3 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte,  
ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.3 - 11, fev. 2025  
3 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.3 - 11, fev. 2025  
Artigo  
O BRICS quinze anos depois: desafios e  
oportunidades após sua expansão  
El BRICS quince años después: desafíos y oportunidades tras su expansión  
BRICS fifteen years later: challenges and opportunities after its expansion  
Augusto Leal Rinaldi1  
Laerte Apolinário Júnior2  
Esses estudos exploram os limites e as  
potencialidades de um arranjo composto por  
potências regionais, potências estabelecidas e  
países de menor poder relativo, cuja articula-  
ção política tem dependido menos da homoge-  
neidade político-econômica entre si do que da  
convergência em torno de objetivos gerais co-  
muns, em particular a reforma das instituições  
internacionais multilaterais (Li, 2019; Cooper,  
2016).  
1 INTRODUÇÃO  
Desde a formalização do BRICS, em  
2009, as análises acadêmicas e de policy têm  
oscilado entre interpretações céticas (Petrone,  
2021; Degaut, 2015; Stephen, 2014; Pant,  
2012) e leituras mais otimistas (Vadell e Ra-  
mos, 2024; Larionova e Shelepov, 2022; Bro-  
sig, 2021; Stuenkel, 2020) quanto à viabilidade  
do arranjo de se consolidar como ator relevante  
nas relações internacionais contemporâneas. As  
pesquisas sobre o BRICS são igualmente diver-  
sas, abrangendo um amplo espectro temático,  
que vai desde suas origens, expansão e institu-  
cionalização progressiva (Stuenkel, 2020; Ra-  
mos et al., 2018) até os mecanismos que fa-  
vorecem ou dificultam a cooperação entre os  
países (Duggan et al., 2021), os desafios de  
coordenação de suas ações (Gabuev e Stuenkel,  
2024; Hooijmaaijers, 2021), os temas incor-  
porados ao longo de suas cúpulas (Kodabux,  
2023) e a identidade internacional que tem as-  
sumido no mundo hoje (Baunov, 2024; Andal  
e Muratshina, 2022).  
A literatura especializada não apresenta  
consenso quanto à melhor forma de caracte-  
rizar o BRICS. Parte dos estudiosos o define  
como um grupo de coalizão de caráter refor-  
mista, voltado à correção de assimetrias nas ins-  
tituições de governança global atuais (Hurrell,  
2018; Flemes, 2010); outro grupo o descreve  
como uma plataforma de cooperação entre  
economias emergentes com uma agenda difu-  
sa (Stuenkel, 2020; Roberts, Armijo e Katada,  
2018; Batista Júnior, 2016); formulações mais  
recentes o tratam como um clube político-di-  
plomático (Cooper e Farook, 2015) ou como  
um alinhamento estratégico entre potências  
1 Professor de Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).  
2 Professor de Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e na Fundação Armando Álvares  
Penteado (FAAP).  
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emergentes (Rinaldi, 2021). As divergências  
quanto ao modo de defini-lo decorrem do fato  
de o BRICS combinar características como  
informalidade institucional, coordenação in-  
tergovernamental e um repertório crescente de  
mecanismos próprios de articulação política,  
sem necessariamente aderir ao formato clássico  
de uma instituição internacional, com tratado  
fundacional e acordo vinculante. Sua trajetó-  
ria de mais de quinze anos, portanto, tem sido  
marcada por um desenho institucional que  
mantém flexibilidade decisória e, ao mesmo  
tempo, preserva a soberania dos membros, per-  
mitindo que, mesmo diante de diferenças entre  
eles, cheguem a consensos.  
O contexto internacional recente, contu-  
do, tem recolocado o debate sobre a situação  
atual da ordem internacional, da qual o BRICS  
faz parte. A crise econômica global associada  
aos efeitos da pandemia de Covid-19; a guerra  
na Ucrânia desde 2022; os ataques do Hamas  
contra Israel e a consequente resposta israelense  
em Gaza e no Líbano desde 2023; os ataques  
militares dos Estados Unidos e de Israel con-  
tra o Irã em 2025 e 2026; e o acirramento da  
rivalidade estratégica entre os Estados Unidos  
e a China têm reforçado a percepção de que a  
ordem internacional atravessa um período de  
transformação, marcada particularmente pelo  
declínio do multilateralismo e do papel das  
instituições internacionais (Lake, 2025; Vadell  
e Ramos, 2024).  
Na última década e meia, uma parte dos  
estudiosos passou a sustentar a tese de que a he-  
terogeneidade dos países que compõem o BRI-  
CS dificultaria a consolidação de um arranjo  
coerente e capaz de produzir resultados práticos  
em escala global (Brosig, 2021; Prys-Hansen e  
Nolte, 2016). Com o arrefecimento do ciclo de  
crescimento econômico dos anos 2000 a 2010  
— com exceção da China e da Índia — e com  
o agravamento das tensões socioeconômicas e  
políticas internas em alguns países-membros, o  
peso das leituras críticas aumentou. O debate  
deslocou-se, então, do entusiasmo em torno  
das “potências emergentes”, muito marcado na  
primeira década do século XXI, para uma ava-  
liação mais realista de suas limitações, apontan-  
do, inclusive, para o crescente papel da China  
no arranjo (Hooijmaaijers, 2019). No entan-  
to, a relevância do BRICS não desapareceu. O  
que se alterou foi o enquadramento analítico: a  
ênfase recaiu sobre as assimetrias internas, so-  
bretudo a centralidade econômica e geopolítica  
da China, sem que isso eliminasse a importân-  
cia do arranjo como espaço de articulação e de  
ação dos países do então chamado Sul Global.  
Desde a formação do BRICS, suas cú-  
pulas anuais passaram a incorporar, de modo  
recorrente, temas como intervenções humani-  
tárias, transferência de tecnologias, programas  
de desenvolvimento, ajuda externa, alívio da  
pobreza, saúde global e combate ao terroris-  
mo3. Esse adensamento temático acompanhou  
o processo de institucionalização do arranjo,  
particularmente com a criação, em 2014, du-  
rante a Cúpula de Fortaleza, do Novo Banco  
de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês)  
e do Arranjo Contingente de Reservas (CRA,  
na sigla em inglês). A partir desse momento,  
o BRICS passou a dispor de um instrumento  
financeiro próprio e aberto a outros países, des-  
tinado a financiar infraestrutura e desenvolvi-  
mento sustentável, o que deu materialidade à  
sua agenda de reforma gradual da arquitetura  
econômico-financeira internacional.  
Além disso, entre 2024 e 2025, o BRICS  
passou pela maior expansão desde sua criação,  
3 Para mais informações e acesso aos documentos oficiais das reu-  
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incorporando cinco novos membros e oficiali-  
zando a categoria de “país parceiro”4, o que am-  
pliou sua presença na Ásia, no Oriente Médio e  
na África. Hoje, os membros oficiais do BRICS  
são Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul,  
Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indo-  
nésia e Irã. Essa ampliação, contudo, não foi  
apenas numérica, pois alterou também o perfil  
geopolítico e econômico do arranjo, intensifi-  
cando sua inserção em regiões centrais para a  
segurança energética global e para as cadeias  
globais de valor e de suprimento (Giaccaglia,  
2024).  
políticos e econômicos. O arranjo oferece um  
espaço de circulação político-diplomática re-  
lativamente seguro para países que procuram  
contornar isolamentos diplomáticos, ampliar a  
rede de contatos, diversificar parcerias e refor-  
çar sua capacidade de barganha na governança  
global. O baixo custo de pertencimento, a pos-  
sibilidade de acesso a um repertório de coope-  
ração econômico-financeira e a expectativa de  
fortalecimento de instituições paralelas, como  
o NDB e o CRA, aumentam a procura por ele.  
A dimensão econômica do BRICS perma-  
nece um de seus principais eixos estruturantes,  
ainda que marcada por assimetrias. A centra-  
lidade da China nas cadeias produtivas, nos  
fluxos de comércio e nos investimentos intra-  
-BRICS confere ao país um papel destacado na  
dinâmica interna do arranjo, com implicações  
diretas para a distribuição de benefícios e para  
a definição de prioridades a serem buscadas. Ao  
mesmo tempo, economias como Índia, Brasil  
e Indonésia apresentam trajetórias de inserção  
internacional marcadas pelo não-alinhamen-  
to e pelo bom relacionamento com os eixos  
Ocidental e não-Ocidental. A presença de ex-  
portadores de commodities e de produtores de  
energia reforça a heterogeneidade do arranjo,  
ao mesmo tempo em que amplia sua relevância  
nos debates sobre segurança energética, transi-  
ção ecológica e governança de recursos natu-  
rais. Assim, essas características sugerem que as  
relações econômicas no interior do BRICS se  
desenvolvem em um ambiente em que coexis-  
tem oportunidades de coordenação e de apro-  
fundamento, mas também desafios de acentua-  
ção da dependência e especialização.  
Os critérios dessa ampliação podem ser  
inferidos a partir do perfil dos novos integran-  
tes. Trata-se de países com relevância geopolí-  
tica regional, capacidade de projeção política e  
econômica em suas vizinhanças, elevado peso  
demográfico e inserção estratégica em merca-  
dos energéticos e rotas comerciais (Gravilenko  
e Shenshin, 2024). Emirados Árabes Unidos e  
Irã concentram importância decisiva no setor  
global de energia, assim como o Egito e a Etió-  
pia; a Indonésia acrescenta uma economia de  
grande porte e de peso geopolítico no Sudeste  
Asiático. A criação da categoria de país par-  
ceiro, aprovada em Kazan em 2024, ampliou  
ainda mais o poder de atração do BRICS, per-  
mitindo uma forma intermediária de associa-  
ção, sem adesão plena, e reduzindo os custos  
políticos para países interessados em ingressar  
no arranjo5.  
As razões que tornam o BRICS atrativo  
para novos participantes combinam fatores  
4 Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Ser-  
A atuação crescente do NDB e de outros  
gov.br/mdic/pt-br/assuntos/enec/parcerias/brics.  
em: 17 de abril de 2026.  
Acesso  
mecanismos econômico-financeiros associa-  
dos, como a realização de comércio bilateral  
em moeda local, por exemplo, constitui um  
5 Rylan Chase, “Quais países querem entrar no BRICS?”, EBC  
com/pt/forex/quais-paises-querem-entrar-no-brics-lista-a-  
tualizada-2026. Acesso em: 17 de abril de 2026.  
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decisório baseado no consenso e na informali-  
dos principais vetores de aprofundamento da  
dimensão financeira do BRICS. A ampliação  
do número de membros e a possibilidade de  
acessar crédito em moedas locais apontam para  
tentativas de reduzir a dependência de meca-  
nismos financeiros dominados pelas econo-  
mias ocidentais, particularmente dos Estados  
Unidos, e de ampliar a margem de manobra  
dos países em desenvolvimento no âmbito da  
economia global. Esses movimentos se inserem  
em um debate mais amplo, que tem ganhado  
força sobretudo desde 2022, sobre a reforma  
da arquitetura financeira internacional, no  
qual o BRICS tem reiterado a necessidade de  
maior representatividade e de revisão das es-  
truturas decisórias de instituições como o FMI  
e o Banco Mundial, bem como a importância  
de depender menos do dólar norte-americano  
(Pforr et al., 2025; Johnston, 2025; Brawley,  
2022). A continuidade dessa agenda depende,  
em grande medida, da capacidade dos países de  
articularem posições comuns e traduzirem suas  
demandas em propostas concretas de reforma  
institucional e de criação de novos arranjos  
financeiros (Peruffo et al., 2024; Liu e Papa,  
2022).  
dade institucional preserva a flexibilidade polí-  
tica que historicamente caracterizou o BRICS,  
mas impõe limites à sua capacidade de atuação  
coordenada em temas de maior sensibilidade,  
como, por exemplo, conflitos militares e inter-  
venções humanitárias (Rinaldi, 2021).  
A ausência de mecanismos supranacionais  
ou de estruturas burocráticas robustas implica  
que os avanços práticos do arranjo continuam  
dependentes da convergência política entre os  
seus membros e da disposição dos governos  
nacionais para investir capital diplomático na  
agenda comum. A ampliação do número de  
participantes tende a tornar esse processo mais  
exigente, sobretudo em áreas nas quais os in-  
teresses nacionais são mais diretamente afeta-  
dos, como a segurança internacional, a política  
energética e a integração à arquitetura financei-  
ra ocidental.  
A expansão e consolidação do BRICS  
como um polo de poder na constelação global  
também devem ser lidas à luz das transforma-  
ções atuais da economia política internacio-  
nal. A expansão político-econômica chinesa, a  
reorganização das cadeias produtivas globais, a  
financeirização e hegemonia do dólar na globa-  
lização e a crescente contestação às instituições  
de Bretton Woods coexistem com a formação  
que tem sido chamada de duas “zonas de globa-  
lização”, nas quais os Estados Unidos e a China  
articulam, cada qual à sua maneira, padrões de  
intercâmbio comercial, mecanismos financei-  
ros e iniciativas institucionais6. Nesse quadro,  
a “Belt and Road Initiative” (BRI) e a “Global  
Development Initiative” (GDI), de um lado, e  
Ao mesmo tempo, a expansão recente do  
BRICS acentuou desafios importantes. A hete-  
rogeneidade interna ampliou-se com a entrada  
de membros com perfis geopolíticos distintos,  
intensificando rivalidades já existentes, como  
as tensões entre a China e a Índia e entre os  
Emirados Árabes Unidos e o Irã (Gabuev e  
Stuenkel, 2024). A ampliação também refor-  
çou o dilema da ação coletiva em um grupo  
maior, mais diverso e menos homogêneo em  
termos de regime político, estrutura econômi-  
ca produtiva e orientações diplomáticas. Nesse  
contexto, a governança interna do arranjo assu-  
me centralidade. A manutenção de um modelo  
6 e Economist, “Globalisation has faltered. It is now being  
document/d/1pgPe6c_KcEnICrU64FDkK2sdeLFmepRf/  
edit. Acesso em: 17 de abril de 2026  
7 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.22 n.1, p.3 - 11, fev. 2025  
o “Partnership for Global Infrastructure and In-  
vestment” (PGII), de outro, expressam proje-  
tos concorrentes de uma “nova” globalização.  
O BRICS insere-se nesse ambiente como um  
arranjo que visa ampliar a margem de ação de  
seus membros diante de uma ordem que pare-  
ce estar se fragmentando em áreas de influên-  
cia, marcada por rivalidades e pela erosão dos  
consensos que haviam sustentado a ordem in-  
ternacional liberal do período pós-Guerra Fria  
(Rodrigues-Triocci, 2024).  
bais7. Essa posição oferece um denominador  
comum que sustenta sua atuação externa e le-  
gitima suas propostas de reformas e de adequa-  
ções à governança global. Pode-se afirmar que  
a crise do multilateralismo confere um novo  
sentido ao papel do BRICS.  
O retorno de Donald Trump à presidên-  
cia dos Estados Unidos, em 2025, intensificou  
a pressão sobre instituições internacionais e  
recolocou o unilateralismo no eixo central da  
política externa norte-americana8. A ameaça de  
tarifas adicionais contra os países do BRICS,  
reiterada por Trump, ilustra a centralidade da  
coerção econômica no novo cenário internacio-  
nal9. Em reação, o BRICS reafirmou, em 2025,  
o compromisso com o multilateralismo, o di-  
reito internacional e a reforma das instituições  
financeiras globais, ao mesmo tempo em que  
condenou medidas protecionistas e unilaterais.  
A Cúpula do Rio de Janeiro, em julho de 2025,  
aprovou 126 compromissos e reiterou a defesa  
de uma governança global mais inclusiva, com  
ênfase em finanças, saúde, inteligência artifi-  
cial, clima, paz e segurança, além de reformas  
no FMI e no sistema das Nações Unidas. Esse  
quadro indica que a consolidação do BRICS  
ocorre em um momento de profunda contes-  
tação da ordem internacional liberal e de enfra-  
quecimento das bases políticas que sustentaram  
a governança multilateral no ciclo anterior.  
A dimensão geopolítica da conjuntura  
internacional recente reforça esse diagnóstico.  
A reativação de coalizões de contenção no In-  
do-Pacífico, como o QUAD, e a expansão da  
OTAN para o Leste europeu indicam uma  
reorganização mais ampla das constelações de  
poder. Nesse sentido, a importância do BRICS  
deriva, em grande medida, de sua capacidade  
de reunir países da Ásia, da África e da América  
Latina em torno de uma agenda que combina  
reforma institucional, contestação de hierar-  
quias e busca por maior representatividade, e  
que navega nesse cenário sem criar hostilida-  
des, sem demandar condicionalidades e sem  
exigir lealdades.  
A atual crise do multilateralismo reforça  
a relevância desse tipo de arranjo. A redução  
do compromisso das grandes potências com  
instituições internacionais, a proliferação de  
medidas unilaterais e o enfraquecimento de  
mecanismos multilaterais de resolução de dis-  
putas contribuem para a erosão das bases nor-  
mativas da ordem internacional (Lake, 2025).  
Nesse cenário, o BRICS tem buscado afirmar  
uma agenda que combina a defesa do multi-  
lateralismo, a crítica às práticas protecionistas  
e a demanda por maior inclusão dos países em  
desenvolvimento nos processos decisórios glo-  
7 Ministério das Relações Exteriores do Brasil, “Declara-  
ção de Líderes do BRICS: Declaração do Rio de Janeiro”,  
nais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/declaracao-  
de-lideres-do-brics-2014-rio-de-janeiro-06-de-julho-de-  
2025#:~:text=1. Acesso em: 16 de abril de 2026.  
8 James M. Lindsay, “First 100 Days: Trump’s Foreign Policy  
Disruption Is Just Beginning”, Council on Foreign Relations,  
days-trumps-foreign-policy-disruption-just-beginning.  
Acesso em: 17 de abril de 2026.  
9 Aime Williams, “Trump threatens Brics nations with 100% tariffs  
ft.com/content/18b3d51d-1e4b-4189-bae2-c31248b6526b?syn-  
25a6b1a6=1. Acesso em: 16 de abril de 2026.  
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A celebração de seus quinze anos, por-  
tanto, oferece uma oportunidade adequada  
para avaliar os limites e as potencialidades de  
um arranjo que se consolidou como uma das  
expressões mais visíveis das transformações  
contemporâneas da política internacional. E  
é nesse contexto que se insere este Dossiê. Ele  
reúne trabalhos que buscam apresentar uma  
reflexão ampla sobre o lugar do BRICS na or-  
dem internacional contemporânea, com ênfase  
nas transformações recentes associadas à sua  
expansão, às mudanças na economia política  
internacional e à reconfiguração das dinâmicas  
geopolíticas globais.  
realizado na Universidade Federal da Bahia,  
o estudo aponta que, ao longo de seus quinze  
anos de existência, o arranjo deslocou progres-  
sivamente seu foco da reforma das instituições  
econômicas globais para uma atuação mais  
pragmática, orientada pela cooperação Sul-Sul  
e pela busca de maior autonomia estratégica no  
sistema internacional. Ao enfatizar as tensões  
entre ambições transformadoras e limitações  
estruturais, especialmente no campo econômi-  
co-financeiro e nas assimetrias internas, o arti-  
go contribui para o Dossiê ao oferecer uma in-  
terpretação abrangente da evolução da agenda  
temática e da atuação do BRICS, destacando  
os dilemas centrais que marcam seu comporta-  
mento contemporâneo.  
Nesse ambiente, o estudo de sua trajetória  
e atuação internacional oferece um ponto de  
entrada para o exame das dinâmicas contem-  
porâneas da política internacional e dos papéis  
do BRICS nela, contribuindo, assim, para uma  
compreensão mais precisa dos desafios e das  
possibilidades que se colocam ao arranjo na se-  
gunda década do século XXI.  
Já o artigo de Rafaela Mello Rodrigues de  
Sá e Ana Saggioro Garcia analisa a atuação do  
Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS),  
destacando a importância dos atores privados  
na consolidação do arranjo. Ao examinar mais  
de uma década de funcionamento do Conse-  
lho, o estudo evidencia como a articulação en-  
tre grandes empresas multinacionais contribui  
para adensar as relações intra-BRICS e para a  
definição de agendas econômicas prioritárias,  
sobretudo em conexão com o Novo Banco de  
Desenvolvimento. A principal contribuição das  
autoras reside em deslocar o foco analítico das  
cúpulas governamentais para as dinâmicas em-  
presariais, revelando uma dimensão frequen-  
temente subexplorada do arranjo nos estudos  
sobre ele.  
2 APRESENTAÇÃO DOS  
ARTIGOS  
Os trabalhos reunidos neste Dossiê refle-  
tem a diversidade temática e analítica que ca-  
racteriza os estudos sobre o BRICS. Em con-  
junto, eles oferecem uma visão multifacetada  
do arranjo, explorando suas dimensões insti-  
tucionais, discursivas, econômicas e políticas,  
bem como os desafios decorrentes de sua re-  
cente expansão.  
Na mesma linha de análise de agendas  
mais recortadas, Laís Melo de Souza e Henri-  
que Zeferino de Menezes investigam a coope-  
ração em inovação tecnológica no âmbito do  
BRICS. O artigo demonstra que, embora a  
inovação seja central para o desenvolvimento  
socioeconômico dos países membros, a coope-  
O artigo de Giorgio Michalopoulos e An-  
drea Califano analisa a trajetória do BRICS, a  
partir da evolução de sua agenda, inicialmen-  
te reformista, até sua consolidação como ator  
geopolítico em uma ordem internacional mul-  
tipolar. Com base em um debate acadêmico  
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ração nessa área enfrenta limitações estruturais,  
como a fragilidade institucional e as restrições  
financeiras. Ao combinar análise institucional  
e estudos de caso, os autores contribuem para  
compreender os limites práticos de uma das  
agendas mais estratégicas do arranjo.  
multipolaridade. Trata-se de uma contribuição  
importante para o debate sobre a identidade do  
BRICS e seu posicionamento diante da ordem  
internacional liberal.  
A dimensão discursiva e identitária do  
BRICS é explorada por Marina Caixeta, José  
Paulo Ferreira e Mayara Carvalho, que anali-  
sam a construção da narrativa contra-hegemô-  
nica do BRICS ao longo de suas declarações  
oficiais. O estudo aponta para a consolidação  
de uma identidade comum orientada à reforma  
da governança global, ainda que marcada por  
tensões entre discurso e prática. A análise con-  
tribui para o debate sobre o papel simbólico do  
BRICS na política internacional.  
Ainda no campo econômico-tecnológico,  
Octávio Oliveira e Renan Canellas examinam  
as infraestruturas digitais nos países do BRICS,  
destacando desafios relacionados à exclusão di-  
gital e à insuficiência de investimentos. O arti-  
go explora as limitações dos mecanismos atuais  
de cooperação e aponta a necessidade de maior  
coordenação para enfrentar as desigualdades  
estruturais . Trata-se de uma contribuição im-  
portante para compreender os desafios do de-  
senvolvimento digital no Sul Global, de modo  
geral e, em especial, no BRICS.  
A emergência de novos atores nas relações  
intra-BRICS é analisada por Kelvin Dias, que  
examina a criação da Associação de Cidades e  
Municípios BRICS+. Ao enfatizar a paradiplo-  
macia e o papel de atores subnacionais, o artigo  
demonstra como o arranjo tem se expandido  
para além da esfera estatal, criando novas for-  
mas de articulação e de acesso ao financiamen-  
to internacional, especialmente por meio do  
Novo Banco de Desenvolvimento. A pesquisa  
amplia o escopo analítico do BRICS ao incor-  
porar a dimensão local e subnacional à com-  
preensão de seu comportamento.  
Já o artigo de Allana Camini Moreira de  
Souza, embora centrado na política energéti-  
ca chinesa, oferece insights importantes para  
compreender o papel da China no BRICS.  
Ao analisar os Planos Quinquenais chineses  
como instrumentos de promoção das energias  
renováveis, o estudo discute a centralidade do  
Estado e do planejamento estratégico no repo-  
sicionamento econômico do país, contribuin-  
do, assim, para os debates sobre as assimetrias  
internas no arranjo.  
No campo da segurança internacional,  
Bruno Mendelski e Camila Munareto com-  
param as narrativas do G7 e do BRICS sobre  
o programa nuclear iraniano. A partir de uma  
abordagem construtivista, o artigo mostra que,  
enquanto o G7 adota uma retórica hierárqui-  
ca, o BRICS privilegia discursos mais concilia-  
dores e orientados pelo direito internacional,  
ainda que sem romper com as assimetrias exis-  
tentes. A contribuição central reside na análise  
do papel discursivo do BRICS na governança  
global na área de segurança.  
A dimensão normativa e política do BRI-  
CS é explorada por Júlia Penachioni e Cláudia  
Marconi, que analisam as tensões enfrentadas  
pelo Brasil e pela África do Sul no campo dos  
direitos humanos e da justiça de transição.  
O artigo evidencia os dilemas decorrentes da  
inserção desses países em um arranjo amplia-  
do que inclui países com regimes não-demo-  
cráticos, destacando os desafios de conciliar  
compromissos normativos com estratégias de  
política externa em um contexto de crescente  
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Uma perspectiva analítica mais estru-  
turalista é aprofundada por Charles Tabarin,  
Claudete Vitte e Gustavo Blum, que situam  
o BRICS+ no contexto da teoria do sistema-  
-mundo. O artigo interpreta o arranjo como  
uma articulação de países semiperiféricos que  
buscam coordenar interesses em um cenário  
de reconfiguração da economia política global.  
Essa abordagem permite compreender o BRI-  
CS não apenas como um arranjo político, mas,  
principalmente, como parte de transformações  
estruturais na economia capitalista global.  
por um lado, amplia sua representatividade e  
capacidade de articulação com o Sul Global,  
por outro, aprofunda tensões internas e inde-  
cisões quanto à sua identidade e capacidade de  
atuação concertada. Os trabalhos aqui reuni-  
dos sugerem que o futuro do BRICS depen-  
de, em grande medida, de sua capacidade de  
conciliar diversidade interna com algum grau  
de coordenação efetiva, bem como de traduzir  
suas ambições em resultados concretos.  
Esperamos, assim, que este Dossiê contri-  
bua para o avanço do debate acadêmico sobre  
o BRICS e para uma melhor compreensão de  
seu papel nas transformações em curso na polí-  
tica internacional da segunda década do século  
XXI.  
Por fim, o Dossiê também inclui duas rese-  
nhas que dialogam com temas relevantes para o  
contexto internacional em que o BRICS se inse-  
re. A resenha de Mariana Ferreira Torres aborda  
a governança climática global, destacando a im-  
portância das negociações multilaterais, enquan-  
to a de Marcelo de Paula discute a guerra rus-  
so-ucraniana, oferecendo uma contextualização  
histórica e geopolítica do conflito. Ambas contri-  
buem para situar o BRICS em debates mais am-  
plos da política internacional contemporânea.  
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Em conjunto, os artigos deste Dossiê evi-  
denciam que o BRICS, quinze anos após sua  
criação, não pode ser compreendido por meio  
de uma única lente analítica ou de uma única  
área temática. Trata-se de um arranjo complexo  
que combina dimensões institucionais, discur-  
sivas e materiais e cuja relevância deriva tan-  
to de sua atuação em temas e áreas relevantes  
das relações internacionais quanto de seu papel  
como representante de um conjunto de gran-  
des potências, potências emergentes e países de  
menor desenvolvimento relativo no mundo.  
Sua recente expansão intensifica tanto  
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