144 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte,  
ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.144 - 157, fev. 2025  
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Artigo  
Uma Análise dos Planos Quinquenais  
da China como Impulsores para o  
Desenvolvimento de energias Renováveis  
An Analysis of China’s Five-Year Plans as Drivers for the Development of Renewable Energies  
Un Análisis de los Planes Quinquenales de China como Impulsores para el Desarrollo de  
Energías Renovables  
Allana Camini Moreira de Souza1  
Recebido em: 12 de agosto de 2024  
Aceito em: 26 de março de 2025  
RESUMO  
A transição energética tem ganhado crescente relevância nas discussões sobre desenvolvimento  
sustentável, segurança energética e mitigação das mudanças climáticas. Nesse contexto, a  
China se destaca pelo uso de instrumentos de planejamento estatal para orientar sua política  
energética, especialmente por meio dos Planos Quinquenais. Este artigo analisa de que  
maneira os Planos Quinquenais da China têm impulsionado o desenvolvimento de energias  
renováveis, com foco no período entre o 11º Plano (2006–2010) e o 14º Plano (2021–  
2025). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada em revisão  
bibliográfica e análise documental de planos governamentais, relatórios institucionais e  
literatura especializada, utilizando como referencial teórico a Nova Economia Estrutural.  
Os resultados indicam que os Planos Quinquenais desempenharam papel relevante na  
expansão das energias renováveis no país, ao estabelecer metas específicas, direcionar  
investimentos em infraestrutura e incentivar o desenvolvimento tecnológico nos setores  
eólico, solar e hidrelétrico. Essas políticas contribuíram para o aumento significativo da  
capacidade instalada de energias renováveis e para a consolidação da China como líder  
global nesse setor. Conclui-se que a atuação do Estado, por meio de planejamento estratégico  
e políticas industriais direcionadas, foi determinante para a diversificação da matriz  
energética chinesa e para o avanço da transição energética.  
Palavras-chave: Energia, Políticas, Diversificação.  
ABSTRACT  
e energy transition has gained increasing relevance in discussions on sustainable  
development, energy security, and the mitigation of climate change. In this context, China  
stands out for the use of state planning instruments to guide its energy policy, especially  
through the Five-Year Plans. is article analyzes how China’s Five-Year Plans have  
driven the development of renewable energies, focusing on the period between the 11th  
Plan (2006–2010) and the 14th Plan (2021–2025). e research adopts a qualitative  
and exploratory approach, based on a bibliographic review and documentary analysis of  
1 Doutoranda em Relações Internacionais pela PUC Minas. Mestre e Bacharel em Relações Internacionais pela PUC Minas. Con-  
tato: allanacamini94@gmail.com  
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government plans, institutional reports, and specialized literature, using New Structural  
Economics as the theoretical framework. e results indicate that the Five-Year Plans  
played a relevant role in the expansion of renewable energies in the country by establishing  
specific targets, directing investments in infrastructure, and encouraging technological  
development in the wind, solar, and hydropower sectors. ese policies contributed to a  
significant increase in the installed capacity of renewable energies and to the consolidation  
of China as a global leader in this sector. It is concluded that the role of the state, through  
strategic planning and targeted industrial policies, was decisive for the diversification of  
the Chinese energy matrix and for the advancement of the energy transition.  
Keywords: Energy, Politics, Diversification.  
RESUMEN  
La transición energética ha ganado creciente relevancia en las discusiones sobre desarrollo  
sostenible, seguridad energética y mitigación del cambio climático. En este contexto, China  
se destaca por el uso de instrumentos de planificación estatal para orientar su política  
energética, especialmente a través de los Planes Quinquenales. Este artículo analiza de  
qué manera los Planes Quinquenales de China han impulsado el desarrollo de energías  
renovables, con foco en el período entre el 11.º Plan (2006–2010) y el 14.º Plan (2021–  
2025). La investigación adopta un enfoque cualitativo y exploratorio, basado en revisión  
bibliográfica y análisis documental de planes gubernamentales, informes institucionales y  
literatura especializada, utilizando como marco teórico la Nueva Economía Estructural.  
Los resultados indican que los Planes Quinquenales desempeñaron un papel relevante  
en la expansión de las energías renovables en el país al establecer metas específicas,  
dirigir inversiones en infraestructura e incentivar el desarrollo tecnológico en los sectores  
eólico, solar e hidroeléctrico. Estas políticas contribuyeron al aumento significativo de  
la capacidad instalada de energías renovables y a la consolidación de China como líder  
global en este sector. Se concluye que la actuación del Estado, por medio de planificación  
estratégica y políticas industriales dirigidas, fue determinante para la diversificación de la  
matriz energética china y para el avance de la transición energética.  
Palabras-clave: Energía, Políticas, Diversificación.  
econômico e social, sendo fundamentais para  
a formulação e implementação de políticas de  
desenvolvimento.  
1 INTRODUÇÃO  
Transformar as matrizes energéticas dos  
países vem se tornando cada vez mais urgen-  
te, principalmente em razão aos problemas  
decorrentes da mudança climática, às crescen-  
tes pressões para que essas mudanças ocorram  
e a necessidade de garantir segurança energé-  
tica. Para que ocorra essas transformações, é  
necessário um planejamento político com a  
introdução de políticas públicas, planos, obje-  
tivos e metas voltadas para o setor energético.  
A China, podendo ser mencionada como um  
país modelo, vem utilizando os Planos Quin-  
quenais como ferramentas de planejamento  
A partir do 11º Plano Quinquenal (2006-  
2010), o país começou a estabelecer metas  
específicas para a implementação de energias  
renováveis, marcando uma mudança signi-  
ficativa em sua estratégia energética (Stanley  
Foundation, 2006). Esses planos tornaram-se  
fundamentais para o movimento do país rumo  
à transição energética baseada em fontes reno-  
váveis, promovendo a expansão da capacidade  
instalada de energia solar e eólica e posicionan-  
do o país como um dos líderes globais em ener-  
gias renováveis.  
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Considerando este contexto, propõe-se  
enfatizar o papel do Estado na formulação de  
políticas sob a ótica da Nova Economia Estru-  
tural para compreender como essas interven-  
ções podem impulsionar o desenvolvimento  
sustentável. A pergunta que orienta o artigo  
é: De que maneira os planos quinquenais da  
China têm influenciado no desenvolvimento de  
energias renováveis? A hipótese é de que a im-  
plementação dos planos quinquenais da China  
contribuiu para criar condições favoráveis ao  
aumento da capacidade instalada de energias  
renováveis, por meio de políticas e investimen-  
tos direcionados ao setor.  
esforços em diversos setores (Zheng, 2018). Es-  
ses avanços estão diretamente ligados ao mode-  
lo de governança adotado pelo país, que com-  
bina forte atuação estatal com mecanismos de  
mercado (Naughton, 2021).  
Além disso, os fatores geopolíticos atuais  
que são influenciados por diferentes cenários,  
estão diretamente ligados ao papel do Estado  
na dinâmica do sistema internacional. Embo-  
ra a geopolítica seja frequentemente analisada  
sob a ótica de estudos liberais, a China emerge  
como um ator que desafia essa perspectiva, pro-  
movendo um modelo de globalização através  
do planejamento estatal, inovação tecnológica  
e expansão econômica estratégica (Jabbour;  
Dantas; Vadell, 2021).  
O artigo abordará as principais metas, ob-  
jetivos e resultados dos Planos Quinquenais da  
China desde o 11º Plano Quinquenal (2006-  
2010), que marcou o início do foco em ener-  
gias renováveis, até o atual 14º Plano Quinque-  
nal (2021-2025).  
Diferente dos Estados capitalistas tradi-  
cionais, a China opera sob um sistema no qual  
o Estado desempenha um papel central tanto  
na política quanto na economia, moldando  
diretamente o rumo do desenvolvimento. O  
Estado socialista chinês se distingue por uma  
série de características que o diferenciam das  
economias de mercado liberais. O Partido Co-  
munista da China (PCC) não apenas governa  
politicamente, mas também exerce influência  
direta sobre a economia, determinando diretri-  
zes e impulsionando setores estratégicos. Além  
disso, o governo exerce a intervenção econômi-  
ca, direcionando investimentos e promovendo  
políticas industriais para setores prioritários,  
enquanto em economias liberais essa dinâmica  
pode ser regida predominantemente pelo mer-  
cado (Naughton, 2021).  
2 O PAPEL DO ESTADO NA  
FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS  
Várias abordagens explicam como e por  
que os Estados formulam e implementam po-  
líticas (Skocpol, 1985). A busca em promover  
o crescimento econômico, fomentar o desen-  
volvimento e reduzir a pobreza envolve dife-  
rentes tipos de intervenções, sejam através de  
mudanças políticas econômicas, sociais e es-  
truturais que visam fortalecer a infraestrutura  
(Gigineishvili, 2023).  
A necessidade dos Estados de manter con-  
trole e ordem pode impulsionar mudanças, às  
vezes através de medidas de repressão ou sim-  
plesmente iniciativas reformistas (Skocpol,  
1985). No que concerne às iniciativas reformis-  
tas, nos últimos 40 anos, a economia chinesa  
vivenciou avanços significativos em razão aos  
Essa forte presença do Estado na econo-  
mia se consolidou ao longo das últimas décadas  
e está diretamente ligada às reformas econômi-  
cas iniciadas a partir da década de 1970. Nesse  
período, a China passou por transformações  
estruturais que a levaram de um país subdesen-  
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volvido a uma das maiores potências globais.  
A transição foi conduzida de maneira estraté-  
gica, combinando a manutenção do controle  
político com uma abertura gradual da econo-  
mia (Leão, 2012). Após a reforma, a China re-  
gistrou um crescimento médio anual de 10%,  
fruto de um planejamento estratégico de longo  
prazo e grandes investimentos em infraestrutu-  
ra (Jaguaribe, 2015).  
alcançou um crescimento em direção à moder-  
nização, consolidando-se como uma potência  
global. A partir de 2006, o governo chinês re-  
tomou uma postura ainda mais ativa na eco-  
nomia, aumentando a intervenção estatal em  
setores estratégicos. Em 2010, os formuladores  
de políticas buscaram “novos motores de cresci-  
mento”, investindo em tecnologia, inteligência  
artificial e big data. Ampliando assim, a influên-  
cia do Estado no direcionamento da economia  
e movendo a China a um modelo que pode ser  
considerado como uma “economia de mercado  
orientada pelo governo” (Naughton, 2021).  
Essa trajetória de desenvolvimento, marca-  
Desde 1978, quando a China iniciou seu  
processo de “reforma e abertura”, sua política  
econômica tem sido marcada por uma transi-  
ção para o mercado e uma crescente integração  
ao comércio global (Naughton, 2021). Com  
uma média de 9,2% de crescimento anual do  
PIB entre 1980 e 2019, o país buscou maiores  
investimentos, planejamento estratégico e polí-  
ticas industriais voltadas tanto para a exporta-  
ção quanto para o fortalecimento do mercado  
interno (Jabbour; Gabrielle, 2021).  
da pela forte presença estatal e pela transforma-  
ção estrutural da economia, pode ser analisada à  
luz da Nova Economia Estrutural (NSE), pro-  
posta por Justin YiFu Lin (2020). Para explicar  
esses avanços e as transformações em determina-  
dos países em desenvolvimento, a Nova Econo-  
mia Estrutural (NSE – sigla em inglês) discute a  
evolução nas transformações desenvolvimentis-  
tas e políticas, a partir da transformação estrutu-  
ral nos países em desenvolvimento, em especial  
a China. A NSE explica por que as economias  
em desenvolvimento têm falhado em alcançar  
seu objetivo de prosperidade econômica. Ela  
identifica o desenvolvimento econômico como  
um processo dinâmico, que requer uma estru-  
tura industrial, melhorias em infraestruturas  
e eficiência entre o mercado e o governo (Lin,  
2012). Segundo Lin (2020), apesar do merca-  
do ser um mecanismo fundamental para obter  
recursos, o papel do governo é crucial para coor-  
denar investimentos seja para modernização in-  
dustrial, diversificação, além de compensar pos-  
síveis problemas externos gerados no processo.  
A diversificação da matriz energética tem  
Nesse sentido, as reformas econômicas  
chinesas não podem ser compreendidas iso-  
ladamente da dinâmica geopolítica global.  
Vadell, Dantas e Jabbour (2021), analisam o  
papel do Estado nesse processo e sua relação  
com as transformações da economia mundial.  
Os autores argumentam que as reformas ini-  
ciadas em 1978 foram uma resposta estratégica  
às mudanças na ordem geopolítica, permitindo  
que a China adotasse um modelo de cresci-  
mento baseado na interação entre planejamen-  
to estatal e inserção global. Assim, as reformas  
de 1978 não foram apenas uma adaptação à  
ordem econômica global, mas também uma  
resposta estratégica às transformações da eco-  
nomia política mundial.  
Dessa forma, visando estratégias políticas  
e econômicas, a atuação do Estado continuou  
a se intensificar ao longo das décadas seguin-  
tes. Nos primeiros anos do século XXI, o país  
sido uma estratégia adotada por diversos países  
para fortalecer a segurança energética e pro-  
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mover a sustentabilidade. No caso da China,  
observa-se um conjunto de políticas públicas e  
incentivos voltados para a ampliação das fontes  
renováveis e a redução da dependência de com-  
bustíveis fósseis, refletindo seu compromisso  
com a transição energética.  
3 AS ENERGIAS RENOVÁVEIS  
NOS PLANOS QUINQUENAIS:  
DO 11° AO 14°  
Uma das estratégias adotadas pela China  
para impulsionar o desenvolvimento são os  
Planos Quinquenais. Criado em um período  
de recuperação econômica pós Guerra, o Plano  
quinquenal tornou-se chave para compreender  
o desenvolvimento da China. Além de impul-  
sionar o desenvolvimento, o país alcançou esta-  
bilidade em diversos setores, desempenhando  
um papel fundamental para o âmbito social e  
econômico (Tian; Li, 2021).  
Para Lin e Monga (2010), a diversificação  
é um elemento fundamental para a mudança es-  
trutural, necessária para que os países em desen-  
volvimento evoluam de economias baseadas em  
recursos para economias mais complexas e dinâ-  
micas (Lin; Monga, 2010). Além disso, permite  
a integração entre setores, facilitando a possível  
existência de um complexo econômico ao co-  
nectar diferentes setores (Campolina; Diniz  
apud Cano, 2021). Possibilitando assim, que as  
economias diminuam sua dependência de seto-  
res específicos e aumentando sua capacidade de  
adaptar a choques externos (Lin; Monga, 2010).  
Desse modo, o papel do Estado, para a  
NSE, é facilitar e criar condições necessárias  
para o funcionamento dos mercados, incluin-  
do novas indústrias, vantagens comparativas,  
coordenação e investimentos em setores para  
melhorar a infraestrutura. Portanto, a interven-  
ção estatal é fundamental para superar possí-  
veis falhas de mercado e externalidades, e além  
disso, impulsionar o desenvolvimento de novas  
indústrias (Lin; Monga, 2010).  
Estes planos são elaborados pelo governo  
chinês a partir de diretrizes estratégicas para  
o desenvolvimento nacional do país ao longo  
de um período de cinco anos. No âmbito do  
plano, são estabelecidas as principais metas  
econômicas, sociais e abordagens para setores  
considerados prioritários pelo governo central,  
como energia e tecnologia (Ungaretti, 2021).  
Para o setor de energia, o Plano Quinquenal  
estabelece direções para a transição energética,  
abordando o Balanço Energético e possíveis  
otimizações para práticas sustentáveis com a  
implementação de energias renováveis (United  
Nations, 2021).  
A partir do 11º Plano Quinquenal (2006-  
2010), a China iniciou os primeiros movimen-  
tos enfatizando suas políticas direcionadas ao  
setor energético. Em 2006, a China enfrentava  
os desafios na lacuna entre a oferta e demanda  
de energia em razão do alto número de popu-  
lação. Para enfrentar tais desafios, o país focou  
em intensificar a produção de energia, além de  
estabelecer relações com outros países para co-  
brir a demanda. O início se deu com equipes  
formadas para desenvolver a “Lei da Energia”,  
que definiu a estratégia energética do país a  
Embora o foco da Nova Economia Es-  
trutural (NSE) esteja na industrialização e no  
desenvolvimento de setores produtivos em  
geral, esta pesquisa se baseia nesse referencial  
teórico para analisar especificamente a transi-  
ção energética da China. Assim, a NSE permite  
compreender como a China tem utilizado a in-  
tervenção estatal por meio das políticas indus-  
triais para impulsionar a diversificação da ma-  
triz energética e fortalecer setores estratégicos,  
como energia renovável e tecnologias limpas.  
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longo prazo. Essa legislação regulou todos os  
aspectos relacionados à exploração, produção,  
consumo e cooperação internacional de ener-  
gia na China, promovendo assim, a adoção de  
energia renovável no país (Stanley Foundation,  
2006).  
a taxa de crescimento anual da capacidade re-  
cém-construída alcançou 105%, e a capacida-  
de total instalada aumentou de 1,27 GW em  
2005 para 44,73 GW em 2010, ultrapassando  
a meta do plano de longo prazo de energia da  
China para 2020 (Kang; Yuan; Hu, 2012).  
No gráfico abaixo, é possível observar a  
No 11º Plano Quinquenal, foram esta-  
belecidas prioridades em relação às energias  
renováveis. O governo buscou em suas me-  
tas, fomentar o desenvolvimento ordenado da  
energia hidrelétrica, garantindo a proteção am-  
biental e dos moradores afetados pela produ-  
ção. O plano priorizou também a promoção e  
o uso da energia solar, geotérmica e oceânica a  
partir do desenvolvimento de tecnologias para  
energia renovável (Asia Pacific Energy, 2006).  
Os resultados da inserção de energia reno-  
vável após o 11º Plano Quinquenal foram con-  
siderados um grande progresso para o país, em  
especial, para o setor de energia eólica. Durante  
o plano, o governo implementou diversas polí-  
ticas para promover e regular o desenvolvimen-  
to da indústria de energia eólica. Desde 2005,  
evolução da capacidade instalada de energia eó-  
lica na China entre 2005 e 2016. Nos primeiros  
anos, o setor cresceu rapidamente, impulsiona-  
do por incentivos governamentais. No entanto,  
a partir de 2011, a expansão desacelerou devi-  
do a desafios na infraestrutura de transmissão,  
resultando em desperdício de eletricidade. Para  
mitigar esse problema, a Administração Nacio-  
nal de Energia (NEA) adotou restrições a novos  
projetos. No gráfico, as barras azuis represen-  
tam o aumento contínuo da capacidade insta-  
lada, enquanto a linha laranja mostra a queda  
progressiva da taxa de crescimento anual, evi-  
denciando a transição do setor de uma fase de  
expansão acelerada para um período de ajuste e  
consolidação (Song; Zhu; Hao, 2017).  
Gráfico 1 - Evolução da Capacidade Instalada de Energia Eólica na China (2005-2016)  
Fonte: SONG, Meia; ZHU, Yaxua; HAO, Xuguang (2017).  
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Assim, no 11º Plano, as políticas gover-  
namentais no setor energético destacaram-se  
por priorizar investimentos em infraestrutu-  
ra diversificando sua matriz e resultando em  
uma rápida expansão da capacidade instalada  
de energia eólica. Essa prioridade dada às ener-  
gias renováveis criou uma continuidade para o  
progresso no setor, que foram refletidas no 12º  
Plano Quinquenal.  
Os resultados são perceptíveis para o de-  
senvolvimento de energia renovável na China  
durante o 12º Plano Quinquenal. Em 2013,  
a capacidade total de geração de energia reno-  
vável no Leste Asiático foi estimada em 457  
GW, representando mais de 29% do total  
global. Sendo a China, responsável por mais  
de 80% dessa capacidade. A energia hidrelé-  
trica constituiu uma parte significativa desse  
total, com 322 GW, dos quais 260 GW es-  
tavam na China. Além disso, a energia eóli-  
ca emergiu como um setor importante, e os  
aquecedores solares de água (SWH) em 2014  
totalizavam cerca de dois terços do total glo-  
bal (Ren, 2015).  
O 12º Plano Quinquenal (2011-2015)  
dedicou maior atenção ao setor energético,  
principalmente em razão das emissões de  
CO2 advindas dos combustíveis fósseis. As  
metas do plano foram direcionadas para re-  
duzir o consumo de energia fóssil e a promo-  
ção de energia renovável. Entre principais  
metas, destacaram-se: “(1) Redução de 16%  
na intensidade energética (consumo de ener-  
gia por unidade do PIB); (2) Aumento da  
energia não fóssil para 11,4% do uso total  
de energia; e (3) Redução de 17% na inten-  
sidade de carbono” (Lewis, 2011). O plano  
também visava apoiar o desenvolvimento de  
novas indústrias de energia, como a constru-  
ção de 120 GW de hidrelétricas e 70 GW de  
capacidade eólica, incluindo bases onshore e  
offshore, novos sistemas eficientes de gera-  
ção de energia solar e tecnologias de conver-  
são e utilização de energia de biomassa (Iea,  
2021).  
Embora os principais objetivos indiquem  
uma continuação das políticas do plano ante-  
rior para reequilibrar a economia, novas carac-  
terísticas incluíram uma política industrial vol-  
tada para a inovação e medidas mais decididas  
em direção a uma economia de baixo carbono  
(Gang; Liping, s/d).  
No gráfico 2, apresentado pelo Renewables  
Energy Policy (REN21 – sigla em inglês) é pos-  
sível observar a distribuição das capacidades de  
energia renovável nos países do mundo (exceto  
a energia hidráulica). No primeiro gráfico, a  
energia eólica representa a maior parte da ca-  
pacidade instalada global, seguida pela energia  
solar e pela biomassa. O segundo gráfico foca  
na capacidade instalada de energia renovável  
em países específicos. Destaca-se que a China  
lidera em capacidade de energia eólica, supe-  
rando os Estados Unidos e a Alemanha, que  
são outros grandes players no setor. Esse gráfico  
ilustra o papel da China na geração de ener-  
gia eólica e sua posição de liderança global em  
comparação com outras nações importantes na  
área de energias renováveis.  
Neste plano, houve um foco maior pelo  
fornecimento de energia nas áreas rurais, que  
eram precárias. As prioridades eram expandir  
redes elétricas onde as infraestruturas eram  
obsoletas, além de modernizar as redes nas re-  
giões. Para isto, a China precisou priorizar a  
construção de infraestruturas que intensificas-  
sem avanços principalmente para os setores da  
energia nuclear, eólica, solar e biomassa (Asia  
Pacific Energy, 2011).  
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Gráfico 2 - Capacidades de Energia Renovável no Mundo, UE, BRICS e os Sete Principais Paí-  
ses por Capacidade Renovável Fonte: Renewables Global Status Report, 2015.  
Fonte: Renewables Global Status Report, 2015.  
Essas medidas de baixo carbono, conti-  
nuaram sendo refletidas no plano seguinte. O  
13º Plano Quinquenal (2016-2020) estabele-  
ceu metas e objetivos para a implantação de  
energia renovável até 2020, conforme observa-  
-se no quadro (1), abaixo:  
O 13º Plano Quinquenal estabeleceu um  
limite nacional total de energia para todas as  
fontes equivalente a menos de cinco bilhões  
de toneladas de carvão para os próximos cinco  
anos. Para cumprir tais metas, o governo in-  
vestiu consideravelmente na infraestrutura do  
setor energético do país. O investimento tota-  
lizou US$ 373,1 bilhões (RMB 2,5 trilhões)  
para novas capacidades instaladas de energia  
renovável até 2020. Desse montante, US$ 74,6  
bilhões (RMB 500 bilhões) foram destinados à  
energia hidrelétrica, US$ 104,5 bilhões (RMB  
700 bilhões) à energia eólica, e US$ 149,3 bi-  
lhões (RMB 1 trilhão) à energia solar, além de  
investimentos adicionais em biomassa, geração  
de energia, biogás e aproveitamento de energia  
geotérmica (Kolesk, 2017).  
Quadro 1: Principais Objetivos e Metas para  
o Setor de Energia Renovável do 13° Plano  
Quinquenal  
Os resultados das metas e objetivos tam-  
bém foram refletidos no desenvolvimento de  
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da International  
Energy Agency (IEA), 2021.  
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energia renovável durante o 13º Plano Quin-  
quenal. A China manteve sua posição de li-  
derança mundial na inserção de renovável,  
representando quase metade de todas as novas  
instalações em 2020. O país também se des-  
tacou nos mercados globais de energia solar  
térmica concentrada (CSP), energia hidrelé-  
trica, energia solar fotovoltaica e energia eólica  
(REN, 2022). Além disso, o setor de energias  
renováveis se adaptou rapidamente aos desafios  
impostos pela crise da Covid-19, que desta-  
cou a necessidade de abandonar o antigo mo-  
delo econômico de alto carbono (Iea, 2021;  
Hepburn, et al,. 2021).  
O gráfico 3, apresenta a China como líder,  
adicionando a maior quantidade de capacidade  
renovável em comparação com outras regiões.  
Os Estados Unidos aparecem em um nível se-  
melhante ao da União Europeia, ambos com  
adições significativas. A Índia mostra um cres-  
cimento notável no período e os demais países,  
agrupados em uma categoria, apresentam con-  
tribuições menores e mais variadas na expansão  
da capacidade renovável durante esses anos.  
Gráfico 3 - Adições de capacidade renovável por país/região 2019-2021  
Fonte: IEA, 2021.  
Outro ponto importante a se destacar é  
dos obstáculos, a China continuou avançando  
no setor de energias renováveis e mantendo-se  
líder em adições de novas instalações.  
que o setor de energias renováveis se adaptou  
rapidamente aos desafios impostos pela crise da  
Covid (Iea, 2021). A pandemia da Covid-19  
destacou a necessidade de abandonar o antigo  
modelo econômico de alto carbono. Em res-  
posta, a China compreendeu a necessidade de  
investir em economias sustentáveis e evitar al-  
tos investimentos em carbono para alinhar o  
estímulo de curto prazo com metas climáticas  
de longo prazo (Hepburn, et al, 2021). Apesar  
O 14º Plano Quinquenal (2021-2025),  
ainda em ação, enfatiza o desenvolvimento de  
energia renovável no país. Este plano foca princi-  
palmente nas direções para reduzir a intensidade  
de carbono e alcançar o pico de emissões de dió-  
xido de carbono até 2030 (Asia Pacific Energy,  
2022). Conforme o Plano, a China buscará for-  
talecer a cadeia industrial e de suprimentos por  
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meio de inovação, infraestrutura robusta e diver-  
sificação, focando em setores como ferrovias, ele-  
trônicos, novas energias e construção naval (e  
People ‘s Government of Fujian Province, 2021).  
As metas de eficiência energética (EE)  
com cinco anos de antecedência (Han, 2022).  
Os esforços da China foram refletidos em  
2023, onde houve o dobro da capacidade de  
energia solar e eólica em comparação a qual-  
quer outro ano. No primeiro trimestre de 2024,  
a capacidade total de energia solar e eólica em  
grande escala alcançou 758 GW, enquanto a  
capacidade total, incluindo a energia solar dis-  
tribuída, chegou a 1.120 GW. A energia eólica  
e solar agora representam 37% da capacidade  
total de energia do país, um aumento de 8%  
em relação a 2022, e é amplamente esperado  
que supere a capacidade de carvão, que atual-  
mente é de 39%, em 2024 (Yu, et al., 2024).  
No gráfico 4 – Projetos Solares e Eólicos  
na China até em 2024, é possível observar o  
caminho da China para atingir 1.200 GW de  
capacidade de energia eólica e solar até o final  
de 2024, superando a meta estabelecida pelo  
14º Plano Quinquenal:  
para o período de 2021 a 2025 incluem uma  
redução de 13,5% na intensidade energética  
e de 18% na intensidade de carbono por uni-  
dade do PIB. Para atingir essas metas, o plano  
de ação propõe incentivos ao desenvolvimento  
de tecnologias inovadoras de eficiência ener-  
gética com apoio do setor privado, além de  
implementar penalidades para indústrias que  
não cumprirem os padrões estabelecidos (Asia  
Pacific Energy, 2022). Já as metas para ener-  
gias renováveis, como eólica e solar totalizaram  
1.263 GW até 2025. Se todos os projetos fo-  
rem concluídos dentro do prazo, isso permitirá  
que a China atinja sua meta de contribuição  
nacionalmente determinada (NDC) para 2030  
Gráfico 4 - Projetos Solares e Eólicos na China até em 2024  
Fonte: Global Energy Monitor.  
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Além disso, em agosto de 2024, o governo  
chinês publicou o documento “China’s Energy  
Transition”, reforçando seu compromisso com  
o desenvolvimento de um sistema energético  
limpo, seguro e eficiente. O documento desta-  
cou os avanços na substituição de combustíveis  
fósseis por fontes renováveis, além das medidas  
para modernizar a governança energética e pro-  
mover a cooperação internacional no setor. Re-  
forçando dessa forma, o papel do Estado como  
facilitador e indutor de políticas públicas que  
alinham o desenvolvimento econômico com a  
sustentabilidade ambiental (e State Council  
Information Office of e People ’s Republic  
of China, 2024).  
Analisando o cenário energético chinês  
atual, é possível observar que as ações ainda  
não concluídas terão um impacto significativo  
na matriz energética global. Esse avanço de-  
monstra o compromisso do país com a transi-  
ção para fontes de energia renovável e seu papel  
na mitigação à mudança climática. As iniciati-  
vas em andamento continuarão a impulsionar  
o crescimento sustentável e a redução das emis-  
sões de carbono, consolidando a posição da  
China como um dos principais atores no cená-  
rio energético mundial. O quadro (2) abaixo,  
simplifica alguns dos principais objetivos, foco  
econômico, setores, investimentos e planeja-  
mentos dos Planos Quinquenais analisados.  
Quadro 2 - Quadro Comparativo dos Planos Quinquenais: 11ª ao 14º  
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados dos Planos Quinquenais.  
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A evolução da China no setor de energias  
renováveis, reflete nas perspectivas da NSE  
através da diversificação e o papel do estado  
impulsionando o desenvolvimento através dos  
Planos Quinquenais. A NSE sugere que o de-  
senvolvimento econômico é impulsionado por  
inovações tecnológicas e mudanças estruturais.  
A China, ao integrar essa abordagem, adotou  
uma estrutura industrial endógena às suas van-  
tagens comparativas, determinada pela sua do-  
tação de recursos. Essa estratégia foi evidente  
nos planos quinquenais, que priorizaram a  
diversificação da matriz energética e o investi-  
mento em tecnologias renováveis como energia  
eólica, solar e hidrelétrica. A diversificação aju-  
dou a reduzir a dependência de combustíveis  
fósseis, promovendo um crescimento econômi-  
co mais sustentável e resiliente.  
por exemplo, o governo canalizou esforços para  
reduzir o consumo de energia fóssil e promover  
a energia renovável, com metas específicas para  
a redução de intensidade energética e aumento  
da capacidade instalada de energias limpas.  
No 13º Plano Quinquenal (2016-2020), a  
China manteve sua posição de liderança mun-  
dial na adição de novas capacidades renováveis,  
representando quase metade de todas as novas  
instalações globais em 2020. O país se desta-  
cou em mercados globais como energia solar  
térmica, hidrelétrica, solar fotovoltaica e eólica.  
Essas conquistas refletem a eficácia das políticas  
governamentais em promover a inovação tec-  
nológica e diversificação da matriz energética.  
Por fim, o 14º Plano Quinquenal (2021-  
2025) continua enfatizando o desenvolvimen-  
to de energias renováveis, focando na redução  
da intensidade de carbono e no alcance do pico  
de emissões de dióxido de carbono até 2030.  
As metas de eficiência energética e expansão da  
capacidade de energias renováveis mostram o  
compromisso da China com a transição para  
uma economia de baixo carbono, reforçando o  
papel do estado para o desenvolvimento sus-  
tentável, em consonância com os princípios da  
NSE.  
A NSE sugere que o desenvolvimento  
econômico moderno é impulsionado por ino-  
vações tecnológicas e mudanças estruturais. A  
China, ao integrar essa abordagem, adotou uma  
estrutura industrial endógena às suas vantagens  
comparativas, determinada pela sua dotação de  
recursos. Essa estratégia foi evidente nos planos  
quinquenais, que priorizaram a diversificação  
da matriz energética e o investimento em tec-  
nologias renováveis como energia eólica, solar  
e hidrelétrica. Assim, a diversificação reduziu  
a dependência de combustíveis fósseis, promo-  
vendo um crescimento econômico sustentável  
e resiliente.  
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Ao analisar Os Planos Quinquenais (11º  
ao 14º), observa-se o desempenho da China no  
desenvolvimento de energias renováveis. Reto-  
mando a pergunta de pesquisa que orientou o  
artigo “De que maneira os planos quinquenais da  
China têm influenciado no desenvolvimento de  
energias renováveis?” entende-se que esses pla-  
nos têm influenciado no desenvolvimento de  
energias renováveis como um ponto de partida,  
fornecendo uma direção clara para o país seguir  
O papel do estado na China tem sido  
fundamental para superar falhas de mercado  
e externalidades que poderiam impedir o de-  
senvolvimento das energias renováveis. Assim,  
o governo chinês catalisou o desenvolvimento  
de novas indústrias através de políticas de in-  
centivo e investimento em infraestrutura. Du-  
rante o 12º Plano Quinquenal (2011-2015),  
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e alcançar seus objetivos. Esses planos estabele-  
ceram metas específicas e estratégias que pro-  
moveram a diversificação da matriz energética.  
Através das políticas implementadas e dos in-  
centivos oferecidos, a China conseguiu aumen-  
tar consideravelmente a capacidade instalada  
de energias renováveis, confirmando a hipóte-  
se de que os planos quinquenais contribuíram  
para o avanço do setor.  
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No entanto, é importante destacar que as  
políticas contribuíram para que isso ocorresse,  
ou seja, os avanços não ocorreram isoladamen-  
te, mas foram resultado de um conjunto articu-  
lado de medidas que envolveram planejamento  
estratégico, mobilização de recursos e investi-  
mentos em inovação tecnológica e infraestru-  
tura. Assim, a atuação do estado como facilita-  
dor e promotor de infraestrutura e inovação foi  
fundamental para este progresso, garantindo  
que a China não só atendesse suas metas in-  
ternas, mas também contribuísse significativa-  
mente para os esforços globais de mitigação da  
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Outro ponto importante a ressaltar é que,  
embora a China tenha alcançado avanços signi-  
ficativos no desenvolvimento de energias reno-  
váveis, o país ainda enfrenta diversos desafios.  
E assim, conforme a NSE enfatiza, apesar do  
sucesso, os países não devem replicar as estra-  
tégias de outros, mas adaptar as políticas e prá-  
ticas aos seus próprios contextos econômicos,  
sociais, institucionais ou ambientais. Ou seja,  
mesmo com as conquistas da China, é essencial  
reconhecer que a replicação direta de modelos  
externos pode não ser eficaz. Portanto, cada  
país deve ajustar suas abordagens conforme  
suas necessidades e características específicas  
para enfrentar os desafios extrair as potenciais  
oportunidades.  
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