178 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.176 - 178, fev. 2025
A relevância da obra torna-se ainda mais
evidente quando analisada à luz do contexto
atual, isto porque o Brasil e a comunidade inter-
nacional se preparam para a realização da COP
30. Esta Conferência ocorre em um momento
de reavaliação do regime climático, uma vez que
a insuficiência das metas de redução de emis-
sões, a necessidade de operacionalizar fundos de
adaptação e financiamento, e a crescente pre-
sença de atores não estatais tornam o processo
mais complexo e fragmentado. Assim, Silveira
oferece elementos importantes para entender os
desafios institucionais que ainda persistem na
governança do clima. Vale ressaltar que a au-
tora oferece lições valiosas ao evidenciar que o
sucesso de uma conferência depende não ape-
nas da qualidade dos compromissos assumidos,
mas também do “clima” ou da forma como as
negociações são conduzidas, presididas, das es-
tratégias de mediação, da transparência dos pro-
cessos, da condução das agendas e da credibili-
dade dos atores envolvidos. Todos estes aspectos
podem determinar se uma conferência resultará
em impasse ou avanço. Ao elucidar essas ques-
tões, a obra contribui para o entendimento de
que enfrentar a mudança do clima é, antes de
tudo, um exercício de diplomacia, liderança e
cooperação. Deste modo, a obra apresenta uma
relevância prática para além da acadêmica.
volvida pela autora ajuda a compreender que
esse movimento não foi apenas técnico, mas
também político e diplomático.
Em síntese, Das Negociações do Clima ao
Clima das Negociações: a governança ambiental de
Quioto a Paris é uma obra de grande valor para
pesquisadores e profissionais das Relações Inter-
nacionais e interessados em política ambiental
internacional, pois incorpora uma densidade
teórica a partir do Institucionalismo Neoliberal
e da concepção de complexo de regimes a uma
análise empírica detalhada dos mecanismos ins-
titucionais da governança climática. Sua princi-
pal inovação analítica está na ênfase conferida
ao papel da presidência das COPs, compreendi-
da não apenas como função administrativa, mas
como um ator-chave no processo de mediação,
negociação e construção de consenso entre os
Estados e outros atores envolvidos. Dessa for-
ma, ao elucidar o papel estratégico da presidên-
cia das COPs e ao analisar com profundidade
os desafios e avanços da governança climática
de Quioto a Paris, a autora oferece uma lente
crítica e interpretativa que revela o peso dos bas-
tidores diplomáticos, das regras procedimentais
e da habilidade de mediação no êxito ou fracas-
so das conferências. Assim, Silveira entrega um
estudo crítico, claro e altamente relevante para
compreender os dilemas do enfrentamento glo-
bal da mudança do clima, evidenciando que o
“clima das negociações”, ou seja, o contexto po-
lítico, institucional e simbólico no qual as con-
ferências ocorrem, influencia para o seu sucesso
tanto quanto o conteúdo técnico dos acordos.
Neste sentido, a autora, ao comparar
Quioto e Paris, demonstra como o regime
climático evoluiu de um modelo mais rígido
e juridicamente vinculante para um modelo
mais flexível e baseado em compromissos vo-
luntários, como as Contribuições Nacional-
mente Determinadas (NDCs). Essa mudança,
embora tenha ampliado a adesão internacional,
também acabou por diminuir a força coercitiva
dos acordos, sendo esta uma ambiguidade que
a COP 30 precisará enfrentar. A análise desen-
REFERÊNCIAS
SILVEIRA, Mariana Balau. Das Negociações do Clima ao
Clima das Negociações: a governança ambiental de Quioto a
Paris. São Paulo: Editora Dialética, 2023, 216 p. ISBN 978-
65-270-0529-2.