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ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.117 - 127, fev. 2025  
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Artigo  
Infraestrutura Digital dos Países BRICS  
Digital Infrastructure of the BRICS Countries  
Infraestructura digital en los países BRICS  
Octávio Henrique Alves Costa de Oliveira1  
Renan Guimarães Canellas de Oliveira2  
Recebido em: 15 de outubro de 2024  
Aceito em: 12 de agosto de 2025  
RESUMO  
A economia digital é um componente importante para o desenvolvimento econômico,  
sendo crucial que os países em desenvolvimento tenham infraestruturas digitais adequadas  
aos novos paradigmas econômicos. Este artigo aborda as infraestruturas digitais nos países  
BRICS, seus desafios, mecanismos de cooperação, avanços e elementos norteadores para  
uma agenda de desenvolvimento digital.  
Palavras-Chave: Tecnologias da informação e comunicação (TICs); Infraestrutura  
Digital; Exclusão Digital; BRICS  
ABSTRACT  
e digital economy is an important component for economic development, being crucial  
that developing countries have digital infrastructures that are suited to the new economic  
paradigms. is article looks at digital infrastructures in the BRICS countries, their  
challenges, cooperation mechanisms, advancements and guiding elements for a digital  
development agenda.  
Keywords: Information and Communication Technologies (ICTs); Digital Infrastructure;  
Digital Divide; BRICS  
RESUMEN  
La economía digital es un componente importante para el desarrollo económico, sendo  
crucial que los países en desarrollo cuenten con infraestructuras digitales adecuadas a los  
nuevos paradigmas económicos. Este artículo examina las infraestructuras digitales en los  
países BRICS+, sus retos, mecanismos de cooperación, avances y elementos orientadores  
para una agenda de desarrollo digital.  
Palabras clave: Tecnologías de la Información y la Comunicación (TICs); Infraestructura  
Digital; Exclusión Digital; BRICS  
1 Filiação: Doutorando no Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI / PU-  
C-Rio). Pesquisador visitante na Universidade de Joanesburgo (UJ) e no Institute of Pan-African ought and Conversation  
2 Filiação: Mestrando no Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI / PUC-  
hotmail.com.  
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BRICS, com atenção especial ao papel desem-  
penhado pelo Novo Banco de Desenvolvimen-  
to (NDB) e a Parceria do BRICS sobre a Nova  
Revolução Industrial (BRICS ‘PartNIR’). Vol-  
tamos nossa atenção para projetos de coopera-  
ção multilateral intraBRICS, portanto, inicia-  
tivas como a Rota da Seda Digital (Digital Silk  
Road, ou DSR) da China ou o satélite sino-bra-  
sileiro CBERS, não foram levados em conside-  
ração, dado que se trata de projetos bilaterais  
e (ou) políticas nacionais de desenvolvimento.  
Ao mesmo tempo em que apresentamos  
algumas medidas de cooperação para enfrentar  
esse desafio, concluímos que os atuais meca-  
nismos institucionalizados para as TICs en-  
tre os BRICS carecem de amplas provisões de  
infraestrutura digital, algo que, em condições  
normais, provavelmente não resolverá seus pro-  
blemas de conectividade.  
1 INTRODUÇÃO  
O desenvolvimento da economia digital  
vem se tornando cada vez mais sinônimo do  
próprio desenvolvimento econômico, enten-  
dendo as infraestruturas digitais e as cadeias de  
valor da informação como fundamentais para  
o desenvolvimento socioeconômico sustentável  
(Heeks, 2017; Hilty; Ruddy, 2010; UNECA,  
2007). Quando falamos de infraestruturas di-  
gitais, trata-se de uma série de Tecnologias de  
Informação e Comunicação (TICs) que com-  
põem e possibilitam o uso da Internet, mas não  
se limitam a ela, desde cabos submarinos a data  
centers, incluindo atores estatais e não estatais  
que cooperam e disputam na ciberpolítica con-  
tínua de cada sociedade (Oliveira; Montene-  
gro, 2025).  
Para as economias em desenvolvimento e  
os países do BRICS, no entanto, as TICs são  
uma questão preocupante, pois os investimen-  
tos em infraestruturas digitais demandam pro-  
jetos complexos, arriscados e de longo prazo,  
não atraindo muita atenção de grandes atores  
privados nos países menos desenvolvidos. Na  
mesma linha, a pesquisa acadêmica sobre os  
BRICS é ampla, mas “ainda há necessidade de  
estudos que comparem os BRICS em termos  
de questões de acesso à conexão à Internet, uso  
e problemas relacionados que levam a uma ex-  
clusão digital” (Matli; Malatji, 2024, p. 437).  
Este artigo procura abordar a questão das  
infraestruturas digitais nos países BRICS, seus  
desafios, avanços e elementos norteadores para  
uma agenda de desenvolvimento digital. A pri-  
meira seção analisa as desigualdades nas TICs  
entre esses países, a chamada “exclusão digital”,  
lançando luz sobre suas necessidades de investi-  
mento. A segunda seção tenta compreender as  
atuais possibilidades de cooperação dentro do  
2 BRICS E A EXCLUSÃO DO SUL  
GLOBAL  
A exclusão digital, termo cunhado na dé-  
cada de 1990 para definir as desigualdades en-  
frentadas pelos países no acesso às TICs (Rag-  
nedda, 2019) - ou seja, a disparidade entre as  
condições de acesso às TICs entre as diferentes  
sociedades (Soomro, 2020) -, ressona com as  
disparidades provocadas pela formação estru-  
tural do “capitalismo de dados” (West, 2019,  
p. 2). Na atual fase do desenvolvimento capi-  
talista, os países desenvolvidos possuem acesso  
adequado a uma gama de infraestruturas digi-  
tais, enquanto o mundo em desenvolvimento  
não possui as mais básicas TICs. Nos países  
em desenvolvimento, apenas 27% da popula-  
ção tem acesso à Internet, enquanto 93% da  
população dos países de alta renda está on-line  
(ITU, 2023). Em termos definitivos, a exclusão  
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digital lida com quatro processos diferentes e,  
em muitos casos, simultâneos:  
tes entendimentos do conceito entre organiza-  
ções internacionais como a UNCTAD, WEF,  
OECD, IMF e G20. Em termos de mensura-  
ção, é possível encontrarmos alguns padrões  
semelhantes, com pelo menos sete critérios de  
sete organizações diferentes.  
1. Falta de experiência digital elementar cau-  
sada por falta de interesse, ansiedade em  
relação ao computador e falta de atrativi-  
dade da nova tecnologia (“acesso mental”).  
2. Não possuir computadores e conexões de  
rede (“acesso material”)  
A partir da estrutura proposta por Igna-  
tov, nos limitamos aos aspectos de “Disponibi-  
lidade de Infraestrutura Digital” e “Segurança  
Digital”, a partir dos quais chegamos às métri-  
cas de acesso à internet, assinaturas de banda  
larga fixa e servidores de Internet seguros. Cada  
métrica é relativa ao tamanho de sua popula-  
ção, padronizada em porcentagem, por 100  
ou 1 milhão de pessoas. Outras medidas po-  
deriam ter sido utilizadas para compreender a  
exclusão digital, porém, para alguns países do  
BRICS, faltam inúmeros dados estatísticos ofi-  
ciais e comparáveis, o que tornaria as medidas  
de comparação díspares entre si. Enquanto as  
duas primeiras métricas escolhidas dizem res-  
peito ao acesso à internet de forma ampla, a  
métrica de servidores seguros mostra um maior  
nível de complexidade e desenvolvimento des-  
sas infraestruturas, tratando de um aspecto im-  
portante para a sua sustentabilidade. Estas três  
métricas combinadas nos fornecem um quadro  
analítico comparativo para entendermos onde  
os BRICS se enquadram globalmente no âmbi-  
to de infraestruturas digitais.  
3. Falta de habilidades digitais causada por  
falta de facilidade de uso e educação ou  
apoio social inadequados (“acesso de habi-  
lidades”).  
4. Falta de oportunidades significativas de  
uso (“acesso ao uso”) (Van Dijk; Hacker,  
2003, p. 315 - 316).  
Embora pudéssemos argumentar acerca  
da existência da divisão digital nos países do  
BRICS em todas as quatro categorias propos-  
tas por van Dijk e Hacker (2003), vamos nos  
concentrar no segundo aspecto, pois a con-  
dição básica necessária para que um ator faça  
parte das redes digitais é sua capacidade real de  
participar dessas redes, ou seja, a infraestrutura  
física que permite a conexão à internet.  
Muitos artefatos digitais poderiam ser  
considerados para analisar a exclusão digital  
no BRICS. Entretanto, alguns problemas pre-  
cisam ser resolvidos para que essa análise seja  
possível. Em primeiro lugar, é preciso haver  
paridade entre as medidas de comparação, o  
que significa que os dados utilizados devem ser  
coletados no mesmo período e em amostras  
equivalentes. Em segundo lugar, as métricas es-  
colhidas devem abranger aspectos importantes  
para a temática, sendo suficientes para cobrir  
minimamente a questão.  
Não obstante, tudo o que envolve a ideia  
de economia digital e infraestruturas digitais  
não é consensual, nem mesmo a definição des-  
ses termos. Ignatov (2020) observa os diferen-  
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Tabela 1 – Infraestrutura Digital dos BRICS em 20203  
Fonte: Elaboração do autor a partir do Banco Mundial (2023a; 2023b; 2023c) e ITU (2023).  
Ao analisar as medidas da tabela 1, pode-  
mos chegar a algumas conclusões. Os números  
em vermelho representam os países cujas mé-  
tricas estão abaixo da média global. Em termos  
de acesso à Internet, menos da metade da po-  
pulação da Índia (43%), pouco mais da meta-  
de da Indonésia (54%) e menos de um quarto  
da população da Etiópia (16%) têm acesso à  
Internet, apesar de estarem entre as economias  
que mais crescem em suas respectivas regiões.  
Analisando a Internet de alta velocidade, este  
número de países abaixo da média global do-  
bra, saindo de três para seis, incluindo o Irã,  
Egito e África do Sul em termos de assinaturas  
3 Para esta análise, consideramos apenas os membros plenos do BRICS até a última cúpula de 2025. Valores foram atualizados até  
2020 pois era o ano mais próximo com dados disponíveis de todos os atores, visto que os dados sobre indivíduos utilizando a  
Internet na Etiópia só estavam disponíveis até 2021, e da Índia, para este ano, não estava disponível, apenas 2020 ou 2022. Acerca  
das métricas: 1) Os usuários da Internet são indivíduos que usaram a Internet (de qualquer local) nos últimos 3 meses durante  
a confecção do dado. É considerada a Internet utilizada por meio de um computador, telefone celular, assistente pessoal digital,  
máquina de jogos, TV digital etc; 2) As assinaturas de banda larga fixas se referem aos acessos de alta velocidade à Internet pública  
(uma conexão TCP/IP), com velocidades de downstream iguais ou superiores a 256 kbit/s. Isso inclui modem a cabo, DSL, fibra  
até a casa/prédio, outras assinaturas de banda larga fixa (com fio), banda larga via satélite e banda larga sem fio fixa terrestre; 3) os  
servidores de internet seguros são medidos pelo número de certificados TLS/SSL distintos e publicamente confiáveis encontrados  
na Netcraft Secure Server Survey. Os certificados TLS/SSL significam “Secure Sockets Layer/Transport Layer Security”. São eles  
que permitem que os sistemas estabeleçam conexão segura com outros sistemas, usando protocolos criptográficos. As classificações  
wesp/wesp_current/2014wesp_country_classification.pdf>.  
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de banda larga fixa. Por fim, quando se trata  
de servidores de Internet seguros, somente a  
África do Sul e a Rússia têm números acima da  
média mundial.  
ta seção: 1) Novo Banco de Desenvolvimento  
(New Development Bank, ou NDB); 2) BRI-  
CS PartNIR4.  
Iniciando a análise do NDB no âmbito  
das TICs, o relatório anual do banco de 2023  
toma as infraestruturas digitais como uma das  
seis áreas de foco para financiamento. A insti-  
tuição afirma seu compromisso em  
Considerando que a maioria desses países  
já sofre com deficiências econômicas estrutu-  
rais, a falta de acesso à Internet e às TICs em  
geral representa um grande problema para os  
países BRICS quando se trata dos seus próprios  
caminhos de desenvolvimento e interconexão  
nacional e internacional. Esses investimentos  
digitais são cruciais para o desenvolvimen-  
to econômico sustentável, podendo gerar um  
crescimento do PIB de até 50% no longo pra-  
zo (Manyika et al, 2016), possibilitando uma  
maior complexificação de suas economias  
(Gala, 2020) por meio da economia digital,  
que tem retornos crescentes de escala, combi-  
nando inovações tecnológicas e gerando várias  
sinergias (vínculos) entre diferentes setores da  
economia (Reinert, 2010). Essa importância  
se reflete no BRICS, onde a economia digital  
e as TICs estão entre algumas das principais  
áreas de foco do grupo, como afirma sua de-  
claração de 2023 (Declaration, 2023). Com  
a situação atual das TICs e das infraestruturas  
digitais nestes países, portanto, quais medidas  
de cooperação estão disponíveis no âmbito dos  
BRICS?  
financiar projetos que envolvam a expansão e  
a modernização da infraestrutura digital na-  
cional e internacional, como cabos terrestres  
e submarinos, torres de telecomunicações e  
estações rádio-base. Para obter acesso univer-  
sal e acessível, o Banco dará prioridade aos  
projetos que estendam a cobertura a áreas  
mal atendidas e aos que melhorem a conecti-  
vidade de última milha para atender às neces-  
sidades dos usuários finais (NDB, 2023, s.p.).  
Em termos estratégicos, há um claro po-  
tencial para que o NDB se torne um financia-  
dor viável de infraestrutura digital nos países  
do BRICS, conforme declarado em seu plano  
estratégico. Por outro lado, as tendências atuais  
do portfólio de investimentos do NDB mos-  
tram um cenário diferente, com este setor sendo  
o de menor foco em termos absolutos. O único  
projeto para infraestruturas digitais até 2024  
foi o “Cellular Network and Cloud Services  
Expansion Project” de 2020 para a Federação  
Russa, com uma aprovação de financiamento  
no valor de US$ 300 milhões. Ele representa  
apenas 0,99% de todo o valor das aprovações  
de projetos do banco em dezembro de 2022, fi-  
cando atrás de áreas como infraestrutura social  
(2,68%, US$ 810 milhões) e proteção ambien-  
3 DEMOCRATIZANDO AS TICs: NDB,  
BRICS PartNIR E O DESAFIO DA COO-  
PERAÇÃO  
Apesar de terem sido mencionados nas de-  
clarações da cúpula, na área de TICs, os BRICS  
carecem de iniciativas amplas para resolver suas  
necessidades de infraestrutura digital. Ao ras-  
trearmos essas iniciativas foi possível mapear al-  
guns mecanismos de cooperação que merecem  
ser mencionados e que marcam a divisão des-  
4 Também identificamos outras iniciativas na forma de grupos  
de trabalho que abordam algumas das questões levantadas  
neste documento, como o Grupo de Trabalho de Coopera-  
ção de TIC do BRICS e o Grupo de Trabalho de Economia  
Digital do Conselho Empresarial do BRICS. No entanto,  
não foi possível rastrear suas atividades e contribuições adi-  
cionais para a transformação digital nos países do BRICS  
(BPIC, 2022; BBC, 2016).  
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tal (2,25%, US$ 680 milhões) (NDB, 2023).  
Em uma visita à sede do NDB no ano pas-  
sado5, pudemos conversar com um executivo  
de alto nível do banco, perguntando qual era  
o papel das infraestruturas digitais e da trans-  
formação digital nas metas estratégicas e obje-  
tivos comuns de financiamento do banco, bem  
como o que justificava apenas um projeto nesse  
setor. A resposta foi mista, embora o Banco rea-  
firme seu compromisso com o papel estratégi-  
co que as infraestruturas digitais desempenham  
em sua visão, não há uma explicação clara para  
um investimento tão modesto nesse setor, já  
que há uma demanda clara por financiamento  
nessa área. Como o banco trabalha principal-  
mente em uma lógica orientada pela demanda,  
em que os projetos são apresentados para que o  
NDB aprove o financiamento, não houve mui-  
tos projetos enviados para apreciação do banco  
nessa área, conforme relatado. Algumas das hi-  
póteses levantadas pelo nosso interlocutor fo-  
ram o foco do banco em transporte e energia,  
o que pode ter levado ao insucesso de outros  
setores; a recência do foco do banco nessa área;  
a mudança de foco devido à pandemia; e a uti-  
lização de outros instrumentos financeiros para  
financiar infraestruturas digitais em vez do pró-  
prio NDB, dentre outros.  
vestidores públicos. Não obstante, entre todos  
os países do BRICS, atualmente, o NDB não  
pode ser considerado a iniciativa mais relevante  
para o fornecimento de infraestrutura de TICs,  
dado que outras iniciativas excedem o banco  
neste setor.  
Dentre elas, vale destacar a “Parceria BRI-  
CS sobre a Nova Revolução Industrial” (BRI-  
CS PartNIR), criada na 10ª cúpula, em 2018,  
pelo Presidente Xi Jinping. Conforme a tabela  
2 apresenta, sob a BRICS PartNIR, seis proje-  
tos de cooperação foram desenvolvidos. A ini-  
ciativa reflete a necessidade crescente do grupo  
de abordar questões de desenvolvimento digital  
e revolução industrial, que são cruciais para o  
desenvolvimento sustentável compartilhado de  
seus membros. Esta parceria já tem números  
expressivos, conforme evidencia a Tabela 4,  
no âmbito do BRICS PartNIR, onde mais de  
60 projetos já foram assinados, representando  
mais de US$ 5 bilhões na área (BPIC, 2025a).  
Para questões de infraestrutura digital,  
os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento  
(BMDs) e os bancos de desenvolvimento re-  
presentam atores financeiros cruciais para esses  
investimentos, pois os projetos de TICs, assim  
como as infraestruturas físicas clássicas (portos,  
aeroportos, estradas, pontes, oleodutos e as-  
sim por diante) são projetos de risco de longo  
prazo, em comparação com outros setores fi-  
nanceiros, abrindo espaço, sobretudo, para in-  
5 Visita realizada na sede do NDB em Xangai, China, em 31  
de julho de 2024.  
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Tabela 2 – Mecanismos de Cooperação desenvolvidos no âmbito do BRICS PartNIR  
Fonte: BPIC, 2025a.  
Entre essas seis iniciativas, vale destacar o  
trabalho do BRICS PartNIR Innovation Center  
(BPIC), também conhecido como Centro de  
Inovação de Xiamen, anunciado pelo Presi-  
dente Xi em novembro de 2020 e inaugurado  
oficialmente em 2021. O centro promove a  
cooperação nas áreas de digitalização, indus-  
trialização, inovação, inclusão e investimento,  
treinando profissionais e desenvolvendo proje-  
tos com governos e empresas (BPIC, 2025a).  
Um dos desenvolvimentos recentes foi a recep-  
ção de uma delegação brasileira com represen-  
tantes do governo e de associações industriais,  
liderada pelo Presidente da Associação Brasilei-  
ra de Mineração (IBRAM) (BPIC, 2024). No  
âmbito dessas visitas, foram firmados acordos e  
projetos de cooperação, como mostra a tabela  
3, que revela que, até 2025, quatro projetos já  
haviam sido realizados no âmbito do BPIC nas  
áreas de Manufatura Inteligente e Investimen-  
to e Comércio, com cooperação com todos os  
países do BRICS.  
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Tabela 3 – Projetos Desenvolvidos sob o BPIC6  
Fonte: BPIC, 2025b.  
6 As siglas das formas de cooperação significam Original Design Manufacturer (ODM) e Original Equipment Manufacturer  
(OEM), que são dois modelos de negócios importantes na fabricação e no comércio globais. Um ODM projeta e fabrica produtos  
que são vendidos sob a marca de outra empresa, permitindo que o comprador comercialize um produto sem investir em projeto  
e desenvolvimento. Por outro lado, um OEM produz bens com base nas especificações ou nos componentes de um comprador,  
geralmente para integração em um produto final com a marca do comprador. Ambos os modelos permitem que as empresas  
aproveitem a experiência em fabricação externa e, ao mesmo tempo, concentrem-se na marca, no marketing e na distribuição.  
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Tabela 4 – Projetos de cooperação acordados em fóruns do BPIC e BRICS PartNIR7  
Fonte: BPIC, 2025a.  
Essas iniciativas demonstram a crescen-  
te importância dada pelo BRICS à agenda de  
transformação digital, que pode ser observada  
quando analisamos a declaração de Kazan do  
ano passado da Cúpula do BRICS de 2024.  
Nessa declaração, podemos reconhecer mui-  
tos desenvolvimentos em diferentes campos  
que envolvem as questões de economia digi-  
tal, TICs e transformação digital. A declaração  
aborda temas como a superação de divisões  
digitais, liberdade de expressão, radicalização,  
alfabetização digital e midiática e economia di-  
gital (Brasil, 2024).  
sinados no valor de cerca de US$ 5 bilhões em  
cooperação e investimento no setor.  
4 CONCLUSÃO  
O papel crescente das TICs entre os países  
BRICS desde a pandemia é evidente tanto no  
discurso do grupo quanto em iniciativas como  
o BRICS PartNIR e o próprio plano estratégi-  
co do NDB, que sintetizam a importância das  
infraestruturas digitais e dos investimentos na  
economia digital para o futuro do desenvolvi-  
mento dos BRICS. A expansão do agrupamen-  
to representa uma oportunidade para maior in-  
terconexão no âmbito das TICs do Sul Global,  
possibilitando uma maior complexificação das  
suas economias.  
Em termos de iniciativas multilaterais  
claras realizadas no âmbito do BRICS, con-  
cordamos que o BRICS PartNIR é a iniciativa  
de transformação digital e de TICs mais im-  
portante do grupo até o momento, devido ao  
seu status de institucionalização, as iniciativas  
abrangentes criadas, bem como aos projetos as-  
Neste sentido, no âmbito das infraestrutu-  
ras digitais e TICs em países BRICS, pesquisas  
que se esforcem a analisar em maior profundi-  
7 Esses foram os projetos que conseguimos rastrear no site do BPIC; no entanto, o número real de projetos assinados no âmbito  
da iniciativa PartNIR é desconhecido. Além disso, muitas outras formas de cooperação que não foram incluídas e analisadas em  
nossa avaliação podem ser rastreadas na iniciativa, desde seminários, cursos de treinamento evisitas técnicas de delegações até  
Memorandos de Entendimento (MoUs), workshops e centros de desenvolvimento específicos.  
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dade iniciativas como os mecanismos de coo-  
peração desenvolvidos pelo BRICS PartNIR  
e seus respectivos projetos podem fornecer  
importantes insights sobre a materialidade da  
cooperação intraBRICS neste setor. A metodo-  
logia proposta por Ignatov (2020), por sua vez,  
a partir do qual baseamos nossa seção de exclu-  
são e infraestrutura digital, pode ser expandida  
para termos um maior foco analítico e especifi-  
cidade das métricas por ele utilizadas em todos  
os países do BRICS, tanto em seus membros  
plenos quanto parceiros.  
que os pontos um a quatro da agenda de Banga  
e Singh (2019), relativos às infraestruturas, não  
podem ser enfatizados o suficiente, uma vez  
que dizem respeito ao elemento que, embora  
seja precisamente aquilo que há de mais básico  
dentre os componentes da economia digital,  
ainda assim, é comumente subdesenvolvido  
dentre os países BRICS e as economias do Sul  
Global.  
AGRADECIMENTO  
Pensando em uma agenda de pesquisa  
para o futuro desta temática, Banga e Singh  
(2019, p. 39-40) fornecem um quadro de dez  
pontos para a cooperação digital, conforme  
apresentado no Quadro 1:  
Este estudo foi financiado pela FAPERJ -  
Fundação Carlos Chagas Filho para o Apoio à  
Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Processo  
SEI E-26/201.645/2025 e pela Coordenação  
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Su-  
perior – Brasil (CAPES) – Código Financeiro  
001.  
Quadro 1 – Dez pontos para a cooperação  
digital  
Item Descrição  
Fornecimento de infraestruturas de banda  
larga  
REFERÊNCIAS  
I.  
Criação de infraestruturas de computação em  
BANGA, Rashmi; SINGH, P. Jeet. BRICS digital coopera-  
tion for industrialization. Centre for Competition Regula-  
tion and Economic Development, University of Johannesburg.  
Working Paper, n. 4, 2019.  
II.  
nuvem  
III.  
IV.  
V.  
Criação de infraestruturas de dados  
Facilitar a criação de infraestruturas digitais  
Promover o comércio eletrônico  
BBC. “Digital Economy Group.” BRICS Business Council  
-digitaleconomy.php. 2016. Acesso em: mar 27. 2025.  
Avançar nos mercados únicos digitais regio-  
nais  
VI.  
BPIC. “e 2nd Meeting of BRICS Working Group on ICT  
Cooperation Held.” BRICS PartNIR Innovation Center. 2022.  
NewsDetail.aspx?rowId=371. Acesso em: mar 27. 2025.  
Partilhar experiências em matéria de gover-  
nança eletrônica e cidades inteligentes  
VII.  
VIII.  
Promover as inovações digitais, a tecnologia,  
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BPIC. “e 2nd BRICS Industrial Innovation Contest Laun-  
ched.” BRICS PartNIR Innovation Center. 2024. Available  
px?rowId=663. Accessed in: mar 27. 2025.  
Definição de normas, políticas, leis, regula-  
mentação e padrões digitais a nível mundial  
IX.  
X.  
BPIC. “News on Sci-Tech Cooperation.” BRICS PartNIR In-  
en/Pages/Home/NewsList.aspx?classId=10. Accessed in: mar  
27. 2025.  
Criar estatísticas para medir a digitalização  
Fonte: Banga e Singh (2019, p. 39-40)  
BPIC. “Industrial Cooperation Projects.” BRICS PartNIR In-  
Cooperation/En/. Accessed in: mar 27. 2025.  
Está para além da nossa capacidade, no  
âmbito desta pesquisa, dissecar cada um dos  
pontos referidos pelos autores, tal como aconte-  
ce com as categorias de exclusão digital de Van  
Dijk e Hacker (2003). Contudo, ressaltamos  
BRASIL. XVI Cúpula do BRICS – Kazan, Rússia, 22 a 24  
de outubro de 2024 – Declaração Final. Available at: https://  
-a-imprensa/xvi-cupula-do-brics-2013-kazan-russia-22-a-24-  
127 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.117 - 127, fev. 2025  
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