Amefricanizando às Relações Internacionais para curar a Afrasia racial da disciplina
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.1809-6182.2025v22n1p158-175Palavras-chave:
Relações Internacionais, Amefricanidade, Afasia racial, Lélia GonzalezResumo
O presente artigo objetiva problematizar a afasia racial da disciplina de Relações Internacionais, apontando como cura/resistência a categoria política-cultural da amefricanidade cunhada por Lélia Gonzalez. Para isso, emprega-se o conceito da afasia racial para demonstrar a omissão sobre raça e do racismo nos debates teóricos nos conceitos centrais da disciplina. Nesse sentido, o argumento do artigo é de que a amefricanidade é o elemento central para descolonizar as relações internacionais, curando a afasia racial. De modo a desenvolver o seu argumento, o artigo está estruturado em duas seções. A primeira seção aborda a contextualização sobre a afasia racial e como ela se operacionaliza nos três grandes debates da disciplina, sendo o: realismo, construtivismo e liberalismo. A segunda seção denota como a categoria da amefricanidade pode curar afasia racial e suas potencialidades para se pensar o quadro teórico da disciplina. Sob a lente crítica da autora Lélia Gonzalez. A análise crítica da disciplina de Relações Internacionais presente neste artigo contribui com o debate de que suas teorias são estruturadas pelo ocidente, demonstrando a necessidade da amefricanidade para repensar a política internacional entre atores e comunidades.
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