121 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.117 - 127, fev. 2025
de banda larga fixa. Por fim, quando se trata
de servidores de Internet seguros, somente a
África do Sul e a Rússia têm números acima da
média mundial.
ta seção: 1) Novo Banco de Desenvolvimento
(New Development Bank, ou NDB); 2) BRI-
CS PartNIR4.
Iniciando a análise do NDB no âmbito
das TICs, o relatório anual do banco de 2023
toma as infraestruturas digitais como uma das
seis áreas de foco para financiamento. A insti-
tuição afirma seu compromisso em
Considerando que a maioria desses países
já sofre com deficiências econômicas estrutu-
rais, a falta de acesso à Internet e às TICs em
geral representa um grande problema para os
países BRICS quando se trata dos seus próprios
caminhos de desenvolvimento e interconexão
nacional e internacional. Esses investimentos
digitais são cruciais para o desenvolvimen-
to econômico sustentável, podendo gerar um
crescimento do PIB de até 50% no longo pra-
zo (Manyika et al, 2016), possibilitando uma
maior complexificação de suas economias
(Gala, 2020) por meio da economia digital,
que tem retornos crescentes de escala, combi-
nando inovações tecnológicas e gerando várias
sinergias (vínculos) entre diferentes setores da
economia (Reinert, 2010). Essa importância
se reflete no BRICS, onde a economia digital
e as TICs estão entre algumas das principais
áreas de foco do grupo, como afirma sua de-
claração de 2023 (Declaration, 2023). Com
a situação atual das TICs e das infraestruturas
digitais nestes países, portanto, quais medidas
de cooperação estão disponíveis no âmbito dos
BRICS?
financiar projetos que envolvam a expansão e
a modernização da infraestrutura digital na-
cional e internacional, como cabos terrestres
e submarinos, torres de telecomunicações e
estações rádio-base. Para obter acesso univer-
sal e acessível, o Banco dará prioridade aos
projetos que estendam a cobertura a áreas
mal atendidas e aos que melhorem a conecti-
vidade de última milha para atender às neces-
sidades dos usuários finais (NDB, 2023, s.p.).
Em termos estratégicos, há um claro po-
tencial para que o NDB se torne um financia-
dor viável de infraestrutura digital nos países
do BRICS, conforme declarado em seu plano
estratégico. Por outro lado, as tendências atuais
do portfólio de investimentos do NDB mos-
tram um cenário diferente, com este setor sendo
o de menor foco em termos absolutos. O único
projeto para infraestruturas digitais até 2024
foi o “Cellular Network and Cloud Services
Expansion Project” de 2020 para a Federação
Russa, com uma aprovação de financiamento
no valor de US$ 300 milhões. Ele representa
apenas 0,99% de todo o valor das aprovações
de projetos do banco em dezembro de 2022, fi-
cando atrás de áreas como infraestrutura social
(2,68%, US$ 810 milhões) e proteção ambien-
3 DEMOCRATIZANDO AS TICs: NDB,
BRICS PartNIR E O DESAFIO DA COO-
PERAÇÃO
Apesar de terem sido mencionados nas de-
clarações da cúpula, na área de TICs, os BRICS
carecem de iniciativas amplas para resolver suas
necessidades de infraestrutura digital. Ao ras-
trearmos essas iniciativas foi possível mapear al-
guns mecanismos de cooperação que merecem
ser mencionados e que marcam a divisão des-
4 Também identificamos outras iniciativas na forma de grupos
de trabalho que abordam algumas das questões levantadas
neste documento, como o Grupo de Trabalho de Coopera-
ção de TIC do BRICS e o Grupo de Trabalho de Economia
Digital do Conselho Empresarial do BRICS. No entanto,
não foi possível rastrear suas atividades e contribuições adi-
cionais para a transformação digital nos países do BRICS
(BPIC, 2022; BBC, 2016).