Da Política Externa da Classe Média
ao Intervencionismo Global: O primeiro
tempo do Governo Biden (2021/2022)1
From Middle Class Foreign Policy to Global Interventionism: e rst half of the Biden
Government (2021/2022)
De la política exterior de la clase media a Intervencionismo global: La primera mitad
del Gobierno de Biden (2021/2022)
Clarissa Nascimento Forner 2
Cristina Soreanu Pecequilo 3
DOI: 10.5752/P.1809-6182.2022v19n1p64-73
RESUMO
O objetivo deste artigo é realizar um balanço dos dois primeiros anos da gestão Joe Biden à
frente da Casa Branca, analisando a evolução de suas políticas interna e externa. Busca-se
avaliar as contradições entre a política externa da classe média e a agenda de intervencionismo
global. Visa-se avaliar como a interconexão entre as prioridades das pautas doméstica e
externa democratas evoluiu no primeiro biênio da gestão, demonstrando o tensionamento
entre os ajustes sociais-econômicos prometidos em campanha e as demandas de engajamento
internacional geradas pela transformação das condições geopolíticas globais provocadas pela
Guerra Rússia-Ucrânia, como um estudo de caso. Pretende-se argumentar que, para os
Estados Unidos, a projeção hegemônica de poder supera as dinâmicas domésticas, levando
a uma reavaliação da natureza das relações internacionais do país. A metodologia será de
análise de conjuntura, por meio da revisão de literatura de fontes primárias e secundárias.
Palavras-chave: Governo Biden; Política Externa; Intervencionismo.
ABSTRACT
e goal of this article is to present a balance of Joe Biden´s government rst two years in
the White House, analyzing the evolution of its domestic and foreign policies. e purpose
is to present the contradictions of the middle-class foreign policy and the agenda of global
1 Este artigo foi originalmente nalizado em 27 de Junho de 2022. Agradecemos as sugestões e comentários de melhorias e atua-
lização do artigo presentes nos pareceres nesta revisão realizada em Outubro de 2023. A atualização restringiu-se à inclusão de
alguns dados chave até Novembro de 2022.
2 Doutora em Relações Internacionais pelo PPGRI San Tiago Dantas (Unesp-Unicamp-PUC/SP). Professora de Relações Internacio-
nais na Universidade São Judas Tadeu (USJT) e no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Professora
convidada no curso de Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
(FESPSP). Pesquisadora do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (Gedes), do Instituto Nacional de Ciência e
Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT/INEU) e do Grupo de Pesquisa em Política, Economia, Cultura e Relações
Internacionais da Universidade São Judas Tadeu. E-mail: clarissaforner@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5142-5787.
3 Professora Livre Docente em Política Internacional pela UNIFESP, Mestre e Doutora em Ciência Política pela USP. Professora de
Relações Internacionais da UNIFESP e dos Programas de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas UNESP/
UNICAMP/PUC-SP e em Economia Política Internacional da UFRJ. Pesquisadora do NERINT/UFRGS e do CNPq (Processo
no.307010/2021-0). Brasil. e-mail: crispece@gmail.com. Orcid: https://orcid.org//0000-0003-1617-186X.
Artigo
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ISSN 1809-6182, v.19 n.2, p.64 - 73, jul. 2022
65 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.19 n.2, p.64 - 73, jul. 2022
INTRODUÇÃO
Em 2020, a vitória do democrata Joe Biden
nas eleições presidenciais dos Estados Unidos
(EUA) trouxe a promessa de uma ruptura po-
sitiva diante do unilateralismo, da crise econô-
mica e das polarizações sociais e culturais da Era
Trump (2017-2021). Após uma corrida eleitoral
conturbada, acusações de fraude e não reconhe-
cimento da derrota por Trump e a invasão do
Capitólio em 06 de janeiro de 2021, a posse de
Biden, mesmo sem a presença de seu antecessor
era percebida como o início de uma nova eta-
pa: o slogan America is Back tomou o espaço do
Make America Great Again (MAGA).
A utilização do termo “política externa para
a classe média” (PECM) tornou-se simbólica para
representar as pautas da reconciliação, da igualda-
de e do desenvolvimento econômico-social (e
White House, 2021a). Uma das grandes preocu-
pações era sinalizar para os eleitores que suas de-
mandas não seriam deixadas de lado e estabelecer
um perl claro de prioridades. Tal perl deriva
da junção de esforços domésticos e internacio-
nais, que busca garantir os interesses securitários,
econômicos e estratégicos dos EUA e o bem-estar
social (Crebo-Hediker And Hediker, 2022). En-
tretanto, pode-se indagar: a PECM está em anda-
mento? Já existe uma Doutrina Biden?
Diante destas questões, este artigo pretende
realizar um balanço sobre os primeiros anos da
presidência Biden (2021/2022). O objetivo é ofe-
recer um ensaio sobre a conjuntura da hegemo-
nia, baseado em fontes primárias e secundárias,
sem a pretensão de esgotar o tema ou promover
debates teóricos-metodológicos. O artigo está
interventionism. e purpose is to evaluate how the link between the priorities of the
democrat domestic and external agenda evolved in the rst couple of years of the government,
showing the tension regarding the campaign promised social-economic adjustments and the
demands of international engagement created by the transformation of global geopolitical
conditions, generated by the Russia-Ukraine war as case study. It will be argued that, for
the United States, the projection of global hegemonic power, overcomes domestic dynamics,
leading to a reassessment of the country´s international priorities. e applied methodology is
situation analysis, supported on a bibliographical revision of primary and secondary sources.
Keywords: Biden Administration; Foreign Policy; Interventionism;
RÉSUMEN
El objetivo de este artículo es hacer un balance de los dos primeros años de la administración
de Joe Biden al frente de la Casa Blanca, analizando la evolución de su política interior y
exterior. El objetivo es evaluar las contradicciones entre la política exterior de la clase media y
la agenda del intervencionismo global. El objetivo es evaluar cómo evolucionó la interconexión
entre las prioridades de las agendas democráticas interna y externa en el primer bienio de la
administración, demostrando la tensión entre los ajustes socioeconómicos prometidos en la
campaña y las demandas de compromiso internacional generadas por la transformación. de las
condiciones geopolíticas globales causadas por la guerra entre Rusia y Ucrania, como estudio de
caso. Se pretende argumentar que, para Estados Unidos, la proyección hegemónica del poder
supera la dinámica interna, lo que lleva a una reevaluación de la naturaleza de las relaciones
internacionales del país. La metodología será el análisis de coyuntura, mediante revisión
bibliográca de fuentes primarias y secundarias.
Palabras clave: Gobierno de Biden; Politica externa; Intervencionismo.
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dividido em duas partes, além desta Introdução,
das Considerações Finais e das Referências Biblio-
grácas. A primeira parte intitulada “A Evolução
do Governo Biden (2021/2022)”, é dedicada ao
mapeamento das ações do primeiro biênio do go-
verno de Joe Biden, da posse em janeiro de 2021
a fevereiro de 2022 com o início da Guerra Rús-
sia-Ucrânia, e dentro dos limites temporais deste
texto, de março de 2022 às eleições de meio de
mandato, em novembro do mesmo ano.
Por sua vez, a segunda parte intitulada “O
Intervencionismo Global: O Caso Russo-Ucra-
niano”, insere-se no mesmo período temporal, e
aborda o estudo de caso da Guerra Rússia-Ucrâ-
nia como prova do contraste entre a agenda do-
méstica de Biden, ligada à PECM, e as demandas
geopolíticas da projeção hegemônica de poder
dos EUA. Considera-se que as escolhas realizadas
por Biden com relação a esta guerra são caracterís-
ticas de uma opção pelo intervencionismo global,
em detrimento de suas promessas de campanha.
Neste sentido, cabe esclarecer que nem a
agenda externa dos EUA, e nem potenciais di-
mensões de ações intervencionistas limitam-se
ao caso aqui analisado, considerado simbólico
do choque interno-externo. Assim, a escolha
do caso Rússia-Ucrânia para explorar a ruptura
da PECM e da postura norte-americana jus-
tica-se pela natureza do conito e o tipo de
ação realizada pelos EUA. Ainda que os EUA
tenham outras prioridades na sua agenda in-
ternacional (como será visto nos documentos
estratégicos), como a contenção da ascensão
da China como potência global, considera-se
que estas são ações de continuidade na disputa
sino-americana e que não representam, como
citado, a ruptura pela opção intervencionista4.
4 Pode-se, inclusive, argumentar que as escolhas dos EUA na
Guerra Rússia-Ucrânia, como guerra por procuração, fazem par-
te da competição estratégica com a China. Sugere-se Pecequilo,
2023 para o exame da evolução da rivalidade sino-americana.
A EVOLUÇÃO DO GOVERNO
BIDEN (2021/2022)
O biênio 2021/2022 da presidência Bi-
den é caracterizado por um quadro complexo
de ações, com destaque, em 2021, para a ma-
nutenção da PECM e, em 2022, para o des-
gaste desta concepção de política externa. Tal
concepção, como abordado na Introdução, vi-
sava o bem-estar da população estadunidense
por meio do rebalanceamento de prioridades
socioeconômicas e estratégicas. A partir deste
rebalanceamento o objetivo seria priorizar as
demandas do primeiro tipo, visando a recu-
peração da economia interna, a melhoria das
condições de emprego e renda da população,
assim como a promoção da reconciliação na-
cional e da inserção social. Desta forma, Biden
foi gradualmente abandonando seu foco “classe
média”, para investir em uma agenda geopolíti-
ca de apoio à Ucrânia contra a Rússia, indepen-
dentemente dos custos políticos e nanceiros
associados à esta pauta.
Iniciando o breve exame desta trajetória, as
ações inaugurais de Biden foram representadas
por Ordens Executivas desmontando políticas
controversas em pautas como meio ambiente,
direitos humanos, imigração e multilateralis-
mo. O alvo era rearmar o compromisso com
regimes internacionais sobre o aquecimento
global e preservação ambiental, direitos sociais,
com foco em direitos de gênero e reprodutivos
e de igualdade racial, e garantir o direito de mi-
grantes a pedidos de asilo, refúgio, acesso legal e
naturalização, internamente. Visava-se recons-
truir a ideia de uma nação de portas abertas,
sem campos de imigrantes, crianças separadas
de seus pais e violência nas fronteiras. Estes te-
mas foram descritos no Interim Strategic Gui-
dance (ISG), primeiro documento estratégico.
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Outro ponto era a denição da China como
maior ameaça, seguida pela Rússia.
O que se observou foi uma participação
ativa em reuniões como as do G7 e a Conferên-
cia das Partes (COP), que se estende até 2022.
Podem ser listados: a volta dos EUA ao Acordo
de Paris, a Cúpula dos Líderes sobre o Clima e
a Cúpula pela Democracia, em 2021, e a Cú-
pula das Américas, em 2022. Em 2021, no G7,
foi proposto o Build Back Better World (B3W),
uma versão global do plano de infraestrutura
e desenvolvimento interno, para a retomada
destas pautas, fortemente dominadas pela Chi-
na e a Iniciativa do Cinturão e da Rota (BRI).
No âmbito da Organização Mundial da Saúde
(OMS), Biden propôs a distribuição gratuita e
a quebra de patentes de vacinas e medicamen-
tos para lidar com o COVID-19.
A realidade dos resultados é um pouco
mais complexa: a fragilidade da política migra-
ria se mantém, em uma crise humanitária sem
precedentes na fronteira e nos países da Améri-
ca Central; não houve avanços no B3W (G7,
2021) ou nas negociações climáticas ou direitos
humanos, prevalecendo a retórica (e não a im-
plementação); não existiram melhorias no aces-
so a medicamentos e à vacinação para o CO-
VID-19; sequer foram cumpridas as metas de
vacinação interna por uma mescla de negacio-
nismo cientíco e posturas anti-governo; a Cú-
pula das Américas foi esvaziada e sem a presença
de líderes como os do México, com a exclusão
de Cuba e Venezuela, e o Brasil só conrmou
a participação perto do evento, como resulta-
do de uma negociação. No hemisfério, os EUA
se percebem confrontados por três situações
de risco: a presença da China, a volta ao poder
de governos progressistas de esquerda (Bolívia,
Peru, Chile e Colômbia) e a crise social-econô-
mica-institucional no Brasil pré-eleições presi-
denciais de 2022. Outro evento controverso foi
a retirada nal da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN) do Afeganistão.
No multilateralismo, opta-se pela repac-
tuação, a criação de acordos paralelos, como o
Acordo Quadro Indo-Pacíco, em detrimen-
to de fóruns como a Organização Mundial
de Comércio (OMC). A preferência recai em
instituições como a Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN), com forte domínio
dos EUA. Ocorreu a revitalização do QUAD
ndia, Austrália, Japão e EUA) e a criação do
AUKUS (Austrália, Reino Unido, EUA). O
foco é na região eurasiana e do Indo-Pacíco,
buscando equilibrar interesses geopolíticos e
geoeconômicos.
Internamente, focou-se nos planos de in-
vestimentos: o de caráter emergencial- Ameri-
can Rescue Plan, U$ 1,9 trilhão5- e os de médio
e longo prazo- American Jobs Plan e o American
Families Plan, cada um com aportes previstos
de cerca de U$ 2 trilhões (Us Congress 2021;
e White House, 2021c; e White House,
2021d). Mesmo com autoridade para imple-
mentar os planos por meio de Ordens Executi-
vas, Biden optou pelo consenso bipartidário no
Legislativo. Foram aprovadas a agenda emer-
gencial e, apesar de ter o orçamento reduzido
para U$ 1,2 trilhão, o Jobs Plan na forma do
Bipartisan Infrastructure Investment and Jobs Act
(e White House, 2021e), convertendo-se na
vitória mais signicativa. O Families Plan con-
tinua parado, com os auxílios para a redução
da pobreza, de saúde, educação e alimentação
para famílias e crianças mantendo-se pelo status
temporário do Rescue Plan.
5 Este plano trazia as medidas de combate à pandemia do
COVID-19. Entretanto, durante este biênio o tema pan-
demia perdeu enorme relevância até desaparecer quase por
completo do debate político interno.
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A transição da fase 1 a 2, com a política
anti-Rússia e a elevação do alerta securitário
para a China indicam o desbalanceamento da
PECM. No caso da China, a aceleração da mi-
litarização no Mar do Sul da China (MSCh),
tentativas de ingerência em direitos humanos e
nas relações com Taiwan, marcam uma postura
de confrontação que reete a prévia da nova Es-
tratégia de Segurança Nacional de março 2022:
(...) 1. Defender o território continental, con-
frontando a crescente ameaça multidimensio-
nal apresentada pela RPC; 2. Impedir ataques
estratégicos aos Estados Unidos, Aliados e par-
ceiros; 3. Deter a agressão, ao mesmo tempo
em que se manter preparado para prevalecer,
quando necessário, em conito, priorizando o
desao da RPC no Indo-Pacíco e o desao da
Rússia na Europa; 4. Construir Forças Arma-
das conjuntas e um ecossistema de defesa resi-
lientes. (Us Department Of Defense, 2022).
Em Outubro de 2022, a Estratégia Nacio-
nal completa foi lançada (e White House,
2022h), reforçando estes mesmos elementos,
com a identicação da China como principal
ameaça. Durante os dois primeiros anos do
governo Biden, houve a continuidade do acir-
ramento da competição estratégica sino-ameri-
cana. Todavia, a identicação da China como
risco, e as primeiras mudanças táticas com re-
lação a sua contenção, localizam-se no governo
de Barack Obama a partir da estratégia do Pivô
para a Ásia em 2011, atravessando o governo
Trump, até chegar à gestão Biden. Biden, inclu-
sive, retoma diversas políticas de seus antecesso-
res como o incremento da militarização do Mar
do Sul da China (MSCh), a disputa comercial e
a tecnológica (associada a uma dimensão securi-
ria), na qual se incluem setores como celula-
res, aplicativos, 5G, Internet das Coisas, 5G,
Inteligência Articial e a mais recente guerra
dos chips que, igualmente, envolve Taiwan.
Entretanto, como se tem argumentado, a
ruptura da PECM não se encontra associada à
dimensão da competição sino-americana, mas
sim ao intervencionismo global representado
pela Guerra Rússia-Ucrânia. Tal guerra e suas
políticas demandam mobilização para uma
guerra externa por procuração, sem consenso.
Os indicadores econômicos-sociais (Quadro 1)
revelam a continuidade de problemas estrutu-
rais que, para a população deveriam ser a prio-
ridade. O indicador mais grave é o crescimento
da inação por conta dos preços de energia,
alimentos e desabastecimento (denido por Bi-
den como “Putin´s price hike, mas que é uma
tendência que vem desde 2021).
Quadro 1- Indicadores da administração Biden (2021-2022)
POSITIVO NEGATIVO
PIB
2021- 5,6
2022- 3,7 (projeção)
Inação
2021- 4,36% (média)
2022- 7% (projeção média)
Desemprego
2021- 5,5 (média)
2022- 5,0% (média- projeção)
Décit Comercial
2021= US$ 861, 4 bilhões
2022 (Até abril) = U$ 445 bilhões
Décit Público
2021- U$ 2.8 trilhões
2022 (projeção) = U$ 1 trilhão
Popularidade Biden
Junho 2022- 36% aprovação
Elaborado pelas autoras com base em: IMF (2022); US Bureau of Labor Statistics (2022), US Bureau of Economic Statistics (2022),
United States Census Bureau (2022), REUTERS IPSOS
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Tais dados tiveram impacto nas eleições
de meio de mandato para o Legislativo de
novembro 2022. Entretanto, contrariando as
expectativas iniciais de que estas eleições leva-
riam a uma “onda vermelha”, os democratas
conseguiram manter seu controle do Senado
(50-50, mas com o voto de desempate sendo
da Vice-Presidente Kamala Harris). Adicio-
nalmente, na Câmara a perda da maioria foi
em menor proporção do que o esperado, com
os republicamos detendo 222 cadeiras e os
democratas 213. Ou seja, houve polarização e
um certo aspecto plebiscitário na eleição, mas
sem que os democratas fossem completamen-
te solapados por seus adversários. As inter-
pretações sobre a perda de fôlego republicana
foram variadas, mas alguns fatores podem ser
apontados: o excesso de polarização política e
o cansaço do eleitorado, assim como o temor
de um avanço conservador excessivo que le-
vasse a perda de mais direitos, tendo em vista
a reversão de direitos reprodutivos pela Su-
prema Corte (a suspensão de Roe Vs Wade,
lei de acesso ao aborto). Desta forma, mesmo
em meio a um cenário desfavorável foi possí-
vel matizar a derrota.
Entretanto, este alerta da perda de maio-
ria da Câmara, o empate no Senado, não
foram sucientes para que os democratas re-
vertessem suas políticas para a Guerra Rús-
sia-Ucrânia. Como bem indica Slaughter ao
analisar Biden: “(…) Ele oferece alguma coisa
para todo mundo (...) Porém, quando todo
mundo ganha alguma coisa, ninguém ganha
tudo”. (Slaughter, 2021)”. Parafraseando, à
medida que a PECM parece se esgotar dian-
te do intervencionismo global, a ameaça é de
que “ninguém tenha nada”.
O INTERVENCIONISMO
GLOBAL: O CASO RUSSO-
UCRANIANO
A crise russo-ucraniana impôs novos de-
saos a PECM e representou seu abandono re-
lativo e a retomada de um peso maior para a
geopolítica. Ainda que Biden não tenha encer-
rado os planos mencionados no item anterior,
e tenha mantido esforços para tentar aprovar
novas medidas de recuperação e reforma estru-
tural da sociedade e da economia, os signica-
tivos aportes nanceiros e militares à Ucrânia
colocaram, e têm colocado, em xeque a dispo-
nibilidade orçamentária dos EUA para a agen-
da doméstica. Questionamentos do porquê a
PECM e a agenda socioeconômica caram em
segundo plano têm crescido cada vez mais e
tenderão a ter um impacto nas eleições presi-
denciais de 2024.
O conito rearmou a relevância da agen-
da externa, mas agravou suas contradições. Por
um lado, a administração Biden comprome-
tia-se a empregar a força apenas como recurso
de última instância, e a não esgotar os recur-
sos domésticos em novas “guerras interminá-
veis” (Biden, 2020). Por outro, a deagração
das hostilidades colocou à prova as metas de
recuperação da liderança internacional estadu-
nidense, demandando respostas em três fren-
tes: a) a contenção da Rússia (e da China, in-
diretamente); b) o restabelecimento da parceria
transatlântica; c) a atenuação das percepções
negativas, domésticas e internacionais, causa-
das pelas falhas na condução da retirada das
tropas do Afeganistão, em 2021.
O primeiro eixo já protagonizava os do-
cumentos da administração. Com variações
ocasionais, China e Rússia eram apresentadas
como potências de caráter autoritário, que de-
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sempenhavam papeis cada vez mais assertivos,
nos âmbitos político, econômico, militar e
tecnológico (Biden, 2020; Biden, 2021a; e
White House, 2021b), demandando o aper-
feiçoamento das capacidades estadunidenses.
Em se tratando da Rússia, Biden optou por
um caminho de “pragmatismo seletivo(Frei-
re, 2021) que contrabalanceava a retórica mais
agressiva, direcionada ao governo de Vladimir
Putin, com a promoção da cooperação em se-
tores de interesse, como a não-proliferação.
Inicialmente, foi acordada a extensão,
até 2026, do Novo START (Strategic Arms
Reduction Treaty), negociado durante a Era
Obama (2009-2017) (Biden, 2021a). En-
tretanto, a postura crítica foi conservada nas
menções à questão cibernética e nas acusações
sobre a interferência russa nas eleições norte-
-americanas – que reforçavam a construção
da imagem da Rússia como potência “disrup-
tiva” e antidemocrática (Biden, 2020). A te¬-
mática dos direitos humanos se apresentava
como sensível, em decorrência da tentativa de
morte por envenenamento de Alexei Nalvany,
opositor político de Putin, responsável pela
divulgação de denúncias de corrupção.
Embora se mostrasse aberto ao diálogo,
Biden procurou se distanciar da condução
trumpista da relação bilateral, que, sob sua ava-
liação, era permeada pela permissividade pe-
rante as agressões russas (Biden, 2021a). Neste
quesito, a Ucrânia e a proposta de reativação
da OTAN eram pontos de choque. Na visão
presidencial, a OTAN, também comprometi-
da durante o governo Trump, era fundamental
à segurança nacional e um “baluarte do ideal
liberal democrático” (Biden, 2020). O presi-
dente não ignorava os propósitos defensivos e
direcionados à contenção russa da aliança: “O
Kremlin teme uma OTAN forte, a mais efeti-
va aliança político-militar da história moderna.
Para conter a agressão russa, temos que manter
as capacidades militares da aliança preparadas
(...). (Biden, 2020, tradução nossa)6.
Em junho de 2021, a administração rear-
mou tais princípios, durante a realização da Cú-
pula da OTAN, em Bruxelas. A pauta da Ucrâ-
nia, que já vinha sendo listada entre os aspectos
críticos da relação com a Rússia, foi retomada
no comunicado ocial do encontro, no qual as
lideranças da organização condenavam a manu-
tenção de tropas russas na Ucrânia, Geórgia e
Moldávia, e defendiam o direito soberano das
nações à escolha, quanto ao ingresso na alian-
ça (North Atlantic Council, 2021). Apesar das
tensões crescentes, no mesmo mês, os governos
Biden e Putin anunciaram o estabelecimento do
Strategic Stability Dialogue, voltado ao controle
de armamentos (e White House, 2021f).
Em agosto, Biden declarou o encerramen-
to das operações militares no Afeganistão. A re-
tirada foi permeada por falhas táticas e estraté-
gicas, além de evidenciar as ssuras entre as alas
civis e militares. Como parte da justicativa da
retirada, o presidente armou que competido-
res estratégicos, como China e Rússia, se bene-
ciariam se o país continuasse a canalizar recur-
sos e atenção para o território afegão (Biden,
2021b). A repercussão negativa das imagens de
civis desamparados tentando deixar o país e a
retomada do poder pelo Talibã, contribuíram
para a queda da popularidade doméstica da ge-
stão democrata e o agravamento da percepção
externa sobre a perda da projeção estaduniden-
se, diante do ativismo de China e Rússia em
diálogos sobre o futuro da região.
6 Do original: “e Kremlin fears a strong NATO, the most
eective political-military alliance in modern history. To
counterRussian aggression, we must keep the alliances mil-
itary capabilities sharp (…).” (Biden, 2020).
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Seguiu-se um agravamento das tensões. No
s de setembro, Biden e o presidente ucrania-
no, Volodymyr Zelensky, anunciaram o relan-
çamento da parceria estratégica, envolvendo a
intensicação da cooperação em defesa e o envio
de um montante de US$ 60 milhões em assis-
ncia de segurança para a Ucrânia (e White
House, 2021g). Em dezembro, intensicaram-
-se as denúncias estadunidenses sobre o aumen-
to da movimentação de tropas russas na frontei-
ra com a Ucrânia, as quais entraram em ritmo
de escalada, até a invasão, em fevereiro de 2022.
Desde sua deagração, a atuação da ad-
ministração Biden em relação ao conito pode
ser resumida em três dimensões: a) a deslegi-
timação retórica das ações russas em território
ucraniano, como um ataque “o provocado
e injusticado” (Biden, 2022); b) a promoção
da coalizão ocidental, lastreada na revitalização
do papel da OTAN; c) a aplicação de medidas
indiretas, como sanções econômicas unilaterais
e multilaterais, e o envio de pacotes de ajuda
humanitária e de assistência em segurança, alia-
das à rearmação do não envolvimento do país
pela via militar direta. Todos os três conjuntos
de ações possuem fundamentos bidimensio-
nais, com objetivos domésticos e externos.
O primeiro expediente, bastante presente
no histórico da política externa estadunidense,
envolve o recurso à polarização entre as ações
russas – retratadas como frutos das aspirações
expansionistas ilegítimas de lideranças auto-
ritárias – e a defesa do “mundo livre” e dos
princípios da ordem liberal internacional, re-
presentados pela Ucrânia e pela aliança ociden-
tal. Esta última se materializa na rearmação
da relevância da OTAN, após um longo perío-
do de questionamentos e fragmentações, que
se acentuavam desde a década de 1990. Além
da ampliação dos contingentes de efetivos nos
territórios dos países membros que margeiam a
Ucrânia, a organização iniciou sua “expansão
nórdica”, que levou à admissão da Finlândia
à aliança e o convite à Suécia (em tramitação),
alterando a arquitetura de segurança regional
europeia e ampliando os pontos de estrangula-
mento com a Rússia. Em 2022, a OTAN tam-
m realizou a revisão de seu Conceito Estraté-
gico, publicado na Cúpula de Madrid, no qual
o apenas evidenciou-se o agravamento da
percepção de ameaças em relação à Rússia, mas
também a menção inédita à China e ao Indo-
-Pacíco como parte dos interesses estratégicos
da organização, reforçando o alinhamento aos
interesses e prioridades estadunidenses.
Como apontado no discurso de State of
the Union de março de 2022, a mobilização dos
valores liberais como mecanismo de projeção
de um “Ocidente” unicado também desempe-
nha a função de resgate da unidade no âmbito
doméstico, marcado pela crescente polarização
política e social:
Hoje nos encontramos como Democratas,
Republicanos e Independentes, mas mais
importante: como americanos com um dever
uns para com os outros (...) e uma determi-
nação inabalável de que a liberdade sempre
triunfará sobre a tirania. (Biden, 2022, tra-
dução nossa)7.
A opção pela via das sanções econômicas
e envio de assistência humanitária e militar
pode ser interpretada, por um lado, como par-
te dos cálculos estratégicos de não escalada do
conito e, por outro, como um movimento de
redução de custos da retomada do padrão do
intervencionismo global, perante a audiência
doméstica. Os pacotes de sanções implemen-
7 Do original: “Tonight — tonight we meet as Democrats,
Republicans, and independents, but, most importantly, as
Americans with a duty to one another (…) and an unwaver-
ing resolve that freedom will always triumph over tyranny.
(Biden, 2022).
72 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.19 n.2, p.64 - 73, jul. 2022
tados unilateralmente e via G7, envolvem inú-
meros setores da economia russa e já suscitam
projeções de um retraimento de 9%, superior
ao período da pandemia de Covid-19. Ainda
assim, subsistem dúvidas, sofre a efetividade
das sanções como vetor de mudança da postura
russa na guerra (Eichengreen, 2022).
No campo militar, Biden vale-se das prer-
rogativas presidenciais para autorizar o aumen-
to dos montantes submetidos ao fundo Ukrai-
ne Security Assistance Initiative, existente desde
2014, e ao Foreign Military Financing (FMF),
direcionado ao nanciamento de transferências
de armamentos para países que fazem fronteira
com a Ucrânia. Entre 2014 e junho de 2022,
foram autorizados mais de US$8,7 bilhões
(Congressional Research Service, 2022). O país
ainda ampliou os contingentes de tropas esta-
cionadas no Leste Europeu, podendo-se reetir
acerca dos impactos e limites de tais medidas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O lançamento da PECM tinha como
fundamento o reequilíbrio entre as agendas
doméstica e externa, mediante a revalorização
da dimensão socioeconômica e a recalibração
dos instrumentos da política exterior estaduni-
dense. A deagração da crise russo-ucraniana,
em 2022, impõe desaos a estes objetivos, ao
reavivar a dinâmica da competição geopolítica
entre grandes potências, bem como a impor-
ncia dos elementos estratégicos tradicionais.
A atuação da administração democrata no con-
ito tem sido marcada pela tentativa de resgate
aos consensos domésticos e externos que alicer-
çaram a consolidação da ordem liberal interna-
cional, desde o pós-1945. Todavia, a realidade
contemporânea, em ambas as esferas, se mostra
mais complexa e fragmentada.
Do ponto de vista externo, a promoção
da coalizão ocidental esbarra nas limitações do
futuro incerto acerca da efetividade das san-
ções e na diculdade de sustentação da coesão
transatlântica, diante da continuidade da de-
pendência europeia (particularmente no setor
energético) em relação à ssia e da perspectiva
de agravamento da crise econômica global. Da
mesma forma, a multiplicação das sanções am-
plica a possibilidade de maior aproximação
sino-russa, alargando os espaços de contestação
à hegemonia norte-americana.
Domesticamente, a magnitude do coni-
to russo-ucraniano não parece suciente para
abafar as profundas divisões internas, que se
mostram transversais aos recortes de classe,
raça e gênero. O abandono da PECM somen-
te agrava estas tendências, permitindo que o
debate mais uma vez aponte para a necessida-
de de um recuo externo à medida que o país
se fragmenta e atravessa crises institucionais
e econômicas. O que os dois primeiros anos
da gestão Biden demonstraram é que faltou à
PECM maior substância e clareza, que pudes-
se gerar no público interno uma sensação de
maior inclusão ou de atenção a seus problemas.
Diferente do MAGA e do America First que se
tornaram marcas indissociáveis de Trump e da
promessa de tempos melhores, a PECM nun-
ca se consolidou como uma narrativa de pro-
gresso ou de melhoria de vida e será lembrada,
eventualmente, como uma frase de impacto de
Biden na posse ou, ainda, como um potencial
slogan de campanhas futuras. A geopolítica, via
intervencionismo, mais uma vez prevaleceu so-
bre a pauta socioeconômica. Anal, a história
mostra que, a despeito de suas complementa-
riedades, há dinâmicas próprias nos tabuleiros
doméstico e internacional, que não necessaria-
mente se sobrepõem ou se substituem.
73 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.19 n.2, p.64 - 73, jul. 2022
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