43 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.39 - 51, fev. 2025
o convite para a entrada de novos membros.
Oficialmente, os países que foram convidados
a se tornarem membros dos BRICS a partir de
1º de janeiro de 2024 eram a Argentina, Arábia
Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito e
Etiópia. A Argentina sob o governo de Javier
Milei, porém, não aceitou o convite.
forma de ampliar de modo definitivo os seus
membros constitutivos. Conforme Kipgen e
Chakrabarti (apud Peng, 2022, tradução nossa)
apontam, “[...] o conceito BRICS Plus foi pro-
posto pela primeira vez e formalmente intro-
duzido para um melhor mecanismo de coope-
ração com outras nações que não os BRICS”,
e que rapidamente acaba pendulando para um
sentido de alargamento de seus membros8.
O alargamento de 2023 do BRICS cha-
ma a atenção por diversos aspectos, alguns mais
evidentes do que outros. Particularmente, é
considerado por alguns como parte da agenda
chinesa9, processo do qual tanto o Brasil quan-
to a Índia se demonstraram resistentes, mas ao
qual ambos acabaram por ceder tendo em vista
a influência chinesa, em maior grau, e a russa
em menor (Garcia; Ibañez, 2023).
Importa salientar que já era possível ras-
trear como uma prática dos BRICS as denomi-
nadas iniciativas de amplo alcance, como forma
de maximizar o seu poder tanto institucional
quanto a sua qualidade de ator da política in-
ternacional via BRICS-Outreach Summit [Cú-
pula de Amplo Alcance dos BRICS] (Kipgen;
Chakrabarti, 2022). Diante do alargamento
dos BRICS consumado em sua composição, to-
mamos aqui uma das hipóteses iniciais de Zhao
e Lesage (2020, p. 72, tradução nossa)7, e que
aponta o outreach como a socialização daqueles
que não são membros com a visão do grupo,
compreendendo assim “[...] uma estratégia de
grupo para influenciar os não-membros, mais
precisamente para políticas, pontos de vista e
interesses dos seus governos, socializando-os no
consenso do grupo em termos de interesses e
pontos de vista comuns”.
O objetivo central do grupo, contudo,
enunciado e anunciado em uma chave de con-
testação-disputa em relação aos mecanismos de
governança global liberal, aparentemente con-
solidados, se fortalece frente a esse alargamen-
to: “[...] alterar o sistema de governança global”
(Planalto, 2023). Ademais, com a ampliação re-
cente se torna mais presente a dimensão geopo-
lítica que redimensiona os níveis de prioridade,
A hipótese ganha fôlego quando nos apro-
ximamos do conceito de BRICS Plus, que era
visto de forma pendular entre mais uma tática
de exercício do amplo alcance do Bloco e uma
8 Compuseram o BRICS Plus no contexto da reunião dos
Ministros das Relações Exteriores dos BRICS, presidida pela
China em maio de 2022, os Ministros das Relações Exte-
riores da Argentina, Egito, Indonésia, Cazaquistão, Nigéria,
Arábia Saudita, Senegal, Tailândia e Emirados Árabes Uni-
dos (Kipgen; Chakrabarti, 2022).
9 A esse respeito, cf. Peng (2022, tradução nossa) que afirma
que pouco depois de o Presidente chinês Xi Jinping ter sub-
linhado a aceleração do processo de expansão dos BRICS na
14.ª Reunião de Líderes dos BRICS em Pequim, no final de
junho, o Irã e a Argentina anunciaram que tinham apresen-
tado os seus pedidos formais de adesão ao grupo. Entretan-
to, os ministros das Relações Exteriores do Cazaquistão, da
Arábia Saudita, da Argentina, do Egito, da Indonésia, da Ni-
géria, do Senegal, dos Emirados Árabes Unidos, da Tailândia
e de outros países convidados participaram na reunião dos
ministros das Relações Exteriores dos BRICS pela primeira
vez em maio. Todas estas ações positivas são indicações claras
de que a expansão do BRICS está acelerando”.
7 As outras hipóteses trazidas no bojo da contribuição de Zhao
e Lesage (2020) são cinco e indicam que (i) a relação do
BRICS com não membros guarda relação com o aumento
de sua efetividade no alcance de objetivos de política; e (ii)
os BRICS se comunicam com os não membros como forma
de maximizar a sua legitimidade em âmbito internacional;
(iii) a relação com os não-membros se estabelece por razões
materiais ou constitutivas por iniciativa de membros indi-
viduais dos BRICS e ecoam os seus interesses individuais;
(iv) a coesão política no seio do grupo no que concerne à
estratégia de proximidade/aproximação conduz a uma forte
institucionalização e vice-versa; (v) a institucionalização da
aproximação com as grandes potências é difícil de se susten-
tar sem que haja uma apropriação total do processo.