AMEAÇAS EXTERNAS?

O papel das forças de segurança no combate às organizações criminosas transnacionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2595-7716.2025v7n1p93-113

Palavras-chave:

Crime organizado, Tráfico de drogas, Ameaças externas

Resumo

O Brasil possui imensas fronteiras terrestres, muitas das quais desprotegidas e sem vigilância adequada e desta forma a cocaína tem ingressado em nosso território por rotas diversas, aéreas ou terrestres, cruzando os limites fronteiriços pelos estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo ou Paraná. Este escoamento se dá pela ação contínua de redes transnacionais organizadas de tráfico e atuam externa e internamente. Estas organizações criminosas transnacionais têm como características serem capilarizadas, altamente organizadas, sofisticadas e, por vezes, com integrantes infiltrados junto às autoridades e nos poderes constituídos. Em muitos casos, tais organizações se associam com estruturas preexistentes, ampliando seus negócios de forma sinérgica. Este artigo analisa inicialmente o que podemos caracterizar como ameaça transnacional (I) e em seguida (II) quais iniciativas estão sendo feitas no combate a estas ameaças. Este artigo se volta para a conjunção metodológica entre a análise socio-empírica das ações realizadas no âmbito das forças de segurança em paralelo às medidas normativas estabelecidas pelos órgãos de segurança que definem as diretrizes para a aplicação de políticas na área. Ao final, argumenta-se que embora o Brasil se valha de diversos recursos para o combate as ameaças tratadas neste artigo, uma melhor coordenação do uso dos recursos de inteligência e de segurança, em torno de objetivos claros, precisos e auditáveis seria um passo importante para afastar estas organizações criminosas do nosso território.

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Biografia do Autor

Lara Denise Góes da Costa, Escola Superior de Guerra

Lara Denise Góes da Costa: Professora permanente do Programa de pós-graduação em Segurança Internacional e Defesa da Escola Superior de Guerra/ Ministério da Defesa. Pós-doutora sênior (CNPq) em lógica e epistemologia pelo PPGLM/UFRJ. Pós-doutora em Direitos Humanos pelo PNPD/CAPES. Doutora em Filosofia/ UFRJ nas áreas de Ética e Filosofia Política. Doutora em Ciências Sociais/PUC- RIO.  Fellow Researcher da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade Lusófona de Lisboa. Pesquisadora da Nova War and Law Lab (Nova de Lisboa). Pesquisadora na área de Direitos Humanos e inseguranças globais e suas interfaces teóricas e empíricas que abrangem teoria política, epistemologia das relações internacionais e ética. Possui livros e artigos publicados sobre os temas, com fomento de agências nacionais e internacionais. Coordenadora do Laboratório de pesquisa em Segurança internacional, Paz e Desenvolvimento (Lab-SEPADE), Coordenadora da REDHIPAS.

Felipe Lopes Villela Nicolai, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Doutorando em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Relações Internacionais (PPGRI), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Mestre em Segurança Internacional e Defesa, pelo Programa de Pós-graduação em Segurança Internacional e Defesa (PPGSID), da Escola Superior de Guerra (ESG). Possui pós-graduação lato sensu em Inteligência de Estado e Inteligência de Segurança Pública, pela Fundação Escola Superior do Ministério Público de Minas Gerais; pós-graduação lato sensu em Gestão Estratégica e Planejamento, pelo Centro de Pesquisa e Pós-graduação da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais; pós-graduação lato sensu no Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), pela Escola Superior de Guerra (ESG). Possui graduação em Administração, pelo Centro Universitário Newton Paiva; graduação em Gestão de Segurança Privada, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte; é graduando em Direito, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Possui o Curso de Direito Internacional dos Conflitos Armados (CDICA), pela Escola Superior de Defesa (ESD); Curso Superior de Defesa (CSD), pela Escola Superior de Guerra; Curso EU - South American School on Global Governance, pelo Centro de Excelência Jean Monnet (CEJM), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Formado pela National Defense University (William J. Perry Center for Hemispheric Defense Studies) em Combate às Ameaças Híbridas.

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Publicado

2026-03-04

Como Citar

Costa, L. D. G. da, & Nicolai, F. L. V. (2026). AMEAÇAS EXTERNAS? O papel das forças de segurança no combate às organizações criminosas transnacionais. Em Sociedade, 7(1), 93–113. https://doi.org/10.5752/P.2595-7716.2025v7n1p93-113