-
ção à capital. Diante dessa situação, torna-se
urgente a formulação de políticas abrangentes
de inclusão social e urbanização com o intuito
de atenuar as disparidades existentes (Degefa,
Cheru, 2021; Cheru, Shaw, 2018; Schiere et
al, 2011).
Para além dos conflitos, a ausência de
organizações efetivas capazes de coordenar e
assegurar uma distribuição justa e equitativa
dos lucros e vantagens advindos das relações
sino-africanas é uma preocupação relevante.
Torna-se, portanto, imprescindível a realização
de um monitoramento rigoroso dos investi-
mentos e projetos firmados entre os governos
e as empresas estatais chinesas. Esse monito-
ramento visa a uma compreensão aprofunda-
da das novas dinâmicas dos atores envolvidos
na cooperação internacional no Sul Global,
considerando o papel preponderante que essa
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cooperação desempenha como um motor cen-
tral do desenvolvimento acelerado nos últimos
anos (Gebregziabher, 2019).
A transformação observada em Adis Abeba
ao longo dos últimos anos constitui um exemplo
paradigtico da colaboração sino-africana para
o desenvolvimento. Através da concretização tan-
gível dos resultados oriundos dos investimentos
focalizados em um espaço geográfico específico, a
cidade emergiu como um modelo concreto. Ade-
mais, essa transformação assume um profundo
significado ideológico, uma vez que Adis Abeba
é reconhecida como um polo de relevância políti-
ca, financeira e tecnológica no futuro. Como um
presente chinês destinado ao desenvolvimento
do continente africano, essa empreitada reafirma
a natureza mutuamente benéfica da cooperão.
O desafio que agora se coloca consiste na formu-
lação e implementão de estratégias de gover-
naa, inclusão social para a redão das dispa-
ridades, resolução dos conflitos e enfrentamento
dos impactos da pandemia de COVID-19 na
rego do Chifre da África, bem como na plena
promoção do progresso da capital etíope.
Fonte: Foto do metrô durante visita de campo (2024)
Foto da plataforma do metrô (2024)
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