EPISTEMOLOGIA VIADA À BRASILEIRA

das disputas no campo científico à ressignificação de existências gays

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2595-7716.2026v8n1p98-121

Palavras-chave:

Masculinidade, Colonialidade, Gênero, Ciência, Epistemologia

Resumo

Este artigo analisa como a epistemologia viada à brasileira constitui uma perspectiva contra-hegemônica para compreender gênero, masculinidades e sexualidades na América Latina. Por meio de pesquisa bibliográfica, articula epistemologias viadas, estudos de gênero, teorias decoloniais e Psicologia crítica para demonstrar como a colonialidade, a cis-heteronormatividade e a masculinidade hegemônica regulam corpos, subjetividades e espacialidades sociais. O objetivo é compreender de que modo produções científicas construídas a partir de experiências dissidentes brasileiras desestabilizam regimes normativos de saber e ampliam possibilidades de existência e pertencimento. O estudo evidencia que esses dispositivos produzem hierarquias, exclusões e formas de subalternização, ao mesmo tempo em que outras experiências tensionam a neutralidade científica e ampliam os regimes de produção do conhecimento. O artigo defende uma ciência situada, ética e decolonial, que reconhece corpos dissidentes como sujeitos políticos e epistêmicos e fortalece a pluralidade de saberes, pertencimentos e formas de existência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Walter Aristóteles Miez, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, especialista em Psicologia do Trânsito e graduado em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 2016 compõe o Núcleo de Pesquisa Memórias, Representações e Práticas Sociais. Estuda questões de gênero, raça, classe e sexualidade dentro do campo da Psicologia Social.

Referências

ADICHIE, Chimamanda. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

ALENCAR, Claudiana. “Deixar existir a poesia mais selvagem” na tessitura de uma gramática anticolonial. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 9-12, 2022.

ALMEIDA, Fábio. Epistemicídio. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 163-168, 2022.

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Rev. Bras. Ciênc. Polít., Brasília, n.11, ago., 89-117, 2013.

BAPTISTA, Lívia. Colonialidade da linguagem. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 51-58, 2022.

BAYDOUN, Mahmoud. Não sou nem curto afeminados: Reflexões viadas sobre a efeminofobia nos Apps de pegação. Salvador: Editoria Devires, 2020.

BOTELHO, Gabriela. Branquitude. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In:

Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 33-42, 2022.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CADILHE, Alexandre. Masculinidades em performance. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 239-244, 2022.

CONNELL, Raewyn; MESSERSCHMIDT, James. Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, 21, 241-282, 2013.

DIAS, Juarez; MENDONÇA, Carlos; MEDEIROS, Ettore. Mosaico da viadagem: disputas e conflitos em torno de uma textualidade performático-midiática. Esferas, (20), 45-62, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.31501/esf.v0i20.12368. Acesso em: 05 set. 2026.

FERREIRA, Deise. Afrolatinidade e educação. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 17-24, 2022.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Ed., 1989.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GONÇALVES, Carlos Henrique. O Contrato De Comunicação Da Extrema Direita E As Batalhas Discursivas Na Pandemia Da Covid19. Contestando as fronteiras de gênero, raça e sexualidade na sociedade brasileira, 76, 2023.

GONZALEZ, Lélia. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano. Org. RIOS, F.; LIMA M.; Rio de Janeiro: Zahar. 2020.

GREEN, James. Além do carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX. Tradução: Fino, Cristina, Arantes, Cássio. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2019.

JESUS, Jaqueline Gomes. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos. 2. ed. Brasília, 42p., 2012. Disponível em: https://www.sertao.ufg.br/up/16/o/ORIENTA%C3%87%C3%95ES_POPULA%C3%87%C3%83O_TRANS.pdf?1334065989. Acesso em: 05 set. 2026.

JODELET, Denise. A alteridade como produto e processo psicossocial. In: Arruda, Angela. (Org.). Representando a alteridade. Petrópolis: Vozes, 47-57, 1998.

LOURO, Guacira. Corpo, escola e identidade. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 25(2): 59-76, jul./dez., 2000.

MAZZARO, Daniel. Sexualidades decoloniais: a latino-americanização dos estudos queer. In: Mendonça e Silva,

Cleidimar (org.). América Latina e língua espanhola: discussões decoloniais. Campinas: Pontes, 289-313, 2020.

MAZZARO, Daniel. Colonialidade de gênero. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 43-49, 2022.

MIEZ, Walter Aristóteles Oliveira. Descortinando Estudos em Masculinidades: uma análise sobre o catálogo de teses e dissertações da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Psicologia USP, 35, e210137, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-6564e210137. Acesso em: 05 set. 2026.

MIEZ, Walter Aristóteles Oliveira. Lugar de fala: colaborações para uma ciência feminista, antirracista e decolonial.

Psicologia USP, 37, e240155, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-6564e240155. Acesso em: 05 set. 2026.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

OLIVEIRA, Megg. Seguindo os passos “delicados” de gays afeminados, viados e bichas pretas no Brasil. In Caetano, Márcio, Junior, Paulo (Org.) De guri a cabra-macho: masculinidades no Brasil. Rio de Janeiro: Lamparina, 127-145, 2018.

PRADO, Maria; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto. 2014.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder e clasificación social. In: Castro- Gómez, Santiago, Grosfoguel, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del hombre, 93-126, 2007.

RIBEIRO, Katiúscia. Katiúscia Ribeiro apresenta o conceito de cultura | O Futuro é Ancestral. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=aK9K-jWGygQ&t=1s. Acesso em: 05 set. 2026.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula editorial, 2019.

RODRIGUEZ, Shay. 2019. Um breve ensaio sobre a masculinidade hegemônica. Diversidade e Educação, 7(2), 276-291, 2019.

SANTOS, Emily; SANTANNA, Ygor. Colonialidade do poder. Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. In: Landulfo, Cristiane, Matos, Doris. (org.). Campinas, SP: Pontes Editores. 59-24. 2022.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez., 71-99, 1995.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2017.

TYLOR, Edward. Cultura primitiva. Madrid: Ayuso, 1981.

TRINDADE, Zeidi; NASCIMENTO, Adriano. O homossexual e a homofobia na construção da masculinidade hegemônica. In: Souza, Lídio, Trindade, Zeidi (org.). Violência e exclusão: convivendo com paradoxos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 146-162, 2004.

VERONELLI, Gabriela. La colonialidad del lenguaje y el monolenguajear como práctica linguística de racialización. Polifonia, Cuiabá-MT, v. 26, n.44, 01- 163, out/dez, 2019.

Downloads

Publicado

2026-10-01

Como Citar

Miez, W. A. (2026). EPISTEMOLOGIA VIADA À BRASILEIRA: das disputas no campo científico à ressignificação de existências gays . Em Sociedade, 8(1), 98–121. https://doi.org/10.5752/P.2595-7716.2026v8n1p98-121

Edição

Seção

Artigos