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ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.24 - 38, fev. 2025  
24 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.24 - 38, fev. 2025  
Artigo  
Alavanca para a ascensão das  
margens? Uma análise da agenda da  
agenda de invocação tecnológica do  
BRICS1  
Lever for the Rise of the Margins? An Analysis of the BRICS Technological Innovation  
Agenda  
¿Palanca para el Ascenso de los Márgenes? Un Análisis de la Agenda de Innovación Tec-  
nológica de los BRICS  
Laís Melo de Souza2  
Henrique Zeferino de Menezes3  
Recebido em: 14 de novembro de 2025  
Aceito em: 12 de agosto de 2025  
RESUMO  
Este artigo analisa a agenda de inovação do BRICS, destacando seu potencial estratégico  
no desenvolvimento socioeconômico e no reposicionamento dos países do bloco no cenário  
internacional. O artigo apresenta uma visão da estrutura institucional do bloco e  
examina, a partir de dois estudos de caso, o potencial quanto às limitações da cooperação  
em inovação tecnológica dos países, além dos obstáculos e perspectivas para ampliação do  
impacto global do BRICS. Embora o BRICS enfrente desafios estruturais nessa agenda,  
como um engajamento frágil e instável, além de limitações financeiras e orçamentárias, o  
grupo busca, por meio de parcerias e mecanismos colaborativos, estimular a transferência  
de tecnologia e promover o desenvolvimento sustentável.  
Palavras-chave: BRICS; inovação tecnológica; cooperação internacional.  
ABSTRACT  
is paper analyses the BRICS innovation agenda, highlighting its strategic potential for  
socioeconomic development and for repositioning the bloc’s countries in the international  
arena. e paper presents an overview of the bloc’s institutional structure and examines,  
through two cases, the potential and limitations of technological innovation cooperation  
among the countries, as well as the obstacles and prospects for expanding BRICS’s global  
1 Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (420318/2023-2) e ao Instituto Nacio-  
nal de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU) pelo apoio à pesquisa.  
2 Laís Melo de Souza é graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba e atualmente é mestranda  
em Economia do Desenvolvimento e Estudos Internacionais na Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg, Alemanha.  
Email: olalais.melo@gmail.com.  
3 Henrique Zeferino de Menezes é professor do Departamento de Relações Internacionais e do Programa de pós-graduação em  
Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Email: hzmenezes@ccsa.ufpb.br. Orcid:  
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impact. Although BRICS faces structural challenges in this agenda, such as fragile and  
unstable engagement, along with financial and budgetary constraints, the group seeks,  
through partnerships and collaborative mechanisms, to foster technology transfer and  
promote sustainable development.  
Keywords: BRICS; technological innovation; international cooperation.  
RESUMEN  
Este artículo analiza la agenda de innovación de los BRICS, destacando su potencial  
estratégico en el desarrollo socioeconómico y en el reposicionamiento de los países del bloque  
en el escenario internacional. El artículo presenta una visión de la estructura institucional  
del bloque y examina, a partir de dos estudios de caso, tanto el potencial como las  
limitaciones de la cooperación en innovación tecnológica entre los países, además de los  
obstáculos y perspectivas para ampliar el impacto global de los BRICS. Aunque los BRICS  
enfrentan desafíos estructurales en esta agenda, como un compromiso frágil e inestable, así  
como limitaciones financieras y presupuestarias, el grupo busca, mediante asociaciones y  
mecanismos colaborativos, fomentar la transferencia de tecnología y promover el desarrollo  
sostenible.  
Palabras clave: BRICS; innovación tecnológica; cooperación internacional.  
(FMI, 2024; Statista, 2024). Recentemente,  
na cúpula de Kazan, realizada no final de 2024,  
foram definidos novos critérios de adesão ao  
bloco, além do convite para a participação de  
mais 13 países como “estados parceiros”4.  
1 INTRODUÇÃO  
O termo “BRIC” foi cunhado em 2001  
pelo economista do Goldman Sachs Jim  
O’Neil para destacar o potencial econômico de  
Brasil, Rússia, Índia e China. Com o tempo,  
o grupo se institucionalizou, realizando sua  
primeira cúpula oficial em 2009, na cidade de  
Ecaterimburgo. Desde então, o bloco vem se  
fortalecendo, seja em razão de seu alargamento  
geográfico, do aumento do seu poder econô-  
mico ou da complexificação da sua agenda e  
arquitetura institucional.  
Outra dimensão importante da institucio-  
nalização do bloco está na formação de fóruns  
permanentes de discussão e de cooperação téc-  
nica, além da criação de organismos internacio-  
nais, como o Novo Banco de Desenvolvimento  
(NBD) e o Arranjo Contingente de Reservas  
(ACR). Como consequência, o BRICS tam-  
bém passou por um processo de diversificação  
de sua agenda de cooperação, abrangendo ques-  
tões estruturantes, como a reforma da gover-  
nança global e de suas instituições, alcançando  
também aspectos sensíveis do desenvolvimento  
econômico e da sustentabilidade.  
A primeira ampliação do bloco aconteceu  
em 2010, com a entrada da África do Sul, le-  
vando à atualização da sigla para ‘BRICS’. Na  
cúpula de Joanesburgo, realizada em 2023, foi  
anunciada a entrada de seis novos membros -  
Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados  
Árabes Unidos, Etiópia e Irã, apesar da recusa  
do país sul-americano. A versão ampliada do  
BRICS representa, em 2024, cerca de 36% do  
PIB mundial, superando os 29,64% do G7  
Apesar das diferenças e assimetrias de  
poder entre seus membros, o arranjo tem am-  
pliado sua relevância política internacional.  
4 São eles: Turquia, Indonésia, Argélia, Belarus, Cuba, Bolí-  
via, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã,  
Nigéria e Uganda.  
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Baseado em um discurso que reflete demandas  
particulares, mas também de interesse dos paí-  
ses periféricos, o grupo une forças para elevar  
suas posições e construir caminhos alternativos  
na governança global, consolidando-se como  
um ator político indispensável nas relações  
internacionais. Entre as agendas comuns, o  
estímulo à inovação, ao desenvolvimento in-  
dustrial e à mudança tecnológica é parte cen-  
tral e estratégica da agenda de colaboração do  
bloco, recebendo a maior parte dos esforços  
colaborativos (Papa, Han e O’Donnell, 2023).  
Na formulação política do bloco, a inovação  
e a transformação tecnológica são elementos  
estratégicos para o desenvolvimento socioeco-  
nômico dos países e para o reposicionamento  
dos países do bloco na divisão internacional do  
trabalho, com vistas à redução das desigualda-  
des globais.  
à centralidade desta agenda nos interesses de  
cooperação do BRICS, como explicam Papa,  
Han e O’Donnell (2023), este artigo se propõe  
a analisar as potencialidades e as fragilidades da  
agenda de inovação tecnológica do bloco. Para  
tanto, será realizada uma avaliação da estrutu-  
ra organizacional do bloco, com o objetivo de  
mapear os significados políticos e práticos da  
cooperação nesse campo. Para isso, será apre-  
sentada uma historicização da construção da  
agenda de inovação tecnológica do bloco, uti-  
lizando documentos e publicações produzidos  
pelo BRICS, além da elaboração de uma taxo-  
nomia organizacional do agrupamento. Nesta  
etapa, também serão apresentados dois estudos  
de caso de iniciativas concretas de cooperação  
em ciência, tecnologia e inovação, ilustrando a  
complexidade do processo de tomada de deci-  
são.  
A inovação tecnológica é central para via-  
bilizar o desenvolvimento econômico e susten-  
tável, produzindo ganhos de eficiência e pro-  
dutividade ao permitir, em certa medida, uma  
inserção competitiva no mercado internacio-  
nal. Como sintetizado por Dani Rodrik e Jose-  
ph E. Stiglitz (2024), a inovação é condição ne-  
cessária para transformações estruturais na base  
produtiva dos países, proporcionando ganhos  
econômicos relevantes que viabilizem mudan-  
ças sociais significativas. Da mesma forma, a  
inovação tecnológica tem sido tratada como  
solução necessária para o desenvolvimento sus-  
tentável, garantindo ganhos produtivos com  
efeitos sobre problemas estruturais que limitam  
mudanças sociais e ambientais mais urgentes  
(Menezes, 2020).  
A agenda de inovação do BRICS não é  
recente nem emergencial, refletindo uma com-  
preensão estratégica de longo prazo sobre o pa-  
pel da C,T&I no desenvolvimento dos países  
do bloco. Embora existam compromissos po-  
líticos, instrumentos colaborativos e objetivos  
compartilhados, o avanço dessa agenda enfren-  
ta desafios estruturais – ao mesmo tempo em  
que o BRICS busca se afirmar como protago-  
nista internacional no campo da inovação tec-  
nológica, sua arquitetura flexível e a assimetria  
de interesses entre os membros podem limitar  
a obtenção de resultados concretos. A análise  
dos casos, com foco em aspectos como o com-  
prometimento financeiro, a prevalência de me-  
canismos não compulsórios e a recorrência de  
ciclos de desengajamento, contribui para com-  
preender as dinâmicas internas da estrutura or-  
ganizativa do bloco e os limites práticos de sua  
implementação.  
Considerando a centralidade da inovação  
tecnológica para o desenvolvimento econômi-  
cos dos países e para a compreensão de dinâmi-  
cas essenciais nas relações internacionais, aliada  
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conhecimentos e produtos, serviços e pro-  
2 A CONSTRUÇÃO DA  
AGENDA DE INOVAÇÃO DO  
BRICS  
cessos inovadores, utilizando instrumentos  
adequados de investimento e financiamento;  
(iv) promover, onde apropriado, parcerias  
conjuntas do BRICS com outros atores es-  
tratégicos do mundo em desenvolvimento.”  
(Cape Town Declaration, 2014, p. 2, tradu-  
ção nossa).  
A inovação tecnológica recebe grande aten-  
ção na estratégia dos BRICS, estimulando políti-  
cas colaborativas que visem fortalecer a capacita-  
ção técnica dos países. No Action Plan 2021-2024  
essa questão é expressa de forma clara:  
O MoU estabelece as bases para promo-  
ver a colaboração em inovação, indicando mo-  
dalidades preferenciais de cooperação, como  
mecanismos compartilhados de troca de infor-  
mações e acordos para intercâmbio de capital  
humano e acesso às estruturas inovadoras dos  
países membros. Ele define os compromissos  
iniciais e os organismos a serem implementa-  
dos, além de reforçar as responsabilidades das  
entidades envolvidas. Além disso, formaliza os  
compromissos delineados na declaração da Cú-  
pula de 2015, onde os membros reafirmam :  
“Inovação é uma das principais forças pro-  
motoras do desenvolvimento sustentável glo-  
bal, desempenhando um papel fundamental  
na promoção do crescimento econômico,  
apoiando a criação de emprego, empreende-  
dorismo e reformas estruturais, aumentando  
a produtividade e a competitividade, promo-  
vendo melhores serviços aos cidadãos e en-  
frentando os desafios globais” (BRICS, 2021,  
p. 2, tradução nossa).  
A agenda colaborativa de inovação do blo-  
co começou a se formar em 2011 e foi conso-  
lidada com o Primeiro Encontro Ministerial de  
Ciência, Tecnologia e Inovação que resultou na  
Cape Town Declaration em 2014. Nessa decla-  
ração, foram definidas cinco áreas prioritárias,  
com cada país membro assumindo a liderança  
de uma: a) o Brasil em mudanças climáticas e  
mitigação de desastres naturais; b) a Rússia em  
recursos hídricos e tratamento da poluição; c) a  
Índia em tecnologia geoespacial e suas aplica-  
ções; d) a China em energia renovável e eficiên-  
cia energética; e) a África do Sul em astronomia  
(Kubota, 2019; BRICS, 2014 - tradução nossa).  
A declaração impulsiona a publicação  
“a vontade de reforçar a cooperação em ciên-  
cia tecnologia e inovação com o propósito de  
promover um desenvolvimento social e eco-  
nômico inclusivo e sustentável, diminuindo  
a diferença científica e técnica entre os países  
do BRICS e os países desenvolvidos, promo-  
vendo uma nova qualidade de crescimento  
baseada na complementaridade econômica,  
assim como encontrando soluções para os de-  
safios que a economia mundial enfrenta hoje”  
(BRICS, 2015a, p. 35, tradução nossa).  
Como resultado do MoU e da sua con-  
cepção de cooperação voluntária, foi lançado  
o BRICS Action Plan to Innovation Cooperation  
(2017), sendo o primeiro a planejar os esforços  
práticos de inovação no bloco. O Action Plan de-  
fine não somente as agendas nas quais a inova-  
ção será fomentada, mas também nomeia meca-  
nismos que irão servir de impulso para avançar  
essas temáticas. De forma específica, delimita a  
prioridade para a criação de parques científicos e  
tecnológicos nos países do BRICS, combinando  
do BRICS Memorandum of Understanding in  
Science, Technology and Innovation (MoU) que  
deveria servir como elemento estratégico, para  
“(i) fortalecer a cooperação em ciência, tec-  
nologia e inovação; (ii) lidar com desafios  
socioeconômicos globais e regionais comuns,  
utilizando experiências compartilhadas e  
complementaridades; (iii) coproduzir novos  
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o fomento à inovação com o empreendedorismo  
e a facilitação da mobilidade de recursos huma-  
nos (Dallasta Del Grossi, 2020, p. 149).  
3 A ARQUITETURA  
INSTITUCIONAL DA AGENDA  
DE INOVAÇÃO DO BRICS  
A Cúpula de Joanesburgo, em 2018, mar-  
cou um novo ponto de virada para fortalecer a  
agenda de inovação do BRICS, com revisões  
de demandas e a introdução de novas temáti-  
cas e mecanismos (Dallasta Del Grossi, 2020).  
Nesta cúpula, além de reforçar a ambição pelo  
desenvolvimento de estruturas físicas compar-  
tilhadas, foi lançado o BRICS Partnership on  
New Industrial Revolution, voltado aos desafios  
da quarta revolução industrial.  
O objetivo desta seção é apresentar a  
agenda de inovação dos BRICS, compreenden-  
do seu desenho institucional e os instrumen-  
tos que a integram. Para isso, ela se organiza  
em três partes. Inicialmente, será apresentado  
o mecanismo organizacional geral do BRICS,  
que serve de base para a conformação da agen-  
da de inovação. Em seguida, serão delineados  
os eixos centrais que estruturam essa agenda,  
considerando suas temáticas mais relevantes,  
além de uma análise específica sobre os instru-  
mentos que a operacionalizam.  
Em 2019, com as necessidades de mu-  
dança evidenciadas no ano anterior, a agen-  
da expandiu-se além do STI Working Group,  
inaugurando uma nova estrutura mais clara e  
coordenada. Em consonância com os pilares do  
MoU (2015), a cooperação em STI foi subdivi-  
dida em quatro áreas: a) colaboração em pesqui-  
sa científica, b) fortalecimento de infraestrutura  
de pesquisa, c) inovação tecnológica, d) susten-  
tabilidade (BRICS, 2020b, p. 12). Além disso,  
foram adicionados nove novos grupos de traba-  
lho temáticos sobre questões contemporâneas,  
permitindo uma abordagem mais específica.  
O que se percebe é que a agenda de inova-  
ção do BRICS tem pilares políticos bem defini-  
dos, buscando combinar os interesses particula-  
res e equilibrar as assimetrias técnicas entre os  
membros, para avançar na construção de capaci-  
dades colaborativas. A agenda de inovação baseia  
seu desenho de prioridades em um mosaico de  
interesses de atores em desenvolvimento, ambi-  
ções compartilhadas e construção de consensos  
custosos. A seguir, apresentaremos as estruturas  
institucionais desenvolvidas, para construir uma  
base de discussão sobre as potencialidades e as  
limitações da agenda de colaboração do bloco  
no campo da inovação tecnológica.  
3.1. Taxonomia organizacional dos  
BRICS  
Como acontece com a maioria das agendas  
de cooperação dentro do BRICS, a de inovação  
está inserida nas estruturas organizacionais do  
grupo. Com o objetivo de preservar a autono-  
mia dos membros, que possuem características  
tão distintas, garantir a tomada de decisões por  
consenso e, ao mesmo tempo, criar um percur-  
so organizacional que possibilite uma agenda  
comum, o BRICS submete suas pautas a uma  
estrutura político-administrativa bem planeja-  
da e aparentemente estável.  
A organização é dividida em dois níveis  
principais. O alto nível administrativo, de ca-  
ráter estratégico, é composto pelas Summits e  
Encontros Ministeriais, que contam com a par-  
ticipação de chefes de estado ou representantes  
de alto escalão de cada membro. Este nível se  
complementa com o que se pode denominar  
de nível tático, incluindo as Senior Official  
Meetings (SOM) e os Secretariados (BRICS,  
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2020b, p. 13). Como as duas modalidades do  
nível tático não são adotadas de forma homo-  
gênea no arranjo e aparecem apenas em algu-  
mas agendas, podem ser interpretadas como  
um apêndice do nível estratégico.  
pelas diretrizes definidas pelo alto nível. Esta  
instância é responsável pela implementação  
prática das metas do grupo, contando com o  
engajamento e o trabalho de representantes  
nomeados por cada país do bloco. A figura 1  
apresenta uma representação da estrutura orga-  
nizacional do bloco.  
O baixo nível administrativo (low admi-  
nistrative level) é a esfera operacional, caracte-  
rizada por maior flexibilidade, sendo orientada  
Figura 1: Taxonomia organizacional do BRICS  
Fonte: Elaboração própria. Baseado no BRICS STI Overview (2020).  
Os Summits, nos quais os chefes de Esta-  
do dos países membros se reúnem anualmen-  
te, são o espaço dedicado à definição política  
dos consensos e dos macro objetivos do gru-  
po, além de determinar os níveis de esforços a  
serem mobilizados para avançar nos interesses  
comuns identificados. A partir dessas delibera-  
ções, os Encontros Ministeriais aprofundam as  
pautas estabelecidas nas Summits, revisitando-  
-as com o objetivo de definir os processos e ob-  
jetivos específicos a serem implementados den-  
tro do arranjo. Além destas, quando presentes e  
operantes, as Senior Official Meetings5 comple-  
mentam as discussões das pautas no alto nível.  
Os Grupos de Trabalho (GT), integra-  
dos ao baixo nível administrativo, funcionam  
como um intermediário entre as determina-  
ções do alto nível e sua execução prática. Com  
um papel essencialmente operacional, os GT  
– que em raros casos podem ser nomeados Ad-  
visory Groups – atuam sobre os interesses es-  
tratégicos e compromissos estabelecidos, con-  
vertendo-os em acordos e iniciativas concretas,  
conforme as tarefas e competências atribuídas  
pelas reuniões ministeriais. Assim, os planos e  
iniciativas representam o ponto de chegada,  
onde as pautas decididas pelo bloco são efeti-  
vamente materializadas.  
5 Apesar de se fazer ativo na estrutura da temática de Ciência,  
Tecnologia e Inovação (CTI), este não é um elemento admi-  
nistrativo regular e presente em todas as agendas.  
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3.2. Destrinchamento da agenda de  
inovação  
de inovação tecnológica, identificando as ini-  
ciativas e mecanismos específicos disponíveis  
para implementar os interesses de inovação do  
grupo. O mapeamento detalhado dos elemen-  
tos que compõem e viabilizam essa agenda foi  
feito a partir dos Summit Reports, relatórios de  
Ministerial Meetings e outros documentos de  
trabalho do BRICS.  
A leitura e análise dos Reports6 anuais,  
produzidos como resultado dos Summits, per-  
mite apreender os elementos estruturais e os  
objetivos gerais do bloco, incluindo aqueles  
relacionados à agenda de inovação do BRICS.  
Além disso, é possível perceber a forma como  
a inovação tecnológica perpassa diversas outras  
áreas de cooperação do bloco, configurando-se  
como um esforço transversal para o alcance de  
múltiplos objetivos.  
A Figura 2 ilustra os instrumentos dis-  
poníveis, mostrando sua alocação conforme  
a taxonomia organizacional do grupo, o que  
também possibilitou traçar o perfil desses me-  
canismos e sua distribuição nas agendas sele-  
cionadas. Compreendendo o padrão organiza-  
cional do BRICS e suas principais agendas de  
inovação, a análise a seguir explora as estrutu-  
ras, planos e iniciativas que, dentro do modelo  
high-low level, buscam avançar as ambições do  
bloco. No entanto, o mapeamento é desafiador,  
principalmente devido às constantes mudanças  
na organização documental, causadas pela ro-  
tatividade anual da presidência, à falta de uma  
base de dados e documentos unificada que cen-  
tralize informações sobre instituições e planos e  
à ausência de continuidade e manutenção em  
muitos dos mecanismos criados.  
Além dos macrotemas associados ao de-  
senvolvimento econômico, ao crescimento  
mútuo e inclusivo e ao fortalecimento da go-  
vernança do bloco, é possível identificar áreas  
específicas de interesse nas quais a conexão com  
a agenda de inovação é essencial. Para aprofun-  
dar a compreensão dessa agenda, dado seu ca-  
ráter transversal, foram selecionados temas nos  
quais a inovação tecnológica desempenha um  
papel central. Esses temas incluem: desenvol-  
vimento sustentável, com foco no desenvolvi-  
mento industrial sustentável; saúde, abordando  
esforços de pesquisa para o desenvolvimento e  
produção de tecnologias farmacêuticas; tecno-  
logias da informação e comunicação (ICT),  
voltadas para a economia digital; energia, com  
ênfase em fontes renováveis; e mudanças cli-  
máticas e meio ambiente, com o objetivo de  
promover a economia verde e prevenir desas-  
tres ambientais7.  
Com base nessas categorias, foi possível  
examinar a estrutura organizacional da agenda  
6 Foram analisadas a XII, XIII, XIV e XV Summit que cor-  
respondem respectivamente aos anos de 2020, 2021, 2022  
e 2023.  
7 A divisão das temáticas adotadas para o mapeamento são  
classificações já utilizadas nos relatórios de trabalhos do pró-  
prio BRICS e também de outras organizações que estudam  
o arranjo, como o BRICS Research Group.  
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Figura 2: Mapeamento dos elementos da agenda de inovação  
Fonte: Elaboração própria, 2024.8  
8 A imagem foi construída a partir da revisão de diversos documentos de trabalho publicados pelo BRICS, com um recorte temporal  
de 2015-2023. Ainda assim, o mapeamento se limita às 5 áreas temáticas escolhidas, e também se preocupa em deixar de fora os  
instrumentos que não chegaram à implementação prática.  
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A temática com maior concentração de  
instrumentos operacionais (WG, planos e ini-  
ciativas) é a de desenvolvimento sustentável,  
acumulando 15 das 31 iniciativas contabiliza-  
das. A maturidade do modelo high-low nessa  
agenda – evidenciada por um percurso estra-  
tégico-operacional completo e pela diversidade  
e quantidade de instrumentos criados – apesar  
de já esperado, visto a transversalidade da temá-  
tica, reflete o alto interesse do BRICS em unir  
esforços para impulsioná-la. Além de essenciais  
para o crescimento doméstico dos países mem-  
bros, esta é uma pauta relevante na economia  
global e necessária para reforçar o protagonis-  
mo do grupo.  
A fase operacional do BRICS divide-se em  
duas etapas principais: a formulação de planos  
de ação e a construção de iniciativas específi-  
cas. Os planos são documentos estruturados  
que consolidam consensos e compromissos  
dos membros, enquanto as iniciativas surgem  
dessas diretrizes e são implementadas de for-  
ma prática. Essas iniciativas permitem explorar  
os canais de inovação tecnológica e expõem as  
complexidades e fragilidades dos compromis-  
sos assumidos.  
A cooperação do BRICS segue modali-  
dades definidas pelo Memorandum of Un-  
derstanding, com ênfase em programas de  
treinamento para desenvolvimento de capital  
humano, intercâmbio de informações sobre  
CT&I, pesquisa colaborativa e eventos de in-  
teresse comum (BRICS, 2015b).  
Além de reunir mais iniciativas, essa agen-  
da destaca-se por combinar diferentes moda-  
lidades de cooperação. Por meio de interesses  
convergentes em inovação e desenvolvimento  
sustentável, o BRICS implementou órgãos de  
cooperação, como o BRICS Technology Transfer  
Center, e instrumentos de compartilhamento  
de conhecimento e contatos, como a iBRICS  
Network. Também se desenvolveram instru-  
mentos para liderar temas futuros, presente  
nas declarações do BRICS PartNIR (BRICS,  
2020a) e operacionalizada pelo BRICS Part-  
NIR Innovation Center, ampliando o impacto  
do trabalho colaborativo do grupo.  
Adicionalmente, como mostrado na figu-  
ra 2, agendas como Mudança Climática e Meio  
Ambiente ainda são pouco maduras, apesar do  
Acordo de Paris ser frequentemente menciona-  
do para lidar com o tema, com responsabilida-  
des atribuídas aos países desenvolvidos (BRI-  
CS, 2023, p.17).  
3.3 Modalidade dos instrumentos à  
disposição da agenda de inovação  
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Figura 3: Modalidade das iniciativas ligadas a agenda de inovação do BRICS  
Fonte: Elaboração própria.  
O BRICS tem promovido trocas de kno-  
w-how, cooperação em pesquisa e a criação de  
frameworks e plataformas para desenvolver  
modalidades institucionais que abrangem suas  
múltiplas agendas. Diferentemente de uma  
abordagem voltada para crescimento econômico  
imediato, o grupo busca criar capacidades estru-  
turais para ganhos futuros, considerando que o  
crescimento sustentável exige transformações es-  
truturais e inovação constante, ao contrário de  
booms temporários (Rodrik e Stiglitz, 2024).  
As iniciativas do BRICS, que se organi-  
zam em oito modalidades, têm como propósito  
estruturar uma base inicial de inovação. Essa  
estrutura possibilitaria aos países membros  
avançar tanto em projetos conjuntos quanto  
em metas individuais, considerando suas capa-  
cidades e interesses específicos.  
te com o crescimento sustentável e a inovação,  
buscando não apenas benefícios atuais, mas  
a construção de bases para o futuro (BRICS,  
2021, p. 2). Embora os resultados ainda pos-  
sam ser aprimorados, a existência desses instru-  
mentos sugere um direcionamento comum. A  
seguir apresentamos dois casos particulares de  
iniciativas de inovação executadas pelo BRI-  
CS, que exemplificam sua estrutura de ação e  
apontam para alguns dos limites da agenda de  
cooperação.  
3.3.1. O BRICS GRAIN E O BRICS  
TECHTRANSFER  
Nesta seção apresentamos dois casos que  
retratam a dinâmica high-low do processo de-  
cisório do BRICS e que exemplificam a cons-  
trução da agenda de inovação do bloco, assim  
como as dificuldades que enfrentam. Serão  
A análise demonstra que, apesar das fragi-  
lidades, o BRICS se compromete politicamen-  
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apresentados o BRICS Global Research Advan-  
ced Infrastructure Network (GRAIN) e o BRICS  
Technology Transfer Center.  
do à inovação. A operação prática do GRAIN  
só foi viabilizada com a aprovação do Frame-  
work of BRICS STI Cooperation on Research  
Infrastructure, que forneceu o financiamento  
necessário (BRICS, 2020b, p. 35).  
O BRICS GRAIN exemplifica uma for-  
ma de rede e de plataforma de pesquisa, que  
busca acelerar a troca de know-how e expan-  
dir infraestrutura de pesquisa entre os países.  
O projeto foi apresentado e aprovado na Sum-  
mit Declaration de 2016, com apoio ministe-  
rial formalizado na 4ª Reunião Ministerial de  
Ciência, Tecnologia e Inovação. Sua execução  
foi delegada ao BRICS Working Group on  
Research Infrastructure and Mega Science Pro-  
jects, responsável por gerenciar a criação e de-  
senvolvimento da iniciativa.  
Como mencionado, o BRICS GRAIN  
busca expandir a infraestrutura de pesquisa  
nos países do bloco, facilitar o intercâmbio de  
conhecimento e fomentar projetos colaborati-  
vos. Através do BRICS GRAIN Research In-  
frastructure Platform, pesquisadores nas áreas  
de energia, nanotecnologia, biociência, física  
e astronomia podem acessar informações e  
oportunidades centralizadas. O site público  
da plataforma facilita o acompanhamento de  
atividades, listando 21 organizações parceiras e  
mais de 1,5 milhão de publicações. Ele tam-  
bém mostra a localização e o status das 31 in-  
fraestruturas de pesquisa, indicando quais estão  
operacionais e quais ainda estão em desenvolvi-  
mento (BRICS Grain, 2024).  
Com base nos princípios do Memoran-  
dum of Understanding (2015), que visa fo-  
mentar cooperação em infraestruturas de pes-  
quisa de larga escala (BRICS, 2020b, p. 35),  
o WG iniciou a implementação do BRICS  
GRAIN em 2017, tornando-o um canal volta-  
Figura 4: BRICS GRAIN e Technology Transfer Center  
Fonte: Elaboração própria.  
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Mais recentemente, há movimentações  
no sentido da criação de centros físicos de pes-  
quisa compartilhados, somando às estruturas  
produtivas dos países, o que pode facilitar as  
produções compartilhadas e exigir maiores  
compromissos políticos e financeiros. O BRICS  
Technology Transfer Center (BRICS Techtransfer)  
é o primeiro mecanismo deste tipo.  
de resultados. Com trocas de liderança e um  
perfil de compromissos pouco compulsório e  
com baixo comprometimento financeiro, mui-  
tas das iniciativas acabam entrando em fases de  
desligamento ou desengajamento, o que com-  
promete sua operação. Além disso, não existe  
uma base centralizada que possibilite o acom-  
panhamento das operações destas iniciativas  
ou que divulgue seus resultados, dificultando  
a geração de incentivos e apelos para sua ma-  
nutenção.  
O BRICS WG on Science, Technology,  
Innovation and Entrepreneurship Partnership  
(STIEP), responsável pelo BRICS Techtrans-  
fer, elaborou o BRICS Action Plan 2021-2024,  
que detalha os objetivos de inovação do grupo  
e planeja a criação do centro como um meca-  
nismo prático para implementar essa agenda  
(BRICS, 2021, p. 3). Com a aprovação do  
plano e do Enabling Framework for the Imple-  
mentation of BRICS Technology Transfer Center  
Cooperation pelos Ministros de CTI em 2021,  
o centro iniciou sua fase operacional (MOST-  
-China, 2022).  
Para se ter uma ideia das dificuldades, o  
portal do BRICS GRAIN, encontra-se desa-  
tualizado desde 2019. Mesmo com notícias  
de recentes parcerias com novas instituições  
de inovação tecnológicas (Rosatom, 2023), o  
que comprova a continuação das atividades da  
iniciativa, estas não são atualizadas no portal, o  
que prejudica fundamentalmente a percepção  
dos resultados produzidos, influenciando tam-  
bém negativamente no engajamento e apoio  
para manutenção das mesmas. Por sua vez, o  
BRICS Techtransfer ainda carece de instru-  
mentos públicos de monitoramento, dificul-  
tando a avaliação de seus resultados. No en-  
tanto, a criação do Steering Committee of the  
BRICS Technology Transfer Center Network,  
que realizou sua primeira reunião em 2022,  
visa coordenar e aconselhar a agenda do cen-  
tro, sinalizando o compromisso com o desen-  
volvimento e a potencialização das operações  
(MOST-China, 2022).  
Originado de uma proposta chinesa de  
2018, o BRICS Techtransfer é sediado na Chi-  
na, onde é administrado pelo BRICS STIEP  
WG, com o foco na facilitação da transferên-  
cia tecnológica, fortalecimento da capacitação  
técnica e promoção da conectividade de dados  
(MOST-China, 2022). Como primeiro centro  
oficial de transferência de tecnologia do grupo,  
o BRICS Techtransfer marca uma nova etapa  
para a inovação no bloco, oferecendo um espa-  
ço físico para colaborações efetivas.  
Apesar de gerar entusiasmo e indicar um  
progresso do grupo em relação ao desenvolvi-  
mento de seus instrumentos próprios, os me-  
canismos mencionados, apresentam grandes  
pontos de sensibilidade. De maneira geral, es-  
tes e outros instrumentos criados pelo BRICS,  
com exceção do NBD, falham em constância,  
mecanismos de acompanhamento e exposição  
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
O caminho percorrido para entender a es-  
trutura organizacional e os mecanismos e ins-  
trumentos que contornam e integram a agenda  
de inovação do BRICS nos mostram o grau de  
maturidade política desse tema para os países,  
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ao mesmo tempo que aponta suas limitações e  
desafios. Diante dos marcos da estrutura high-  
-low level que modulam a operação do BRICS  
na sua face estratégica, tática e operacional, foi  
possível verificar as pautas que possuem pro-  
tagonismo na agenda de inovação e entender  
como o arranjo explora variados mecanismos  
que acessam a inovação por diferentes vieses.  
Percebe-se que não se trata de uma agen-  
da que surgiu ‘ontem’ e não foi pensada para  
produzir resultados ‘amanhã’ - i.e esforços de  
inovação do arranjo não possuem um perfil  
emergencial ou temporário. Por interpretar a  
inovação como uma necessidade primária para  
seu alavancar futuro, e não como uma mera  
ambição momentânea, potencializada por em-  
bates tecnológicos, o BRICS tem o potencial  
de fortalecer a colaboração interna nesse campo  
e, eventualmente, acolher demandas latentes  
de outros atores com quem ocupam as margens  
do sistema.  
iniciativas, mas evitam compromissos financei-  
ros compulsórios e regras rígidas. Essa flexibi-  
lidade, embora facilite o surgimento de novas  
ações, também expõe fragilidades, como a falta  
de clareza em procedimentos operacionais.  
As instituições de inovação do BRICS  
visam expandir a transferência de tecnologia,  
capacitar capital humano, promover pesquisa  
compartilhada e criar bases de dados comuns  
(BRICS, 2017). Embora esses e outros meca-  
nismos aumentem as expectativas sobre o pro-  
tagonismo do BRICS na inovação, algumas  
ressalvas são necessárias. O foco em platafor-  
mas e redes de integração de dados, apesar de  
apoiar o processo inovador, não é suficiente  
para promover transformações estruturais que  
consolidem a liderança do grupo. Além disso,  
muitos desses mecanismos enfrentam ciclos de  
inconsistência, com períodos ativos seguidos  
por interrupções ou paralisações. Ainda que  
contemplem abordagens distintas — tanto em  
redes virtuais quanto em estruturas físicas —, o  
foco permanece na reconfiguração das estrutu-  
ras e capacidades dos membros.  
Por outro lado, trata-se de uma agenda que  
enfrenta dificuldades relevantes, que espelham,  
em grande parte, as dificuldades do próprio  
bloco em manejar seus interesses individuais.  
A análise da agenda de inovação do BRICS evi-  
dencia um entendimento robusto por parte dos  
membros acerca da importância da cooperação  
em C,T&I, além de um compromisso político  
e uma variedade de instrumentos colaborativos  
voltados ao tema. Contudo, esse compromisso  
e a presença de tais instrumentos não assegu-  
ram o sucesso. Embora abram possibilidades,  
as instituições do BRICS enfrentam fragilida-  
des, como oscilações no engajamento, baixo  
comprometimento financeiro e a predominân-  
cia de compromissos baseados em declarações  
de interesse, sem obrigatoriedade formal. Os  
planos revelam áreas de concordância entre os  
membros e servem como ponto de partida para  
O caráter não compulsório dos compro-  
missos, o baixo compliance e a voluntarieda-  
de, que, em parte, facilitam o avanço de pautas  
em um grupo tão diverso, também limitam a  
obtenção de resultados práticos. Além disso, a  
baixa vigilância dos próprios membros sobre o  
cumprimento dos mecanismos acordados e as  
fases recorrentes de desengajamento prejudi-  
cam o sucesso substancial dessa agenda, apesar  
de sua importância para o futuro do grupo.  
Embora o processo de inovação inspire  
otimismo para o desenvolvimento da periferia,  
ele ainda enfrenta limitações que frequente-  
mente se restringem a aspectos marginais, sem  
alcançar ou promover uma reforma estrutural  
profunda. Desta forma, a agenda de inovação  
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BRICS. BRICS Working Group on Science, Technology, Innova-  
do BRICS representa um esforço inicial nessa  
tion and Entrepreneurship Partnership (STIEP WG): Proposed  
direção. Superadas algumas limitações, as ins-  
Action Plan 2021-2024. India: BRICS, 2021. Disponível em:  
tituições e planos de inovação delineados po-  
docu-67.pdf> Acesso em: 17 de jul. de 2024.  
dem abrir caminho para o grupo não apenas  
BRICS. First BRICS science, technology and innovation ministe-  
rial meeting: Cape Town declaration. BRICS, 2014. Disponí-  
direcionar seu desenvolvimento para o campo  
-STI.pdf> Acesso em: 16 de jul. de 2024.  
intrabloco, mas também projetar-se, nessas te-  
BRICS GRAIN. BRICS GRAIN Research Infrastructure Plat-  
máticas, para fortalecer a governança e expan-  
form: Research Infrastructure List. BRICS, 2024. Disponível  
dir parcerias no Sul Global.  
2024.  
Da forma como foi construída, a agenda  
BRICS. Joint Declaration by e Special Secretariat of Produc-  
tivity, Labor and Competitiveness on behalf of the Ministry of  
Economy of the Federative Republic of Brazil, Ministry of Indus-  
try and Trade of the Russian Federation, Ministry of Commerce  
and Industry of the Republic of India, Ministry of Industry and  
Information Technology of the People’s Republic of China, Depart-  
de inovação do BRICS não pode, ainda, ser  
considerada uma efetiva alavanca para uma  
transformação estrutural no bloco. Suas limi-  
ment of Trade, Industry and Competition of South Africa, and the  
United Nations Industrial Development Organization regarding  
strengthening cooperation in the area of New Industrial Revolu-  
tações são ainda muito significativas, resultan-  
do em políticas nacionais de desenvolvimento  
científico e tecnológico que não se transferem  
cs.utoronto.ca/docs/200824-industry.pdf>. Acesso em: 17 de  
para uma agenda efetiva de colaboração técnica  
para o desenvolvimento conjunto de novas tra-  
jetórias tecnológicas. Uma versão mais madura  
e operacional dessa agenda teria o potencial de  
reduzir alguns dos ciclos de dependência que  
limitam a periferia, abrir possibilidades de as-  
sistência ao Terceiro Mundo e reposicionar o  
BRICS no cenário internacional. Com essa  
consolidação, o arranjo poderia se situar como  
uma potência emergente, exercendo influência  
significativa que, ao desafiar as margens, contri-  
bui para reequilibrar o centro de poder global.  
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